Depois da morte de Diana, Princesa de Gales, em 31 de agosto de 1997, o Palácio de Buckingham chegou a discutir com a família Spencer a possibilidade de restituir a ela, de forma póstuma, o título de “Alteza Real” (Her Royal Highness, ou HRH), que Diana havia perdido no divórcio de Charles, príncipe de Gales, em 1996. Segundo reportagem da BBC News sobre o episódio, intitulada “Palace and Spencers Agree: No HRH“, a família de Diana recusou a oferta por entender que a mudança contrariaria os desejos da própria princesa em vida. Assim, Diana permaneceu, mesmo após a morte, apenas como “Diana, Princesa de Gales”, sem o prefixo que carregara entre 1981 e 1996.
O título “Alteza Real” não é apenas uma formalidade decorativa: ele determina, entre outras coisas, quem deve fazer reverência a quem dentro da hierarquia da família real britânica. As regras que definem esse estilo remontam às Cartas Patentes emitidas pelo rei George V em 1917, que estabeleceram que o tratamento de “Alteza Real” cabe aos filhos e netos diretos do monarca, além de seus cônjuges por casamento, condição que Diana havia atendido ao se casar com o herdeiro do trono britânico em 1981.
Como o título de Diana havia sido adquirido pelo casamento, e não por nascimento, ele deixou de existir automaticamente quando o vínculo matrimonial se desfez, segundo o princípio jurídico aplicado pela coroa britânica nesses casos. A rainha Elizabeth II usou o mesmo critério, em 1996, para retirar o tratamento de “Alteza Real” também de Sarah Ferguson, ex-esposa do príncipe Andrew, que se tornou “Sarah, Duquesa de York” após o próprio divórcio.
Como Diana perdeu o título de Alteza Real durante o divórcio?
O divórcio entre Diana e o então príncipe Charles tornou-se definitivo em 28 de agosto de 1996, um ano quase exato antes da morte da princesa em Paris. Durante as negociações, a rainha Elizabeth II inicialmente se mostrou disposta a deixar Diana manter o tratamento de “Alteza Real”, mas o príncipe Charles insistiu na retirada do título, posição que prevaleceu na decisão final anunciada pelo palácio. Diana manteve, ainda assim, o título de “Princesa de Gales” e a condição formal de “membro da família real”, conforme comunicado oficial da época.
Segundo relatos do ex-mordomo de Diana, Paul Burrell, o príncipe William, então com quatorze anos, prometeu à mãe que devolveria a ela o título de “Alteza Real” quando se tornasse rei, promessa que a teria deixado emocionada diante da perda do tratamento. Na prática, a perda do título tornava Diana tecnicamente obrigada a fazer reverência a membros da família real, incluindo o próprio ex-marido e os dois filhos, William e Harry, embora não existam registros de que essa formalidade tenha sido exigida dela no dia a dia.
A mudança também teve consequências práticas na vida pública de Diana: sem o tratamento de “Alteza Real”, ela precisou abrir mão do papel de patrona real em diversas instituições beneficentes ligadas à realeza, obrigando essas organizações a buscar novos padrinhos com vínculo oficial à coroa. Diana continuou, apesar disso, à frente de causas próprias, como o apoio a hospitais, ao Ballet Nacional Inglês e a campanhas contra minas terrestres e pela conscientização sobre a AIDS.
O que aconteceu com o título de Diana depois de sua morte
Diana morreu em 31 de agosto de 1997, em decorrência de um acidente de carro em Paris, e a possibilidade de restituir seu título de “Alteza Real” voltou à pauta do Palácio de Buckingham quase imediatamente após a tragédia. A ideia partiu de setores da própria monarquia britânica, que consideravam simbolicamente relevante devolver o tratamento à mãe do futuro rei justamente no momento de sua morte, gesto que teria peso protocolar mesmo sem efeito prático sobre a vida da princesa.
A resposta da família Spencer ao pedido de restituição do título
A família Spencer, liderada pelo irmão de Diana, Charles Spencer, nono conde Spencer, rejeitou formalmente a proposta de restituição póstuma do título, argumento confirmado pela reportagem da BBC News já mencionada. Segundo essa versão, amplamente aceita por historiadores da monarquia britânica, os Spencer entendiam que Diana já havia deixado claro, em vida, que preferia manter a identidade de “Diana, Princesa de Gales” sem o prefixo de “Alteza Real”, tornando desnecessária qualquer alteração após a morte.
Charles Spencer expressou publicamente essa posição durante o funeral da irmã, realizado na Abadia de Westminster em 6 de setembro de 1997, quando declarou perante a família real e milhões de telespectadores que Diana não precisava de título real algum para continuar gerando o que ele chamou de sua “marca particular de magia”. O discurso, hoje reconhecido por biógrafos como um dos momentos mais tensos da cerimônia por seu tom de crítica velada à forma como a monarquia tratara a princesa, reforçou publicamente a posição da família Spencer contra a restituição do título.
Como a família real lidou com o legado de Diana após sua morte
Nos dias seguintes à morte de Diana, a família real enfrentou forte pressão popular e crítica da imprensa por sua reação inicialmente reservada à tragédia: a rainha Elizabeth II permaneceu no Castelo de Balmoral, na Escócia, ao lado dos netos William e Harry, e demorou a fazer qualquer pronunciamento público, o que grande parte da opinião pública britânica interpretou como frieza diante do luto nacional. Historiadores da monarquia, como Sarah Bradford, autora de estudos sobre o reinado de Elizabeth II, descrevem esse episódio como um dos momentos de maior tensão entre a coroa e a população desde a Segunda Guerra Mundial.
Diante da pressão, a rainha retornou a Londres em 5 de setembro de 1997, visitou os tributos florais deixados em frente ao Palácio de Buckingham e fez um pronunciamento televisionado à nação na véspera do funeral, medida sem precedentes até então em situações de luto por um membro não reinante da família real. Relatos da época também apontam um desentendimento entre o príncipe Charles, que defendia um funeral público e grandioso para Diana, e Robert Fellowes, secretário particular da rainha e cunhado da própria Diana, que inicialmente favorecia uma cerimônia mais reservada, embora o Palácio tenha negado publicamente qualquer conflito interno sobre o tema.
Uma curiosidade histórica pouco conhecida sobre a morte de Diana envolve o protocolo da bandeira do Palácio de Buckingham: até 1997, a tradição determinava que nenhuma bandeira fosse hasteada no palácio quando o monarca estivesse ausente, prática que gerou forte revolta popular ao deixar o mastro vazio durante o luto por Diana. Diante da repercussão negativa, a coroa britânica criou uma exceção específica para o caso e, desde então, passou a hastear a bandeira nacional do Reino Unido no Palácio de Buckingham mesmo quando o soberano não está fisicamente presente, mudança de protocolo que se tornou permanente e que remonta diretamente à comoção causada pela morte de Diana.