O eclipse solar total de 12 de agosto de 2026 não poderá ser observado de nenhum ponto do território brasileiro, nem mesmo em sua fase parcial. A sombra da Lua projetada pelo fenômeno recairá sobre o Hemisfério Norte, distante da posição geográfica do Brasil. O Observatório Nacional (ON), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), confirma essa ausência para evitar informações equivocadas nas redes sociais. A instituição transmitirá o eclipse ao vivo pelo canal do ON no YouTube, com início às 12 horas no horário de Brasília.
A faixa de totalidade do eclipse cruzará regiões da Rússia, da Groenlândia, da Islândia, de Espanha e de Portugal, países situados no Hemisfério Norte. Nenhum desses territórios integra a zona de visibilidade que alcança o Brasil nesta data. A explicação para essa ausência é geométrica: a posição relativa entre Sol, Lua e Terra determina exatamente qual faixa do planeta recebe a sombra lunar em cada eclipse. Sem estar dentro dessa faixa estreita, um observador não vê o fenômeno, seja na forma total, parcial ou anular.
Eclipses solares totais ou anulares ocorrem na Terra, em média, uma vez por ano, mas cobrem apenas faixas restritas do planeta. Essa restrição geográfica explica por que o fenômeno parece raro, mesmo acontecendo anualmente em algum ponto do globo. O Brasil já sediou eclipses solares totais no passado e voltará a sediar um em 2045, mas em agosto de 2026 fica de fora da rota da sombra lunar. Para compreender por que isso acontece, é necessário entender a geometria que rege esses fenômenos astronômicos.
Por que a geometria do eclipse solar exclui o Brasil da rota de agosto
Um eclipse solar acontece quando a Lua se posiciona exatamente entre o Sol e a Terra, projetando sombra sobre parte da superfície terrestre. A astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, pesquisadora do Observatório Nacional, explica que essa sombra se divide em duas regiões distintas. A umbra é a sombra mais escura, região em que a luz solar fica totalmente bloqueada pela Lua. Ao redor da umbra forma-se a penumbra, área mais clara em que a luz solar é bloqueada apenas parcialmente.
Quem está dentro da estreita faixa atingida pela umbra vê o eclipse como total, com o disco solar completamente encoberto pela Lua. Quem se encontra na área da penumbra observa o fenômeno como parcial, já que apenas uma fração do Sol fica coberta. O eclipse anular segue a mesma geometria, mas ocorre quando o diâmetro aparente da Lua, ou seja, o tamanho da Lua visto da Terra, é menor que o diâmetro aparente do Sol. Nesse caso, o disco lunar não cobre o Sol por completo, e um anel de luz solar permanece visível ao redor da Lua.
Qual é a duração máxima possível de um eclipse solar total
A duração de um eclipse solar total depende da distância entre Terra, Lua e Sol no momento do alinhamento, o que altera o tamanho da sombra projetada e a velocidade de deslocamento dela sobre a superfície terrestre. Segundo a Dra. Josina Oliveira do Nascimento, a maior duração possível para a fase de totalidade de um eclipse solar é de 7 minutos e 30 segundos. Esse limite físico raramente é atingido, e a maioria dos eclipses totais dura poucos minutos na faixa de totalidade. Compreender esse limite ajuda a diferenciar eclipses comuns de eventos excepcionais, como os descritos mais adiante neste texto.
Como observar o eclipse solar com segurança, mesmo sem vê-lo diretamente do Brasil?
Mesmo sem visibilidade no território nacional, o público brasileiro poderá acompanhar o eclipse solar de 12 de agosto por meio da retransmissão ao vivo feita pelo Observatório Nacional. A transmissão acontece pelo canal oficial do ON no YouTube, com início marcado para as 12 horas no horário de Brasília. O formato ao vivo permite acompanhar, em tempo real, as fases do eclipse observadas a partir dos países situados na faixa de totalidade. Essa iniciativa mantém o público brasileiro informado, mesmo diante da impossibilidade de observação direta.
Para quem deseja observar o Sol com segurança em qualquer dia do ano, e não apenas durante eclipses, o Observatório Nacional recomenda o uso do vidro de soldador de tonalidade 14. Esse material é barato e fácil de encontrar em lojas de ferragens e de materiais de construção em todo o Brasil. A Dra. Josina Oliveira do Nascimento alerta que a observação solar nunca deve ser feita a olho nu, com óculos escuros comuns, com chapas de raio X ou com filmes fotográficos, pois esses métodos improvisados podem causar danos permanentes à retina. O vidro de soldador número 14 filtra a luz solar em intensidade suficiente para tornar a observação segura.
Mesmo com o filtro adequado, a observação direta do Sol deve respeitar limites de tempo, segundo orientação do Observatório Nacional. A recomendação é olhar por apenas 30 segundos de cada vez, com um intervalo de descanso de 3 minutos antes de repetir a observação. O ON leva máscaras feitas com vidro de soldador 14 a feiras de ciências pelo Brasil, em parceria com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), que disponibiliza telescópios adaptados para o público. Essa atividade conjunta atraiu filas de visitantes de todas as idades durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro.
O Observatório Nacional e o MAST já confirmaram participação na próxima edição da SBPC, marcada para João Pessoa, na Paraíba, no ano seguinte. Antes disso, moradores do Rio de Janeiro poderão observar o Sol com segurança no Festival da Ciência, no Parque Oeste, no dia 14 de agosto de 2026, das 9h às 17h. Esses eventos de divulgação científica reforçam o papel educativo do ON diante de um fenômeno astronômico que, mesmo invisível no Brasil, desperta interesse do público. A combinação entre transmissão ao vivo e observação presencial guiada amplia o acesso da população à astronomia.
Quando o Brasil poderá ver o próximo eclipse solar total ou anular
Apesar de eclipses solares totais ou anulares ocorrerem, em média, uma vez por ano em algum lugar da Terra, a estreita faixa de visibilidade de cada evento faz o fenômeno parecer raro para a maioria das pessoas. O calendário astronômico já indica quando o Brasil voltará a ter contato com esse tipo de espetáculo, seja de forma parcial, anular ou total. O próximo evento com alguma visibilidade no país acontecerá antes mesmo de completar um ano após o eclipse de agosto de 2026.
Em 6 de fevereiro de 2027, um eclipse anular do Sol terá sua faixa de visibilidade sobre o oceano, tangenciando o litoral do extremo leste do estado do Rio de Janeiro. Na maior parte do território brasileiro, esse eclipse será visto em sua forma parcial, com exceção do extremo noroeste do país. Poucos meses depois, em 2 de agosto de 2027, ocorrerá um eclipse solar total cuja faixa de totalidade cruzará o sul da Espanha, o norte da África e a Arábia Saudita, com duração de 6 minutos e 23 segundos, o que já desperta grande expectativa entre astrônomos e observadores.
Esse eclipse de 2027 terá uma das maiores durações já registradas neste século, embora ainda fique atrás do eclipse solar total de 22 de julho de 2009, cuja fase de totalidade durou 6 minutos e 39 segundos, o mais longo do século XXI até o momento. Olhando ainda mais à frente no calendário astronômico, o eclipse de maior duração até o ano 3000 acontecerá em 16 de julho de 2186, com 7 minutos e 29 segundos de totalidade, próximo ao limite físico máximo de 7 minutos e 30 segundos. Esse eclipse de 2186 será visível na América do Sul, ao norte do Brasil, mas também não poderá ser observado do território brasileiro.
O próximo eclipse solar total com visibilidade garantida a partir do Brasil só acontecerá em 12 de agosto de 2045, quando a faixa de totalidade cruzará estados das regiões Norte e Nordeste, com fase parcial visível no restante do país. Até lá, o episódio mais marcante da história do eclipse solar em território brasileiro permanece o de 29 de maio de 1919, observado pelo Observatório Nacional na cidade de Sobral, no Ceará. As medições realizadas naquele eclipse, ao registrar o desvio da luz das estrelas ao passar perto do Sol, forneceram uma das primeiras confirmações observacionais da teoria da relatividade geral, formulada por Albert Einstein, e tornaram Sobral um marco na história da astronomia mundial.