Elfos: origem, mitologia nórdica e no cinema

Os elfos nasceram como espíritos da natureza na mitologia germânica pré-cristã e se transformaram, séculos depois, em um dos ícones mais reconhecíveis do cinema e da animação

HiperHistória
Imagem gerada por IA | HiperHistória

Os elfos são seres sobrenaturais originários da mitologia germânica pré-cristã, com as primeiras atestações textuais concentradas na Escandinávia entre os séculos IX e XIII. A palavra remonta ao termo proto-germânico reconstruído *albiz, que deu origem ao nórdico antigo álfr, ao inglês antigo ælf e ao alemão Alb, todos usados para descrever entidades sobrenaturais associadas à luz, à natureza e, em alguns casos, ao infortúnio. Os registros mais antigos aparecem em inscrições rúnicas escandinavas e na poesia édica islandesa, período em que os elfos ocupavam posição intermediária entre deuses e seres humanos dentro da cosmologia nórdica pré-cristã. Essa origem comum, no entanto, se dividiu em duas tradições distintas ao longo da Idade Média: a escandinava, que preservou um caráter quase divino para os elfos, e a germânica continental e anglo-saxônica, que os transformou em figuras predominantemente perigosas.

Essa divergência entre as duas ramificações da mitologia élfica ajuda a explicar por que representações tão diferentes de elfos coexistem hoje na cultura popular, das criaturas benevolentes associadas à luz até os pequenos seres travessos do folclore britânico posterior. No século XX, o escritor britânico J. R. R. Tolkien, professor de língua anglo-saxônica na Universidade de Oxford, reformulou essas fontes medievais para criar a imagem de elfo mais difundida atualmente: alta, sábia e quase imortal. Essa reinvenção literária, por sua vez, moldou diretamente a forma como o cinema e a animação passaram a retratar os elfos a partir da segunda metade do século XX.

Antes da influência de Tolkien, porém, uma tradição paralela e independente já havia consolidado outra imagem popular de elfo nos Estados Unidos: a dos ajudantes de Papai Noel, associados ao Polo Norte e à fabricação de brinquedos. Essa vertente natalina, de origem norte-americana do século XIX, não deriva diretamente da mitologia germânica antiga, mas reaproveitou o termo “elfo” em um contexto cultural totalmente novo. A convivência dessas diferentes tradições — nórdica antiga, germânica continental, literária moderna e natalina popular — é o que torna a mitologia dos elfos um tema particularmente rico para compreender a evolução do folclore europeu até a cultura de massa contemporânea.

A origem da mitologia dos elfos

As primeiras descrições claras de elfos aparecem na Edda Poética, coletânea de poemas nórdicos antigos compostos oralmente antes de sua transcrição na Islândia, e na Edda em Prosa, escrita por volta de 1220 pelo historiador e político islandês Snorri Sturluson. Nesses textos, os elfos, chamados álfar em nórdico antigo, são descritos como seres humanoides poderosos e belos, frequentemente mencionados ao lado dos Æsir, principal família de deuses nórdicos, na expressão recorrente “Æsir e os elfos”. Os álfar eram associados à fertilidade da terra e frequentemente relacionados aos Vanir, grupo de divindades nórdicas ligadas à agricultura, à prosperidade e à natureza. Essa proximidade com os deuses da fertilidade sugere que os elfos ocupavam, na religiosidade escandinava pré-cristã, um papel próximo ao de divindades menores, cultuadas em rituais agrícolas conhecidos como álfablót.

Seguir:
HiperHistória revive os fatos mais importantes da história, um verdadeiro museu virtual das grandes curiosidades do presente e do passado.
Nenhum comentário