Maria Helena Pader é uma atriz e dubladora brasileira, nascida em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 13 de janeiro de 1945, reconhecida como uma das vozes mais marcantes da dublagem nacional pela interpretação de Cruella De Vil nos filmes “101 Dálmatas” e “102 Dálmatas”. Ao longo de mais de quarenta anos de carreira, ela emprestou sua voz a atrizes internacionais como Anjelica Huston, Glenn Close, Judi Dench, Maggie Smith e Helen Mirren, além de interpretar personagens marcantes em novelas da TV Globo. Aposentada da dublagem desde 2018, Maria Helena Pader deixou um legado reconhecido tanto pelo público quanto por colegas de profissão como uma das grandes intérpretes da chamada “geração de ouro” da dublagem brasileira.
Antes de ingressar nas artes, Maria Helena Pader formou-se em Direito e trabalhou como advogada em sua cidade natal por seis anos, carreira que abandonou em 1971 para se mudar para o Rio de Janeiro e se dedicar ao teatro. Na capital fluminense, ela atuou em peças de destaque no cenário teatral da época, como “O Marido Vai à Caça” e “Os Efeitos dos Raios Gama nas Margaridas”, montagens que marcaram sua transição definitiva da advocacia para as artes cênicas. Foi também no início da década de 1970 que ela ingressou paralelamente no mercado de dublagem, então em expansão no Rio de Janeiro por causa da chegada maciça de filmes e séries estrangeiras à televisão brasileira.
Na televisão, Maria Helena Pader estreou com uma pequena participação na novela “Pecado Capital” (1975), mas só conquistou seu primeiro papel fixo na Rede Globo em “Água Viva” (1980), na personagem Mary. A partir dali, ela se tornou uma presença constante em novelas e minisséries, quase sempre interpretando personagens antipáticas e fofoqueiras, perfil que a consagrou junto ao público brasileiro ao longo de décadas de trabalho na emissora carioca.
A trajetória de Maria Helena Pader na dublagem brasileira
O trabalho de Maria Helena Pader como dubladora se concentrou, por grande parte de sua carreira, na Herbert Richers, estúdio carioca que dominou o mercado de dublagem da América Latina entre as décadas de 1960 e 1990, período em que praticamente todos os grandes filmes de Hollywood exibidos no Brasil eram dublados nesse endereço. Foi nesse ambiente profissional que ela construiu um dos aspectos mais particulares de sua carreira: tornou-se a voz brasileira mais associada à atriz americana Anjelica Huston, dublando-a em produções como “A Família Addams”, na personagem Mortícia Addams, e em filmes posteriores como “A Creche do Papai” e “A Vida Marinha com Steve Zissou”.
O papel de dublagem mais lembrado de Maria Helena Pader, porém, é o da vilã Cruella De Vil, interpretada pela atriz Glenn Close nos filmes em live-action “101 Dálmatas” (1996) e “102 Dálmatas” (2000), além da própria versão animada da personagem em produções derivadas da franquia Disney. Essa associação entre a voz de Pader e a personagem tornou-se tão forte no imaginário do público brasileiro que, até hoje, sites e fóruns especializados em dublagem citam essa interpretação como referência de dicção vilanesca dentro do mercado nacional.
Além de Anjelica Huston e Glenn Close, Maria Helena Pader também dublou com regularidade a atriz britânica Judi Dench, incluindo o papel de Lady Catherine de Bourgh em “Orgulho e Preconceito” (2005), e a atriz Maggie Smith na personagem da madre superiora em “Mudança de Hábito” (1992), consolidando-se como uma das poucas dubladoras brasileiras a formar vínculo vocal duradouro com várias atrizes veteranas de prestígio internacional ao mesmo tempo.
Os grandes trabalhos de dublagem e homenagens à carreira
Entre os papéis mais celebrados de Maria Helena Pader na dublagem está o de Fran Sinclair, matriarca da família protagonista da série de televisão “Família Dinossauro” (1991-1994), produção da Jim Henson Productions que se tornou um fenômeno de audiência infantil no Brasil dos anos 1990. Ela também deu voz à leoa Sarabi, mãe do protagonista Simba, no clássico animado “O Rei Leão” (1994), e interpretou a Fada Madrinha na versão clássica de “Cinderela”, papéis que reforçaram sua reputação como uma das principais vozes femininas de longas-metragens de animação da Disney dublados no Brasil.
A indicação ao Prêmio Yamato pela série “Desaparecidos”
Em 2005, Maria Helena Pader recebeu indicação ao Prêmio Yamato, principal premiação da dublagem brasileira, na categoria de melhor dubladora coadjuvante, por seu trabalho na primeira temporada da série americana “Lost”, exibida no Brasil sob o título “Desaparecidos”. Embora não tenha vencido a categoria naquele ano, a indicação é frequentemente citada por colegas de profissão e por sites especializados em dublagem como reconhecimento formal da qualidade técnica de sua interpretação vocal em produções seriadas, um tipo de trabalho que exige consistência de voz ao longo de dezenas de episódios.
Já nos anos 2000, Maria Helena Pader também dublou telenovelas mexicanas de grande sucesso no Brasil, como “Maria Mercedes” (1992) e “A Usurpadora” (1998), além de interpretar Evelyn Harper, personagem vivida pela atriz Holland Taylor, mãe dos protagonistas na série americana “Dois Homens e Meio”. Ela encerrou a carreira de dubladora em 2018, após mais de quatro décadas de atuação profissional na área, período em que passou por outros estúdios importantes do Rio de Janeiro, como Delart, Double Sound e Dublamix, além da própria Herbert Richers.
A carreira de atriz de Maria Helena Pader na TV Globo
Paralelamente à dublagem, Maria Helena Pader manteve carreira ativa como atriz de televisão, quase sempre exclusiva da Rede Globo, emissora onde interpretou personagens como Zuleika Gomes, em “Baila Comigo” (1981), e Palmira Cantanhede, em “Corpo a Corpo” (1984), papéis que a consagraram no gênero de vilãs e figuras intrigantes das novelas brasileiras dos anos 1980. Ela também participou de minisséries de prestígio, como “Incidente em Antares” (1994), “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1998) e “A Muralha” (2000), adaptações de obras literárias que exigiam registro dramático distinto de suas personagens cômicas ou antipáticas em novelas.
Já em fase mais avançada da carreira, Maria Helena Pader interpretou a governanta Júlia em “O Rei do Gado” (1996), novela de Benedito Ruy Barbosa, e a personagem Leontina em “Lara com Z” (2011), um de seus últimos trabalhos relevantes na teledramaturgia. No cinema, ela participou do longa-metragem “Chico Xavier” (2010), baseado na vida do médium brasileiro, ampliando um currículo que já reunia décadas de experiência entre teatro, televisão, rádio e dublagem.
Uma curiosidade histórica pouco conhecida sobre Maria Helena Pader é que sua trajetória de dubladora atravessou praticamente toda a transição tecnológica da dublagem brasileira: ela começou a trabalhar ainda na era das gravações analógicas em estúdios como a Herbert Richers, nos anos 1970, e encerrou a carreira em 2018, já no contexto da dublagem digital multicanal, adaptando-se a métodos de trabalho completamente distintos ao longo de mais de quatro décadas, sem nunca deixar de atuar como uma das vozes mais reconhecíveis do público brasileiro.