Lúcio I (253-254) – 22º Papa

Lúcio I morreu em 5 de março de 254, menos de um ano após retornar do exílio, em um papado que durou pouco mais de oito meses ao todo

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Lúcio I foi bispo de Roma entre 253 e 254, sucedendo Cornélio pouco depois do exílio e morte de seu antecessor sob a perseguição do imperador Treboniano Galo. Sua eleição ocorreu em junho de 253, em um contexto de instabilidade política e religiosa no Império Romano, marcado por surtos de peste e retomada intermitente da repressão aos cristãos.

Assim como Cornélio, Lúcio I foi exilado logo após assumir o papado, provavelmente ainda em 253, por ordem das autoridades imperiais romanas. As fontes mais próximas do período, entre elas as cartas de Cipriano de Cartago, bispo do norte da África e principal cronista da Igreja nesse século, confirmam o exílio, embora não especifiquem com precisão o local para onde Lúcio foi enviado.

Lúcio I e o retorno a Roma após o exílio

O exílio de Lúcio I durou pouco tempo. Segundo Cipriano de Cartago, o papa retornou a Roma ainda em 253, após mudança na conjuntura política que permitiu certa trégua na perseguição aos cristãos, possivelmente ligada à instabilidade do próprio governo de Treboniano Galo, deposto e morto em 253 durante uma revolta militar liderada por Emiliano.

De volta à cidade, Lúcio I retomou a posição adotada por Cornélio na disputa com Novaciano, presbítero que havia se proclamado papa rival por discordar do perdão concedido aos lapsi, cristãos que haviam renegado a fé sob pressão da perseguição de Décio. Cipriano elogiou publicamente a coragem de Lúcio em manter essa linha de reconciliação mesmo após o exílio, tratando-a como continuidade direta da política de seu antecessor.

A morte de Lúcio I e a disputa sobre suas causas

Lúcio I morreu em 5 de março de 254, menos de um ano após retornar do exílio, em um papado que durou pouco mais de oito meses ao todo. A tradição posterior, registrada no Liber Pontificalis, compilação biográfica dos papas produzida séculos depois, atribui a Lúcio I a condição de mártir, associando sua morte diretamente à perseguição imperial.

Historiadores contemporâneos, contudo, tratam essa versão como hipótese hagiográfica e não como fato estabelecido, já que Cipriano de Cartago, fonte mais próxima dos eventos, não menciona execução ou martírio direto, apenas o exílio e o retorno de Lúcio antes de sua morte. Seu corpo foi sepultado na Catacumba de São Calisto, na Via Ápia, em Roma, no mesmo setor reservado a outros papas do século III, entre eles Cornélio e Fabiano.

O papado de Lúcio I permanece como referência sobre a continuidade da política de reconciliação com os lapsi diante da crise gerada pelo cisma novaciano. Sua breve gestão, marcada pelo exílio e pelo retorno rápido a Roma, é lembrada pelos historiadores do cristianismo primitivo como exemplo da instabilidade enfrentada pelos bispos romanos em meio às perseguições do século III.

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