“A Casa do Dragão” (House of the Dragon), série de televisão criada por Ryan Condal e George R. R. Martin para a HBO, está em sua terceira temporada desde 21 de junho de 2026, com oito episódios semanais exibidos aos domingos. O quarto episódio, intitulado “Tumbleton”, foi ao ar em 12 de julho de 2026 e marcou a metade da temporada, deixando outros quatro capítulos até o encerramento, previsto para 9 de agosto. A trama, prelúdio de “Game of Thrones” ambientado cerca de 200 anos antes da série original, acompanha a Dança dos Dragões, guerra civil entre a facção dos Pretos, liderada pela rainha Rhaenyra Targaryen (Emma D’Arcy), e a dos Verdes, ligada a Alicent Hightower (Olivia Cooke) e seus filhos, pela sucessão do Trono de Ferro. A temporada segue a adaptação do livro “Fogo e Sangue”, de George R. R. Martin, publicado em 2018.
Desde a estreia, a temporada vem sendo descrita pelo próprio Ryan Condal como a mais ambiciosa já produzida pela série, com maior número de batalhas em grande escala do que as duas temporadas anteriores somadas. O primeiro episódio, “Sal e Mar, Fogo e Sangue”, trouxe a Batalha da Goela, confronto naval entre a frota de Corlys Velaryon e as forças da Triarquia, construído com quatro cenários completos de navios e cerca de três milhões de litros de água nas filmagens. Nos episódios seguintes, a guerra avançou rapidamente para o centro do poder político de Westeros, com Rhaenyra assumindo fisicamente o controle de Porto Real, decisão que inverteu a premissa original da série mantida desde a primeira temporada.
A recepção crítica e do público reforçou o caráter decisivo dessa nova fase da história. O episódio de estreia atingiu nota 9,4 no IMDb, empatando com o recorde anterior da série, enquanto o segundo episódio, “Pouso da Rainha”, alcançou 9,5, a maior avaliação individual já registrada em qualquer capítulo de “A Casa do Dragão”. A estreia da temporada reuniu 21,5 milhões de espectadores em plataformas lineares e de streaming ao redor do mundo, segundo dados divulgados pela própria HBO. Apesar do entusiasmo com os episódios individuais, a nota geral da temporada no IMDb ficou em 8,3, refletindo uma recepção um pouco mais moderada em sites como o Rotten Tomatoes, que registra aprovação de cerca de 69% entre o público.
O que aconteceu na 3ª temporada de A Casa do Dragão até aqui
Depois da Batalha da Goela, no episódio de estreia, o segundo episódio, “Pouso da Rainha”, mostrou Rhaenyra e seu tio e marido, Daemon Targaryen (Matt Smith), voando até Porto Real montados em seus dragões Syrax e Caraxes para reivindicar o trono, já que o rei usurpador Aegon II (Tom Glynn-Carney) havia fugido da capital semanas antes, gravemente ferido após o confronto com Vhagar registrado no final da segunda temporada. O terceiro episódio, “Rhaenyra Triunfante”, exibido em 5 de julho, mostrou a nova rainha tentando consolidar poder sobre um reino dividido, enquanto lidava com uma crise alimentar em Porto Real e com um plano dos Verdes envolvendo um suposto príncipe Daeron Targaryen enviado à capital como isca. Ao final do episódio, Rhaenyra descobre que foi enganada e que o verdadeiro Daeron (Benjamin Evan Ainsworth) permanece sob custódia de Lorde Ormund Hightower (James Norton), que ocupou pacificamente a cidade mercante de Tumbleton com um exército de 15 mil soldados.
O quarto episódio aprofundou justamente essa ocupação. Ormund Hightower se instalou em Tumbleton distribuindo suas tropas entre as casas da população local, incluindo a residência da família de Kat (Ellora Torchia), esposa do cavaleiro de dragão Hugh o Martelo (Kieran Bew). A estratégia de Ormund neutraliza a vantagem aérea de Rhaenyra, já que qualquer ataque de dragões contra a cidade atingiria também milhares de civis leais à própria rainha. No pequeno conselho de Porto Real, Rhaenyra decide, com apoio da conselheira Mysaria (Sonoya Mizuno) e do recém-reintegrado grão-mestre Orwyle (Kurt Egyiawan), enviar tropas terrestres para retomar Tumbleton casa por casa, evitando um massacre em grande escala, ao mesmo tempo em que nomeia Sor Torrhen Manderly (Dan Fogler) como novo mestre da moeda para o cargo esvaziado do reino.
Paralelamente, o episódio 4 revelou que Ormund vem criando o jovem Daeron para se tornar rei em seu lugar, chegando a obrigá-lo a executar um homem comum acusado de agredir um soldado Hightower, cena que expõe a crueldade calculada do novo antagonista da temporada. Em Harrenhal, Ser Criston Cole (Fabien Frankel) e Gwayne Hightower (Freddie Fox) encontram a misteriosa Alys Rivers (Gayle Rankin), que esconde o príncipe Aemond Targaryen (Ewan Mitchell), ainda se recuperando de ferimentos sofridos anteriormente na temporada, e seu dragão Vhagar. Em outra linha narrativa, Aegon II e Larys Strong (Matthew Needham) seguem disfarçados de plebeus a caminho de Rook’s Rest, cruzando com a carcaça do dragão Sunfyre, que um morador local transformou em atração turística cobrada, sugerindo que o dragão de Aegon pode não estar tão morto quanto a própria série havia dado a entender no final da segunda temporada.
Os prognósticos para o restante da 3ª temporada de A Casa do Dragão
Relatos de bastidores e gravações externas indicam que os quatro episódios restantes devem adaptar alguns dos momentos mais sangrentos de “Fogo e Sangue”. Gravações realizadas em Hankley Common, sob direção de Nina Lopez-Corrado, sugerem que o episódio 7 trará o chamado “Baile do Açougueiro”, emboscada na qual Ser Criston Cole é derrotado e morto pelas forças de Rhaenyra, com sua cabeça decepada exibida em uma lança como símbolo da vitória dos Pretos. A mesma leva de gravações mostrou soldados encontrando ossadas em uma caverna pouco antes de serem atacados por um dragão, cena que os fãs associam à sobrevivência de Sunfyre, elemento central para o desfecho reservado a Rhaenyra no material original de George R. R. Martin.
A chamada Primeira Batalha de Tumbleton é o confronto mais aguardado para o restante da temporada, com previsão de ocorrer próximo ao episódio final, em 9 de agosto. No livro, essa batalha começa como vitória das forças de Rhaenyra, comandadas por Lorde Roderick Dustin (Tommy Flanagan), que mata Ormund Hightower em combate direto, mas o resultado se inverte quando os cavaleiros de dragão Hugh o Martelo e Ulf o Branco (Tom Bennett) traem a causa dos Pretos e voltam seus dragões, Vermithor e Silverwing, contra a própria cidade que deveriam proteger. Diferentemente do livro, que não explica com clareza a motivação da dupla, a série já construiu um caminho mais pessoal para essa traição, ligando Hugh ao risco real que sua esposa Kat corre dentro de Tumbleton, o que sugere um possível gatilho emocional caso ela morra na ocupação da cidade.
Além dessas duas sequências, roteiristas e fãs também apontam a possibilidade de a temporada mostrar o retorno mais amplo de Sunfyre à trama ativa, preparando terreno para o desfecho mais brutal do arco de Rhaenyra descrito no livro, quando a rainha é executada e devorada pelo dragão de Aegon II diante do próprio filho dela. A produção, no entanto, já demonstrou disposição para alterar a ordem e as motivações de eventos do romance, como fez ao inverter a sequência de acontecimentos em Tumbleton e ao pular inteiramente o chamado massacre do Fishfeed, mencionado apenas de forma indireta em uma canção no segundo episódio da temporada.
Diferenças entre a série e o livro Fogo e Sangue
Ryan Condal vem adotando uma estratégia de adaptação mais livre em relação à cronologia original de “Fogo e Sangue” ao longo da terceira temporada. Além de reorganizar a ordem dos eventos em Tumbleton, o showrunner adicionou camadas psicológicas a personagens cujas motivações no livro permanecem deliberadamente ambíguas, como o próprio Hugh o Martelo, cuja traição ganhou um componente emocional ligado à perda pessoal que não existe no texto de Martin. Essa abordagem reflete uma escolha editorial recorrente da série: manter os grandes desfechos históricos descritos no livro, mas reconstruir o caminho psicológico até eles para reforçar a conexão emocional do público com os personagens envolvidos na guerra.
O legado da guerra e o futuro da saga de A Casa do Dragão
A HBO já confirmou, em novembro de 2025, a renovação de “A Casa do Dragão” para uma quarta temporada, que Ryan Condal descreveu como o encerramento planejado da adaptação da Dança dos Dragões. Essa confirmação sugere que os episódios finais da terceira temporada devem funcionar mais como preparação do que como resolução dos maiores confrontos da guerra civil, deixando eventos como a chamada Segunda Batalha de Tumbleton e episódios finais da própria Dança dos Dragões para a última leva de capítulos da série.
Independentemente do desfecho reservado para a quarta temporada, a atual leva de episódios de “A Casa do Dragão” já se consolidou como a mais bem avaliada da franquia desde sua estreia, superando as marcas anteriores da própria série no IMDb logo em seus dois primeiros capítulos. Esse desempenho reforça o interesse em torno dos próximos episódios, especialmente diante da expectativa de batalhas decisivas envolvendo dragões como Vermithor, Silverwing, Tessarion e o próprio Sunfyre, cujo suposto retorno promete redefinir o equilíbrio de poder entre Pretos e Verdes. Enquanto a guerra pela sucessão do Trono de Ferro se aproxima de seus capítulos mais violentos, “A Casa do Dragão” segue equilibrando fidelidade parcial ao romance de George R. R. Martin com escolhas dramáticas próprias, rumo ao que promete ser o desfecho mais sangrento da temporada em 9 de agosto de 2026.