Floriano Peixoto (1891-1894) – 2º Presidente

Segundo presidente do Brasil, Floriano Peixoto governou de 1891 a 1894 e enfrentou conflitos que ameaçaram a continuidade da República. Sua atuação centralizadora contribuiu para consolidar o novo regime, mas também provocou controvérsias sobre o uso da força e os limites do poder presidencial

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Floriano Peixoto foi o segundo presidente do Brasil e uma das figuras mais marcantes dos primeiros anos da República. Marechal do Exército, assumiu o poder em 23 de novembro de 1891, após a renúncia de Deodoro da Fonseca, e permaneceu no cargo até 15 de novembro de 1894. Seu governo foi marcado por revoltas militares, conflitos políticos e medidas destinadas a fortalecer o novo regime.

Conhecido como Marechal de Ferro, Floriano ganhou notoriedade pela firmeza com que reprimiu seus adversários. Durante sua presidência, enfrentou a Revolução Federalista, no Sul do país, e a Revolta da Armada, liderada por setores da Marinha. A resposta enérgica aos movimentos consolidou sua imagem de governante autoritário, mas também contribuiu para preservar a continuidade institucional da República.

Sua chegada à Presidência ocorreu em um momento de instabilidade. Proclamada em 1889, a República ainda não havia estabelecido plenamente suas instituições, e a disputa entre diferentes grupos militares e civis ameaçava a organização política do país. Floriano procurou afirmar a autoridade federal, embora sua permanência no cargo e suas decisões tenham provocado debates sobre a interpretação da Constituição de 1891.

A formação militar e a ascensão na República

Floriano Vieira Peixoto nasceu em 30 de abril de 1839, em Ipioca, então pertencente à província de Alagoas. De origem familiar modesta, mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde estudou e iniciou sua formação militar. Ingressou no Exército em 1857 e construiu uma carreira que o levaria a ocupar posições importantes na estrutura militar do Império.

Sua trajetória foi marcada pela Guerra do Paraguai (1864–1870), conflito no qual participou de operações militares relevantes. A experiência fortaleceu sua reputação profissional e contribuiu para sua ascensão na hierarquia do Exército. Como outros oficiais de sua geração, Floriano acompanhou as transformações políticas que ampliaram a participação dos militares nos debates sobre o futuro do país.

Em 1884, foi nomeado presidente da província de Mato Grosso, função que exerceu até 1885. Nos anos seguintes, aproximou-se dos setores militares favoráveis à mudança do regime. Em 1889, quando a monarquia enfrentava uma crise política, Floriano ocupava posição de destaque no Exército e participou dos acontecimentos que culminaram na Proclamação da República, em 15 de novembro.

Com o novo regime, sua influência cresceu. Em 1890, assumiu o Ministério da Guerra no governo provisório de Deodoro da Fonseca. No ano seguinte, foi eleito vice-presidente da República pelo Congresso Constituinte. A eleição ocorreu separadamente da escolha presidencial: Deodoro recebeu a maioria dos votos para presidente, enquanto Floriano foi escolhido para a Vice-Presidência.

A Presidência e a consolidação do regime republicano

A renúncia de Deodoro da Fonseca, em 23 de novembro de 1891, levou Floriano Peixoto à Presidência. A Constituição de 1891 estabelecia, em seu artigo 42, que, se a Presidência ficasse vaga antes de transcorridos dois anos do período presidencial, deveria ser realizada nova eleição. Como a saída de Deodoro aconteceu poucos meses após o início do governo constitucional, surgiu uma controvérsia sobre a necessidade de convocar eleições.

Floriano sustentou sua permanência no cargo, apoiado na interpretação de que a regra não se aplicava àquela situação. Seus opositores contestaram essa posição e defenderam a realização de uma nova eleição. O conflito revelou a fragilidade das instituições republicanas e contribuiu para aprofundar as divisões políticas e militares.

O novo presidente também precisou enfrentar os efeitos da crise econômica associada ao Encilhamento, período de especulação financeira e expansão desordenada do crédito iniciado durante o governo de Deodoro. A inflação, as dificuldades econômicas e a instabilidade política aumentavam a pressão sobre a administração federal.

Floriano adotou medidas para fortalecer o governo central e recuperar a estabilidade. Sua administração interveio em disputas estaduais e procurou limitar a influência de adversários políticos. Algumas decisões tiveram apoio de setores urbanos e militares, que viam nele uma garantia de continuidade republicana, enquanto outros grupos o acusavam de concentrar excessivamente o poder.

A Revolução Federalista e a Revolta da Armada

A Revolução Federalista começou no Rio Grande do Sul em 1893, em meio à disputa entre os republicanos ligados a Júlio de Castilhos e os federalistas associados a Gaspar Silveira Martins. O conflito ultrapassou as fronteiras gaúchas e envolveu outros estados do Sul, provocando combates violentos e ampliando a instabilidade nacional.

Floriano apoiou o governo estadual de Júlio de Castilhos e mobilizou forças federais contra os federalistas. A repressão foi marcada por episódios de violência e execuções, que contribuíram para a reputação de dureza do presidente. A revolução só seria encerrada em 1895, depois do fim do mandato de Floriano.

Em setembro de 1893, o governo enfrentou outra ameaça: a Revolta da Armada. Oficiais da Marinha, entre eles Custódio de Melo e, posteriormente, Luís Filipe de Saldanha da Gama, rebelaram-se contra o governo federal. Os revoltosos questionavam a legitimidade da permanência de Floriano na Presidência e exigiam mudanças políticas.

O conflito envolveu bombardeios e confrontos na região da então capital federal, o Rio de Janeiro. Floriano resistiu à pressão dos revoltosos e organizou a defesa do governo com apoio de setores do Exército e de forças leais à República. A derrota do movimento fortaleceu sua posição, mas a repressão e o uso de medidas excepcionais também alimentaram críticas ao caráter autoritário de sua administração.

Durante as crises, o presidente recorreu ao estado de sítio e a medidas de repressão contra adversários. Prisões, deportações e punições a opositores tornaram-se parte do legado controverso de seu governo. Para seus apoiadores, a firmeza era necessária para impedir o colapso do regime; para seus críticos, as ações de Floriano restringiam liberdades e enfraqueciam garantias constitucionais.

O fim do mandato e o legado de Floriano Peixoto

Floriano Peixoto deixou a Presidência em 15 de novembro de 1894, quando transmitiu o cargo a Prudente de Morais, primeiro presidente civil do Brasil. A mudança representou uma etapa importante na transição do poder militar para uma liderança civil, embora as disputas políticas e os conflitos regionais continuassem a marcar os primeiros anos republicanos.

Depois de deixar o governo, Floriano afastou-se da vida política. Morreu em 29 de junho de 1895, na cidade de Barra Mansa, no estado do Rio de Janeiro. Sua morte, pouco depois do encerramento do mandato, ocorreu quando o país ainda enfrentava as consequências das revoltas que haviam marcado sua administração.

O legado de Floriano permanece associado à consolidação inicial da República e às contradições do novo regime. Sua atuação ajudou a derrotar movimentos que ameaçavam o governo federal, mas também evidenciou como a defesa das instituições podia ser acompanhada por práticas repressivas. A interpretação de seu papel varia conforme o peso atribuído à estabilidade política e às liberdades individuais.

Uma curiosidade sobre Floriano Peixoto é que seu nome foi dado a uma cidade do Piauí. Localizado às margens do rio Parnaíba, o município de Floriano recebeu essa denominação em homenagem ao presidente, embora ele tenha nascido em Alagoas e vivido a maior parte de sua trajetória militar e política em outras regiões. A homenagem demonstra como sua influência ultrapassou o período em que ocupou a Presidência e permaneceu presente na memória pública brasileira.

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