Roberto Santos: biografia e legado

Médico e professor, Roberto Santos governou a Bahia entre 1975 e 1979 depois de liderar a reforma da Universidade Federal da Bahia e antes de assumir o Ministério da Saúde no governo José Sarney

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Roberto Figueira Santos foi médico, professor universitário e político baiano. Governou a Bahia entre 1975 e 1979, durante o regime militar (1964-1985), após ser escolhido em um processo de eleição indireta. Filiado à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação do governo militar, tornou-se uma das principais figuras políticas da Bahia na segunda metade do século XX.

Nascido em Salvador, em 1926, Roberto Santos era filho do médico e professor Edgard Rêgo dos Santos (1898-1983), reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) entre 1946 e 1961. Formado em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1949, construiu uma carreira que passou pela universidade, pela administração pública e pela política.

Ao longo de mais de cinco décadas de atividade profissional, Roberto Santos foi reitor da UFBA, governador da Bahia, deputado federal e ministro da Saúde. Também presidiu o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Morreu em Salvador, em fevereiro de 2021, aos 94 anos.

A formação médica e a carreira na UFBA

Antes de ingressar na política, Roberto Santos consolidou sua trajetória acadêmica na UFBA, onde atuou como professor da área médica. Sua carreira universitária foi diretamente influenciada pelo ambiente criado por seu pai, Edgard Rêgo dos Santos, um dos nomes ligados à federalização das escolas superiores de Salvador.

As antigas escolas isoladas foram reunidas na Universidade da Bahia, criada em 1946, posteriormente transformada em Universidade Federal da Bahia, em 1950. Nesse contexto, Roberto Santos acompanhou de perto a expansão do ensino superior e da pesquisa científica no estado.

A formação médica e acadêmica diferenciou seu perfil de outras lideranças políticas baianas daquele período. Em vez de uma trajetória exclusivamente ligada ao direito ou à administração pública, Santos chegou à política depois de construir uma carreira na universidade e na área científica.

A reitoria da Universidade Federal da Bahia

Roberto Santos foi reitor da UFBA entre 1967 e 1971. Sua gestão ocorreu durante um dos períodos mais repressivos do regime militar, especialmente após a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968.

O AI-5 suspendeu garantias constitucionais e ampliou os poderes do governo militar. Universidades brasileiras passaram a sofrer maior pressão política, com perseguições a professores, estudantes e pesquisadores.

Na UFBA, porém, o período também foi marcado pelo fortalecimento da pesquisa científica. Em entrevista à revista Pesquisa FAPESP, Roberto Santos afirmou que a pesquisa nas universidades baianas passou a existir formalmente a partir de 1967.

A experiência administrativa na reitoria ajudou a consolidar seu perfil de gestor. Anos depois, essa característica seria levada para o governo da Bahia e, posteriormente, para funções relacionadas à saúde e à ciência em âmbito nacional.

A influência de Edgard Rêgo dos Santos

A trajetória de Roberto Santos esteve ligada à atuação de seu pai, Edgard Rêgo dos Santos. Médico e professor, ele participou do processo de federalização das escolas superiores de Salvador e da criação da Universidade da Bahia.

Durante sua gestão na universidade, foram incorporados cursos pioneiros de dança, música e teatro. Também foram criados projetos importantes para a expansão da estrutura acadêmica, como o Hospital Universitário e o Centro de Estudos Afro-Orientais, fundado em 1959.

Esse ambiente familiar e institucional aproximou Roberto Santos, desde cedo, das discussões sobre educação, ciência e administração universitária. Décadas depois, esses temas se tornariam parte central de sua própria atuação profissional.

O governo da Bahia entre 1975 e 1979

Roberto Santos assumiu o governo da Bahia em 1975, sucedendo Antônio Carlos Magalhães. Permaneceu no cargo até 1979, quando Magalhães voltou ao governo estadual.

A escolha de Santos ocorreu dentro da estrutura política vinculada ao regime militar. Apesar de integrar a mesma base política, ele apresentava um estilo diferente do de Antônio Carlos Magalhães, marcado por uma atuação mais técnica e institucional.

A disputa entre diferentes grupos da Arena refletia as tensões internas da política baiana durante o regime militar. Roberto Santos chegou a ser descrito por analistas como uma figura que caminhava na contramão da corrente política dominante no estado, embora permanecesse ligado à estrutura governista.

Durante o mandato, manteve o perfil administrativo construído na universidade. Sua atuação foi marcada pela valorização de questões técnicas e institucionais, característica que também apareceria em suas funções posteriores no campo da ciência e da saúde.

A documentação sobre seu governo estadual, contudo, é menos detalhada do que os registros relacionados à sua carreira acadêmica e à atuação posterior no governo federal. Por isso, a avaliação de sua administração precisa considerar principalmente sua trajetória institucional e política.

O Ministério da Saúde e a atuação nacional

Depois de deixar o governo da Bahia, Roberto Santos presidiu o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entre 1985 e 1986. A nomeação ocorreu no período de redemocratização iniciado com o fim do regime militar.

Em seguida, assumiu o Ministério da Saúde, entre 1986 e 1987, durante o governo de José Sarney. Foi uma passagem pela administração federal coerente com sua formação médica e com a experiência acumulada na gestão universitária e científica.

Em 1996, Roberto Santos foi eleito deputado federal pela Bahia. Exerceu o mandato na Câmara dos Deputados até 1999, encerrando sua trajetória nos cargos eletivos.

Depois disso, permaneceu ligado a instituições científicas e acadêmicas. Tornou-se presidente de honra da Academia de Ciências da Bahia e integrou o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.

Reconhecimento e últimos anos

Em junho de 2012, Roberto Santos recebeu a Comenda Dois de Julho, concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia. A homenagem reuniu autoridades políticas e acadêmicas, entre elas os ex-governadores Waldir Pires e Paulo Souto.

O reconhecimento à sua trajetória continuou após sua morte. Em 2026, ano em que completaria 100 anos, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) instituiu a Comenda Roberto Santos. A distinção foi criada para homenagear pesquisadores e gestores ligados ao desenvolvimento científico e tecnológico da Bahia.

Roberto Santos morreu em Salvador, em fevereiro de 2021, aos 94 anos. A Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública lamentou sua morte e destacou sua atuação institucional, além de seu interesse pela música clássica.

Casado com Maria Amélia por mais de quatro décadas, Roberto Santos teve seis filhos. Sua trajetória reuniu medicina, ensino universitário, administração pública, política e ciência.

A combinação dessas áreas tornou sua carreira incomum entre os governadores brasileiros da segunda metade do século XX. Antes e depois do governo da Bahia, Santos manteve vínculos com universidades, instituições científicas e órgãos públicos, construindo uma trajetória que ultrapassou os limites da política eleitoral.

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