Eusébio foi bispo de Roma por cerca de quatro meses, entre 309 e 310, sucedendo o papa Marcelo I após um novo período de instabilidade na Igreja romana. As datas exatas de eleição e morte variam entre historiadores, mas fontes antigas situam seu breve pontificado ainda sob o governo do imperador Maxêncio, que controlava Roma entre 306 e 312.
A eleição de Eusébio ocorreu em meio à mesma controvérsia que já havia atingido seu antecessor: como reintegrar à Igreja os cristãos que haviam renunciado à fé durante a perseguição de Diocleciano, os chamados lapsi. O tema dividia a comunidade cristã romana e exigia uma posição clara do novo bispo diante de fiéis divididos sobre o rigor exigido para o perdão.
O papado de Eusébio e o conflito com Heráclio sobre os lapsi
Eusébio defendia que os lapsi deveriam cumprir penitência formal antes de retornar à comunhão plena com a Igreja, posição que enfrentou forte oposição de um grupo liderado por Heráclio, favorável à reconciliação imediata, sem exigências adicionais. O confronto entre as duas correntes transformou uma disputa doutrinária em conflito público nas ruas de Roma.
A tensão entre os seguidores de Eusébio e os de Heráclio resultou em distúrbios que as fontes antigas descrevem como sedição, ameaçando a ordem pública na capital do império. O episódio chamou a atenção das autoridades romanas, ainda sensíveis a qualquer sinal de instabilidade após anos de perseguição e reorganização da Igreja.
O exílio de Eusébio na Sicília e sua morte
Para conter os distúrbios, o imperador Maxêncio ordenou o exílio de Eusébio e de Heráclio para a Sicília, medida que retirou ambos os líderes rivais de Roma e encerrou, ao menos temporariamente, o confronto entre suas facções. A decisão imperial tratou o episódio como uma questão de ordem pública, não como julgamento doutrinário sobre os lapsi.
Eusébio morreu na Sicília, provavelmente em 17 de agosto de 309 ou 310, conforme indicam calendários litúrgicos antigos. Seu corpo foi posteriormente trasladado para Roma e sepultado na Catacumba de São Calisto, na Via Ápia, no mesmo setor onde outros bispos romanos do século III haviam sido enterrados.
A memória de Eusébio foi preservada por um epigrama composto décadas depois pelo papa Dâmaso I, gravado em mármore e encontrado na cripta papal da Catacumba de São Calisto. O texto descreve Eusébio como o líder que ensinou os lapsi a chorar seus pecados e identifica Heráclio como o responsável pela discórdia que levou ambos ao exílio.
Esse epigrama de Dâmaso é considerado pelos historiadores uma das fontes mais confiáveis sobre o breve papado de Eusébio, por se tratar de um registro epigráfico praticamente contemporâneo aos eventos, ao contrário de relatos hagiográficos tardios sujeitos a exageros. Ainda assim, a data exata da eleição permanece incerta entre os especialistas em fontes cristãs antigas.
O pontificado de Eusébio, mesmo curto, evidencia como a disciplina em torno dos lapsi seguiu sendo um dos maiores desafios da Igreja romana após a perseguição de Diocleciano. Seu exílio e sua morte na Sicília marcam um episódio decisivo na consolidação das regras de penitência que orientariam a prática cristã nos séculos seguintes.