Os próximos anos reservam uma sequência de fenômenos astronômicos observáveis da Terra, incluindo eclipses solares e lunares, chuvas de meteoros, passagens de cometas e outros eventos envolvendo o Sol, a Lua e os planetas. Entre 2027 e 2030, haverá eclipses totais e anulares especialmente interessantes para diferentes regiões do planeta. A visibilidade, porém, dependerá da localização do observador, do horário e das condições atmosféricas.
Entre os acontecimentos mais aguardados estão o eclipse solar anular de 6 de fevereiro de 2027, o eclipse solar total de 2 de agosto do mesmo ano e dois eclipses solares em 2028. Em 2029, quatro eclipses solares ocorrerão, embora todos sejam parciais, enquanto 2030 terá novamente um eclipse anular e outro total. O período também incluirá vários eclipses lunares, alguns deles visíveis em grandes áreas do mundo.
As chuvas de meteoros também garantirão eventos recorrentes, principalmente durante as noites de maior atividade das Perseidas, Geminidas, Orionidas, Eta Aquáridas e outras. Diferentemente dos meteoritos que atingem o solo, os meteoros desses espetáculos são produzidos quando partículas deixadas por cometas ou asteroides entram na atmosfera terrestre e se aquecem. A quantidade observada varia conforme a atividade da chuva, a luminosidade da Lua e a qualidade do céu.
Eclipses que marcarão o céu até 2030
O primeiro grande destaque será o eclipse solar anular de 6 de fevereiro de 2027. O fenômeno poderá ser observado como anular em partes do Chile, da Argentina e sobre o Atlântico, enquanto regiões mais amplas da América do Sul e da África terão um eclipse parcial. Durante um eclipse anular, a Lua passa diante do Sol sem cobrir completamente seu disco aparente, deixando um anel luminoso ao redor da silhueta lunar.
Em 2 de agosto de 2027 ocorrerá um eclipse solar total, com a faixa de totalidade atravessando áreas do norte da África, sul da Europa e Oriente Médio. Marrocos, Espanha, Argélia, Líbia, Egito, Arábia Saudita e Iêmen estão entre os locais indicados pela NASA para a observação da totalidade. A duração máxima prevista da totalidade será superior a seis minutos, tornando o evento especialmente relevante para observadores e pesquisadores.
O eclipse solar de 2028 poderá ser visto no Brasil
Em 26 de janeiro de 2028 acontecerá outro eclipse solar anular, cuja faixa de anularidade passará por partes da América do Sul, incluindo o Brasil. O mesmo evento também terá visibilidade parcial em uma área muito maior. Em 22 de julho, outro eclipse solar ocorrerá, desta vez total, com a faixa de totalidade passando principalmente pelo Sudeste Asiático, Indonésia, Austrália e Nova Zelândia.
A sequência lunar será igualmente expressiva. Em 2028 haverá eclipses lunares parcial em janeiro e julho e um eclipse lunar total em 31 de dezembro. Em 2029 ocorrerão dois eclipses lunares totais, em 26 de junho e 20 de dezembro, ambos com áreas extensas de visibilidade. Já em 2030 haverá um eclipse lunar parcial em 15 de junho e um penumbral em 9 de dezembro.
Chuvas de meteoros e noites de maior atividade
As chuvas de meteoros estarão entre os fenômenos mais acessíveis para quem observa o céu sem equipamentos. Em 2026, as Geminidas terão seu máximo por volta de 13 e 14 de dezembro e costumam apresentar uma das maiores taxas de meteoros entre as principais chuvas anuais. A American Meteor Society estima uma taxa horária zenital que pode chegar a cerca de 150 meteoros em condições ideais, embora a quantidade efetivamente vista por uma pessoa seja normalmente muito menor.
As Perseidas continuarão sendo outro destaque. Associadas ao cometa 109P/Swift-Tuttle, elas produzem normalmente dezenas de meteoros por hora em condições favoráveis e têm máximo em agosto. Em 2027, o pico ocorrerá por volta de 12 e 13 de agosto, mas a Lua estará bastante iluminada, o que prejudicará a observação dos meteoros mais fracos. Já as Eta Aquáridas, também relacionadas ao cometa Halley, terão condições particularmente favoráveis em 2027, quando o máximo coincidirá com uma Lua nova.
A observação desses fenômenos depende menos de telescópios do que de um céu escuro e livre de obstáculos. As chuvas de meteoros podem ser vistas a olho nu porque os rastros luminosos atravessam uma grande região do céu. A luminosidade da Lua, a poluição luminosa das cidades e a posição do radiante — região de onde os meteoros parecem surgir — determinam quanto do espetáculo poderá ser percebido.
Cometas e outros fenômenos até 2030
Os cometas acrescentam uma variável importante ao calendário astronômico: suas órbitas podem ser calculadas com grande precisão, mas seu brilho futuro é muito mais difícil de prever. A atividade depende da quantidade de gelo e poeira liberada pelo núcleo quando o objeto se aproxima do Sol. Por isso, um cometa inicialmente considerado discreto pode apresentar uma atividade maior ou menor que a esperada.
Em 2026, alguns cometas terão passagens relevantes, entre eles 10P/Tempel, que atingiu o periélio em agosto, e 69P/Taylor, previsto para novembro. Em 2027, o cometa 2P/Encke chegará ao periélio em 10 de fevereiro, enquanto 45P/Honda-Mrkos-Pajdusakova o fará em agosto. Esses retornos, contudo, não significam necessariamente que os objetos serão visíveis a olho nu: distância da Terra, posição no céu e brilho são fatores determinantes.
Em 2028, diversos cometas periódicos retornarão às proximidades do Sol, incluindo 67P/Churyumov-Gerasimenko em abril, 22P/Kopff em julho e 19P/Borrelly em dezembro. Em 2029, estão previstos, entre outros, os periélios de 26P/Grigg-Skjellerup, 81P/Wild e 46P/Wirtanen. A relação demonstra que o céu terá muitos visitantes catalogados, mas também reforça uma cautela importante: não é possível garantir antecipadamente que um determinado cometa será espetacular para observadores terrestres.
Outro aspecto interessante do período será a possibilidade de observar diferentes combinações aparentes entre Lua e planetas, além de conjunções e ocultações que ocorrerão em datas específicas. Esses alinhamentos não significam que os corpos estejam fisicamente próximos no espaço; trata-se de uma aproximação aparente quando observados da Terra. A perspectiva do nosso planeta transforma esses encontros aparentes em fenômenos celestes que podem ser acompanhados mesmo sem instrumentos sofisticados.
Entre os fenômenos astronômicos até 2030, os eclipses solares totais de 2027 e 2030 estarão entre os mais impressionantes, enquanto o eclipse anular de 2028 terá interesse especial para observadores de partes do Brasil. As chuvas de meteoros continuarão oferecendo oportunidades anuais, e os cometas acrescentarão eventos cuja intensidade poderá mudar conforme novas observações forem realizadas. Um detalhe curioso é que os eclipses solares não ocorrem em qualquer Lua nova: o alinhamento precisa acontecer quando a Lua está próxima de um dos dois nós de sua órbita, pontos em que seu caminho cruza o plano orbital da Terra.
