União Soviética: formação, líderes, poder e queda

União Soviética: como surgiu em 1922, seus líderes, o poder militar e tecnológico, a economia e os motivos do colapso em 1991

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A imagem mostra uma tropa soviética a levantar uma bandeira soviética sobre o Palácio do Reichstag - Colorização gerada por IA | HiperHistória

A União Soviética foi fundada em 30 de dezembro de 1922, resultado da unificação da Rússia Socialista Federativa Soviética com as repúblicas da Ucrânia, Bielorrússia e Transcaucásia, sob o Tratado de Criação da URSS. O país foi governado por sete líderes principais entre Vladimir Lênin e Mikhail Gorbachev, manteve o segundo maior arsenal militar e nuclear do planeta durante a Guerra Fria e liderou avanços tecnológicos decisivos, como o lançamento do satélite Sputnik em 1957. Sua economia, baseada em planejamento centralizado estatal, entrou em estagnação crônica nos anos 1970 e 1980, condição que, somada a reformas malsucedidas e a movimentos nacionalistas nas repúblicas, levou à dissolução formal em 26 de dezembro de 1991.

A origem da União Soviética remonta à Revolução Russa de outubro de 1917, quando o Partido Bolchevique, liderado por Lênin, derrubou o governo provisório que havia substituído o czar Nicolau II meses antes. Seguiu-se uma guerra civil entre 1918 e 1921, que opôs o Exército Vermelho bolchevique às forças contrarrevolucionárias conhecidas como Exército Branco, apoiadas por potências estrangeiras como Reino Unido, França e Estados Unidos. A vitória bolchevique consolidou o controle territorial que permitiu, em 1922, a criação formal da URSS como federação de repúblicas socialistas.

O primeiro líder soviético, Vladimir Lênin, governou até sua morte em 21 de janeiro de 1924, período em que implantou a Nova Política Econômica, um sistema que permitia elementos de mercado para reconstruir a economia devastada pela guerra civil. Sucedeu-o Josef Stalin, que consolidou poder absoluto ao longo dos anos 1920 e governou até sua morte em 5 de março de 1953, promovendo a industrialização forçada, a coletivização agrícola e um sistema de repressão política que resultou em milhões de mortes, segundo estimativas de historiadores como Timothy Snyder.

Os líderes que sucederam Stalin e as mudanças de rumo político

Nikita Khrushchev assumiu a liderança soviética em 1955, após vencer a disputa de poder que se seguiu à morte de Stalin, e promoveu a chamada desestalinização, um processo de crítica pública aos crimes do stalinismo iniciado em discurso ao 20º Congresso do Partido em fevereiro de 1956. Khrushchev foi deposto em outubro de 1964 por uma articulação interna do Partido Comunista, dando lugar a Leonid Brezhnev, cujo governo, entre 1964 e 1982, ficou marcado por estabilidade política e estagnação econômica crescente, período que historiadores chamam de “Era do Estancamento”.

Após as breves gestões de Yuri Andropov e Konstantin Chernenko entre 1982 e 1985, Mikhail Gorbachev tornou-se secretário-geral do partido em 11 de março de 1985 e implementou duas reformas centrais: a glasnost, que ampliou a liberdade de imprensa e expressão política, e a perestroika, que introduziu mecanismos de mercado na economia estatal. Gorbachev permaneceu no poder até a dissolução da URSS, tornando-se o último líder do Estado soviético e recebendo o Prêmio Nobel da Paz em 1990 por seu papel no fim da Guerra Fria.

O poder militar, tecnológico e econômico da União Soviética

Durante a Guerra Fria, iniciada logo após o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a União Soviética manteve o maior exército permanente do mundo e testou sua primeira bomba atômica em 29 de agosto de 1949, quebrando o monopólio nuclear dos Estados Unidos. O país liderou a corrida espacial em seus primeiros anos, lançando o satélite Sputnik 1 em 4 de outubro de 1957 e enviando Yuri Gagarin ao espaço em 12 de abril de 1961, marco reconhecido como o primeiro voo espacial tripulado da história. Essa capacidade tecnológica esteve concentrada principalmente em setores militares e aeroespaciais, enquanto a produção de bens de consumo permaneceu cronicamente escassa e de baixa qualidade.

A economia soviética funcionava sob planejamento central, com metas de produção definidas por órgãos estatais como o Gosplan, sem mecanismos de mercado ou propriedade privada de meios de produção em larga escala. Esse modelo permitiu industrialização acelerada nas décadas de 1930 e 1940, mas gerou ineficiências estruturais que se tornaram evidentes nos anos 1970, quando o crescimento da produtividade despencou e a dependência de exportações de petróleo e gás aumentou. O economista húngaro János Kornai descreveu esse tipo de sistema como uma “economia de escassez”, caracterizada por filas, racionamento informal e baixa qualidade dos produtos disponíveis à população.

As causas econômicas e políticas do colapso

A queda dos preços internacionais do petróleo em meados dos anos 1980 retirou da URSS uma fonte essencial de receita em moeda estrangeira, agravando um déficit orçamentário já crônico. As reformas da perestroika, ao afrouxar o controle central sem criar mecanismos de mercado funcionais, geraram desabastecimento generalizado e inflação crescente entre 1989 e 1991, fenômeno documentado por historiadores como Stephen Kotkin. Paralelamente, a glasnost permitiu que movimentos nacionalistas nas repúblicas bálticas, no Cáucaso e na Ucrânia expressassem publicamente demandas de autonomia ou independência, algo impensável sob censura estrita.

Em agosto de 1991, um grupo de líderes conservadores do Partido Comunista tentou um golpe de Estado para deter as reformas de Gorbachev e restaurar o controle central, mas a resistência popular liderada por Boris Yeltsin, então presidente da Rússia, derrubou a tentativa em três dias. O fracasso do golpe acelerou a desintegração do poder central soviético e fortaleceu os movimentos independentistas nas repúblicas, que passaram a declarar soberania uma após outra ao longo do segundo semestre de 1991.

Como ocorreu a separação final das repúblicas soviéticas?

A dissolução formal da União Soviética ocorreu em 26 de dezembro de 1991, quando o Soviete Supremo reconheceu a extinção do país, um dia após Gorbachev renunciar ao cargo de presidente em discurso transmitido pela televisão nacional. O processo havia sido selado em 8 de dezembro de 1991, quando os líderes da Rússia, Ucrânia e Bielorrússia assinaram o Acordo de Belavezha, declarando o fim da URSS e criando a Comunidade dos Estados Independentes como estrutura de cooperação entre as antigas repúblicas. Ao todo, quinze novas nações soberanas emergiram da fragmentação, entre elas Rússia, Ucrânia, Cazaquistão, Bielorrússia e as três repúblicas bálticas, que já haviam restaurado sua independência meses antes.

Uma curiosidade histórica pouco lembrada é que a bandeira soviética, hasteada sobre o Kremlin desde 1924, foi arriada pela última vez às 19h32 de 25 de dezembro de 1991, poucos minutos após o discurso de renúncia de Gorbachev, sendo substituída pela bandeira tricolor da Federação Russa em uma cerimônia sem grande alarde, registrada apenas por poucas câmeras de televisão presentes no local.

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