Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu em 13 de agosto de 1926, na fazenda Manacas, próxima ao povoado de Birán, na então província de Oriente, no leste de Cuba. Era filho de Ángel Castro y Argiz, imigrante galego que enriqueceu como proprietário de terras e produtor de cana-de-açúcar, e de Lina Ruz González, empregada da fazenda que depois se tornou sua segunda esposa. Fidel cresceu entre a zona rural de Birán e colégios jesuítas em Santiago de Cuba e Havana, onde recebeu formação católica tradicional. Em 1945, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Havana, ambiente marcado por intensa agitação política estudantil.
Na universidade, Fidel Castro aproximou-se de grupos nacionalistas e antiimperialistas e participou de episódios de violência política comuns na Havana daquele período. Formou-se advogado em 1950 e começou a atuar politicamente pelo Partido Ortodoxo, que defendia o combate à corrupção e a restauração plena da Constituição cubana de 1940. Esse projeto foi interrompido em 10 de março de 1952, quando o general Fulgencio Batista, ex-presidente eleito nos anos 1940, liderou um golpe militar que cancelou as eleições previstas e instaurou uma ditadura apoiada pelas Forças Armadas.
Diante do golpe, Castro passou a organizar um grupo clandestino para depor Batista pela força. Em 26 de julho de 1953, liderou um ataque ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, e a um quartel menor em Bayamo, com cerca de 160 homens. A ação fracassou militarmente: dezenas de participantes foram mortos, muitos após a rendição, e Castro foi capturado, julgado e condenado a quinze anos de prisão. Durante o julgamento, pronunciou o discurso de autodefesa conhecido como “A História me Absolverá“, que depois circulou como manifesto político do movimento que levaria seu nome, o Movimento 26 de Julho.
A formação do movimento revolucionário no exílio mexicano
Castro cumpriu menos de dois anos de prisão: em maio de 1955, Batista concedeu anistia geral sob pressão da opinião pública cubana, e Fidel seguiu para o exílio no México ainda naquele ano. Na Cidade do México reorganizou o Movimento 26 de Julho e recrutou combatentes para uma nova expedição armada contra o governo de Batista. Foi nesse período que conheceu Ernesto “Che” Guevara, médico argentino de formação marxista que se tornaria um dos principais comandantes da guerrilha e símbolo internacional da revolução. Também se juntou ao grupo Raúl Castro, irmão mais novo de Fidel, que mais tarde o sucederia na presidência de Cuba.
Em 25 de novembro de 1956, 82 combatentes partiram do porto mexicano de Tuxpan a bordo do iate Granma, embarcação projetada para poucas dezenas de pessoas, rumo à costa cubana. O desembarque ocorreu em 2 de dezembro de 1956, na região pantanosa de Los Cayuelos, próxima a Playa Las Coloradas, no sudeste de Cuba. Dias depois, o grupo foi surpreendido pelo Exército de Batista em Alegría de Pío, e a maior parte dos guerrilheiros morreu ou foi capturada. Menos de vinte sobreviventes, entre eles Fidel, Raúl e Che, conseguiram refugiar-se nas montanhas da Sierra Maestra.
Na Sierra Maestra, cordilheira que ocupa boa parte do sul de Oriente, o grupo remanescente reconstituiu o Exército Rebelde e passou a travar uma guerra de guerrilhas contra as forças governamentais entre 1957 e 1958. Camponeses da região forneceram apoio logístico e novos recrutas, enquanto células urbanas do Movimento 26 de Julho, lideradas por figuras como Frank País, sustentavam sabotagens e arrecadação de recursos nas cidades. A vitória rebelde na Batalha de Santa Clara, comandada por Che Guevara no final de dezembro de 1958, cortou a principal linha ferroviária entre Havana e o interior da ilha e precipitou o colapso do governo de Batista.
Da tomada do poder à consolidação do regime socialista em Cuba
Fulgencio Batista deixou Cuba na madrugada de 1º de janeiro de 1959, refugiando-se na República Dominicana e depois em Portugal, onde viveria até sua morte em 1973. Fidel Castro entrou triunfalmente em Havana em 8 de janeiro de 1959, após uma marcha que atravessou a ilha a partir de Santiago de Cuba. Nos meses seguintes, assumiu o cargo de primeiro-ministro, enquanto Manuel Urrutia ocupava formalmente a presidência, cargo do qual seria afastado em julho de 1959 após divergências com o novo governo. O Instituto Nacional de Reforma Agrária, criado em maio de 1959, iniciou a expropriação de grandes propriedades rurais, incluindo terras de empresas norte-americanas, medida que deteriorou rapidamente as relações entre Cuba e os Estados Unidos.
Historiadores como Hugh Thomas e Jorge Domínguez documentam que, entre 1959 e 1961, o governo cubano radicalizou-se progressivamente, nacionalizando empresas, restringindo a imprensa independente e aproximando-se da União Soviética. Em abril de 1961, uma força de exilados cubanos apoiada pela CIA tentou invadir a ilha pela Baía dos Porcos, na costa sul, e foi derrotada em menos de três dias pelas milícias cubanas. Poucos dias antes da invasão, Fidel Castro declarou publicamente o caráter socialista da revolução, e em dezembro daquele ano definiu-se como marxista-leninista, alinhando Cuba definitivamente ao bloco soviético durante a Guerra Fria.
A crise dos mísseis e o alinhamento com a União Soviética
Em outubro de 1962, a descoberta de mísseis nucleares soviéticos instalados em território cubano provocou a Crise dos Mísseis de Cuba, confronto direto entre as administrações de John Kennedy e Nikita Khrushchov que levou o mundo à beira de uma guerra nuclear. O acordo final, negociado sem consulta prévia a Havana, previu a retirada dos mísseis soviéticos em troca do compromisso norte-americano de não invadir Cuba e da remoção posterior de mísseis dos Estados Unidos instalados na Turquia. O episódio consolidou Cuba como aliado estratégico soviético no continente americano, mas também gerou ressentimento de Fidel Castro por ter sido excluído das negociações que definiram o desfecho da crise em seu próprio território. A partir dali, o governo cubano aprofundou a estatização da economia e institucionalizou o Partido Comunista de Cuba como força política única do país.
O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a partir de 1960, ampliado por leis posteriores como a Lei Helms-Burton de 1996, tornou-se um dos fatores mais debatidos pelos historiadores ao analisar os efeitos econômicos de longo prazo do regime cubano. Pesquisadores divergem sobre o peso relativo entre o embargo externo e as políticas econômicas internas centralizadas na explicação das dificuldades materiais enfrentadas pela população cubana nas décadas seguintes. Fidel Castro governou Cuba ininterruptamente como primeiro-ministro e depois como presidente do Conselho de Estado até 2006, quando problemas de saúde o levaram a transferir provisoriamente o poder a Raúl Castro, transferência que se tornou definitiva em 2008. Ele morreu em 25 de novembro de 2016, em Havana, aos 90 anos, encerrando quase cinco décadas à frente do governo cubano.
Uma curiosidade histórica pouco lembrada é que Fidel Castro chegou a ser cotado, ainda jovem, como possível jogador de beisebol profissional nos Estados Unidos, esporte popular em Cuba desde o século XIX; historiadores como Robert Quirk consideram essa história em boa parte lendária, sem registro de que algum time da liga norte-americana tenha efetivamente lhe oferecido contrato, mas o episódio ilustra como o mito pessoal de Fidel Castro se formou ainda antes de sua entrada na política cubana.