Estêvão I (254-257) – 23º Papa

Sua eleição ocorreu ainda naquele mesmo ano, em um período de relativa trégua na perseguição aos cristãos

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Estêvão I foi bispo de Roma entre 254 e 257, sucedendo Lúcio I após sua morte prematura em março de 254. Sua eleição ocorreu ainda naquele mesmo ano, em um período de relativa trégua na perseguição aos cristãos, o que permitiu ao novo papa concentrar-se em disputas internas da Igreja, especialmente sobre a validade do batismo realizado por hereges.

O episódio mais relevante do papado de Estêvão I foi o conflito com Cipriano de Cartago, bispo do norte da África, sobre o chamado batismo herético. Cipriano defendia que cristãos batizados por hereges ou cismáticos precisavam ser rebatizados ao ingressar na Igreja Católica, enquanto Estêvão sustentava que o batismo já realizado, mesmo fora da ortodoxia, deveria ser reconhecido como válido, desde que feito em nome da Trindade.

Estêvão I e a controvérsia do batismo herético

A disputa entre Estêvão I e Cipriano de Cartago tornou-se um dos debates teológicos mais documentados do cristianismo do século III, preservado por meio de cartas trocadas entre as duas lideranças e registradas posteriormente por Eusébio de Cesareia em sua “História Eclesiástica”. Estêvão chegou a ameaçar romper comunhão com as igrejas do norte da África e da Ásia Menor que insistissem na prática do rebatismo, posição que gerou tensão significativa entre diferentes centros episcopais do período.

Historiadores da Igreja antiga, entre eles Henry Chadwick, consideram esse episódio um marco inicial nas discussões sobre a autoridade do bispo de Roma perante outras sés episcopais, ainda que a controvérsia não tenha sido resolvida definitivamente durante o papado de Estêvão I. A questão do batismo herético só encontraria formulação mais estável décadas depois, em concílios posteriores da Igreja.

A morte de Estêvão I e as versões sobre seu martírio

Estêvão I morreu em 2 de agosto de 257, durante a perseguição movida pelo imperador Valeriano, que havia retomado medidas contra os cristãos naquele ano, exigindo participação em cultos oficiais romanos e proibindo reuniões cristãs em cemitérios. A tradição posterior, registrada no Liber Pontificalis, afirma que Estêvão foi decapitado dentro da própria cadeira episcopal, durante uma celebração na catacumba de Santa Lucila, na Via Ápia.

Historiadores contemporâneos tratam essa versão dramática como tradição hagiográfica tardia, e não como fato estabelecido pelas fontes mais próximas do século III, já que nenhuma carta contemporânea de Cipriano de Cartago detalha as circunstâncias exatas da morte de Estêvão. O que se considera historicamente sustentado é que sua morte ocorreu durante a perseguição de Valeriano, dentro do contexto mais amplo de repressão imperial aos cristãos daquele ano.

O papado de Estêvão I permanece como referência sobre os primeiros debates envolvendo a autoridade do bispo de Roma diante de outras igrejas cristãs e sobre a controvérsia teológica do batismo herético, discussão que influenciaria concílios posteriores. Sua morte durante a perseguição de Valeriano consolidou sua veneração como mártir, celebrado até hoje em 2 de agosto pela tradição da Igreja Católica.

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