O que são vitaminas e para que servem?

Essenciais para o funcionamento do organismo, as vitaminas tiveram sua importância reconhecida por pesquisas que transformaram a medicina e a nutrição

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As vitaminas são substâncias orgânicas necessárias em pequenas quantidades para o crescimento, o metabolismo e a manutenção da saúde humana. Em geral, o corpo não consegue produzi-las em quantidade suficiente, por isso precisa obtê-las por meio da alimentação ou, em situações específicas, de suplementos. Cada vitamina participa de funções diferentes, como a formação dos ossos, a produção de células sanguíneas, a proteção dos tecidos e o funcionamento do sistema nervoso. A falta prolongada de determinados nutrientes pode provocar doenças, algumas conhecidas muito antes de os cientistas compreenderem suas causas.

O reconhecimento das vitaminas como grupo de substâncias essenciais ocorreu principalmente entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Antes disso, médicos já observavam que certas doenças estavam relacionadas à alimentação, mas não sabiam explicar exatamente quais componentes dos alimentos evitavam esses problemas. O escorbuto, comum entre marinheiros submetidos a longas viagens sem frutas e vegetais frescos, e o beribéri, associado a dietas pobres em determinados nutrientes, ajudaram a orientar pesquisas decisivas. A investigação dessas enfermidades contribuiu para o nascimento da ciência moderna da nutrição.

A palavra vitamina foi proposta em 1912 pelo bioquímico polonês Casimir Funk, que pesquisava substâncias capazes de prevenir doenças carenciais. Ele utilizou o termo inglês vitamine, combinando a ideia de vida com amine, nome de um grupo químico que acreditava estar presente nesses compostos. Mais tarde, a terminação foi simplificada para vitamin, pois nem todas essas substâncias são aminas. A palavra portuguesa “vitamina” permaneceu como designação de um conjunto variado de micronutrientes, e não de uma única família química com estrutura idêntica.

A descoberta das vitaminas e os avanços da nutrição

A compreensão das vitaminas resultou de pesquisas realizadas por diferentes cientistas, em países e períodos distintos. Em 1747, o médico escocês James Lind conduziu um experimento com marinheiros que sofriam de escorbuto e observou a melhora dos que receberam frutas cítricas, como laranjas e limões. Seu trabalho contribuiu para estabelecer o uso de cítricos na prevenção da doença, embora a substância responsável — a vitamina C — só fosse identificada muito tempo depois. A experiência de Lind é considerada um marco na investigação clínica da relação entre alimentação e saúde.

No final do século XIX, o médico neerlandês Christiaan Eijkman estudou o beribéri nas então Índias Orientais Holandesas, atual Indonésia. Ao observar que galinhas alimentadas com arroz polido apresentavam sintomas semelhantes aos da doença, enquanto aquelas que recebiam arroz menos processado permaneciam saudáveis, ele levantou a hipótese de que a casca do grão continha um fator protetor. O pesquisador Gerrit Grijns aprofundou essa interpretação, defendendo que a doença estava relacionada à falta de uma substância necessária à alimentação. Esses trabalhos ajudaram a preparar o caminho para a identificação da vitamina B1, ou tiamina.

Casimir Funk reuniu resultados de pesquisas anteriores e propôs que certas doenças, entre elas o beribéri, poderiam ser prevenidas por substâncias alimentares específicas. Em 1912, formulou a hipótese das “aminas vitais”, origem do termo vitamina. O conceito foi ampliado quando os cientistas descobriram que os fatores anticarenciais não tinham todos a mesma composição química. A partir daí, as pesquisas passaram a identificar compostos específicos, estudar suas funções e estabelecer formas de isolamento e produção.

A descoberta de cada vitamina não ocorreu em um único momento nem foi obra de um só pesquisador. A vitamina C, por exemplo, foi isolada em 1928 pelo bioquímico húngaro Albert Szent-Györgyi, e sua estrutura química foi esclarecida posteriormente, com contribuições de outros pesquisadores. A vitamina D também teve uma história complexa, ligada à investigação do raquitismo e aos estudos sobre os efeitos da luz solar e do óleo de fígado de bacalhau. O conhecimento atual é resultado de experimentos nutricionais, análises químicas, estudos clínicos e avanços na compreensão do metabolismo.

Os nomes científicos das vitaminas e suas funções

As vitaminas são classificadas por letras e números, mas cada uma possui um nome químico próprio. A vitamina A corresponde a um grupo de compostos chamados retinoides, entre eles o retinol; a vitamina C é o ácido ascórbico; a vitamina D inclui formas como o colecalciferol (D3) e o ergocalciferol (D2). A vitamina E reúne tocoferóis e tocotrienóis, enquanto a vitamina K inclui principalmente a filoquinona (K1) e diferentes menaquinonas (K2). Portanto, uma letra pode representar mais de uma molécula com atividade vitamínica.

O complexo B reúne oito vitaminas hidrossolúveis, cada qual com estrutura e função específicas. A B1 é a tiamina; a B2, a riboflavina; a B3, a niacina, nome que abrange o ácido nicotínico e a nicotinamida; a B5 é o ácido pantotênico; e a B6 corresponde a um grupo de compostos, entre eles a piridoxina. Completam o conjunto a B7, conhecida como biotina; a B9, chamada folato, cuja forma sintética mais conhecida é o ácido fólico; e a B12, denominada cobalamina, que inclui compostos como a metilcobalamina e a cianocobalamina. Essas vitaminas atuam em processos como a transformação dos alimentos em energia, a síntese de DNA e a manutenção do sistema nervoso.

As funções de cada vitamina ajudam a explicar por que uma alimentação variada é importante. A vitamina A participa da visão e da manutenção da pele e das mucosas; a C é necessária à formação de colágeno e favorece a absorção do ferro de origem vegetal; a D contribui para a absorção de cálcio e fósforo. A vitamina E exerce função antioxidante, enquanto a K participa da coagulação sanguínea e do metabolismo ósseo. As vitaminas do complexo B atuam em diferentes etapas do metabolismo, e a B12 é indispensável à formação normal das células sanguíneas e ao funcionamento neurológico.

Onde as vitaminas são encontradas nos alimentos

As fontes alimentares variam de acordo com a vitamina. A vitamina A pré-formada está presente em alimentos como fígado, ovos e laticínios, enquanto o organismo pode produzir compostos com atividade de vitamina A a partir de carotenoides encontrados em cenouras, abóboras, batatas-doces e vegetais de folhas verdes. A vitamina C aparece em frutas cítricas, goiaba, acerola, morango, pimentão e brócolis. Já a vitamina E pode ser obtida de óleos vegetais, sementes, amêndoas e outras oleaginosas.

A vitamina D está presente naturalmente em quantidades relevantes em poucos alimentos, entre eles peixes gordurosos, como salmão e sardinha, e em alguns óleos de fígado de peixe. Gema de ovo e fígado contêm quantidades menores, enquanto leite, bebidas vegetais e cereais podem receber adição industrial desse nutriente. A pele também produz vitamina D quando exposta à radiação ultravioleta B da luz solar, mas essa produção varia conforme fatores como estação do ano, latitude, pigmentação da pele, idade e uso de proteção solar. A exposição ao sol não deve ser tratada como garantia individual de níveis adequados.

As vitaminas do complexo B aparecem em grupos alimentares diferentes. Cereais integrais, leguminosas, carnes, ovos, leite, verduras e sementes fornecem combinações variadas de tiamina, riboflavina, niacina, ácido pantotênico, B6, biotina e folato. A vitamina B12 merece atenção especial porque suas fontes naturais são principalmente alimentos de origem animal, como carnes, peixes, ovos e laticínios; pessoas que seguem alimentação estritamente vegetal precisam obter essa vitamina por alimentos fortificados ou suplementação orientada. O cozimento, o armazenamento e o processamento podem reduzir a quantidade de algumas vitaminas, especialmente a C e certas vitaminas do complexo B, que são sensíveis ao calor, à água ou à oxidação.

Como as vitaminas são produzidas artificialmente,

A produção industrial de vitaminas tornou possível fabricar compostos destinados a suplementos, medicamentos e alimentos fortificados. Dependendo da substância, a indústria utiliza síntese química, fermentação por microrganismos ou processos biotecnológicos. A vitamina C, por exemplo, pode ser fabricada por processos que combinam etapas químicas e fermentativas; já a vitamina B12 é produzida comercialmente principalmente por fermentação microbiana. Depois da produção, as substâncias passam por etapas de purificação e controle de qualidade para verificar identidade, concentração e possíveis contaminantes.

A vitamina D também pode ser obtida industrialmente. O colecalciferol (D3) é produzido por processos que envolvem a transformação fotoquímica de precursores, enquanto o ergocalciferol (D2) pode ser obtido pela irradiação ultravioleta de ergosterol, composto presente em fungos e leveduras. Algumas vitaminas são adicionadas a alimentos para reduzir deficiências nutricionais na população. No Brasil, por exemplo, a legislação prevê a fortificação de farinhas de trigo e de milho com ferro e ácido fólico; essa medida utiliza uma forma de vitamina B9 para ajudar a prevenir problemas associados à deficiência de folato.

A produção artificial não significa necessariamente que uma vitamina seja inferior à encontrada nos alimentos. Quando a molécula produzida é quimicamente idêntica à forma natural, ela pode exercer a mesma função biológica, embora existam diferenças entre formas específicas de algumas vitaminas. O ácido fólico, por exemplo, é a forma sintética usada em suplementos e na fortificação de alimentos, enquanto o folato designa as formas encontradas naturalmente nos alimentos. A escolha da forma, a dose e a estabilidade do composto dependem de sua aplicação e das necessidades nutricionais.

Apesar de sua importância, suplementos vitamínicos não são necessários para todas as pessoas. Uma alimentação variada pode fornecer a maior parte dos nutrientes de que o organismo precisa, enquanto a suplementação pode ser indicada em situações como deficiência confirmada, determinadas fases da vida, restrições alimentares ou condições que dificultem a absorção. Doses excessivas de algumas vitaminas podem causar efeitos adversos, sobretudo as lipossolúveis A, D, E e K, que apresentam características diferentes das vitaminas hidrossolúveis. Para consultar informações detalhadas sobre formas químicas, funções e fontes alimentares, o Office of Dietary Supplements, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, reúne fichas técnicas sobre vitaminas e minerais.

Uma particularidade histórica está no fato de que as letras usadas para nomear as vitaminas não formam uma sequência completa. A vitamina B, inicialmente considerada uma única substância, revelou-se um conjunto de compostos diferentes, o que levou à identificação de B1, B2 e outras vitaminas do complexo. Algumas designações antigas, como B4 e B8, deixaram de ser reconhecidas como vitaminas essenciais distintas, enquanto a vitamina F passou a ser associada a ácidos graxos essenciais, e não a uma vitamina propriamente dita. Por isso, a nomenclatura das vitaminas preserva vestígios das descobertas científicas e das revisões que transformaram a nutrição em uma área moderna da medicina.

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