Conheça os personagens da mitologia nórdica

Sistema de crenças dos povos escandinavos pré-cristãos, a mitologia nórdica reúne divindades como Odin, Thor, Týr, Loki e Freya em narrativas preservadas na Islândia entre os séculos IX e XIII

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A Luta de Thor com os Gigantes ( Tors strid med jättarna ) por Mårten Eskil Winge (1872) - Domínio Público

A mitologia nórdica corresponde ao conjunto de crenças, deuses e narrativas dos povos germânicos do norte da Europa, praticada principalmente na Escandinávia, incluindo os territórios atuais da Noruega, Suécia, Dinamarca e Islândia, antes da conversão ao cristianismo, processo concluído de forma gradual entre os séculos X e XII. As principais fontes escritas sobre essa mitologia são a Edda em Prosa, compilada pelo historiador e político islandês Snorri Sturluson por volta de 1220, e a Edda Poética, coletânea de poemas anônimos preservada no manuscrito Codex Regius, copiado por volta de 1270 mas composto a partir de material oral anterior, possivelmente do século IX ou X. Essas obras registram a cosmologia nórdica centrada em Asgard, morada dos deuses Aesir, e detalham as histórias de figuras como Odin, Thor, Týr, Loki e Freya, cultuadas por séculos antes de serem sistematizadas por escrito.

Odin ocupava a posição de deus principal entre os Aesir, associado à sabedoria, à guerra, à poesia e à magia rúnica, segundo a Edda em Prosa de Snorri Sturluson. O mito registra que Odin sacrificou um dos próprios olhos no poço de Mímir para obter conhecimento, e que se enforcou voluntariamente na árvore Yggdrasil durante nove noites para adquirir o conhecimento das runas, episódio narrado no poema Hávamál, parte da Edda Poética. Sua morada era Valhalla, salão em Asgard destinado a receber metade dos guerreiros mortos em combate, enquanto a outra metade seguia para os campos de Fólkvangr, domínio da deusa Freya. Odin era acompanhado por dois corvos, Huginn e Muninn, que sobrevoavam o mundo diariamente, trazendo informações, e por dois lobos chamados Geri e Freki, conforme descrito no poema Grímnismál.

Thor, filho de Odin com a deusa Jörd, personificação da terra, era o deus do trovão, da força física e da proteção dos deuses e dos seres humanos contra os gigantes, chamados jötnar nas fontes nórdicas. Sua arma principal era o martelo Mjölnir, forjado pelos anões Sindri e Brokkr, conforme narrado na Edda em Prosa, capaz de retornar à mão de Thor após ser arremessado e usado tanto em combate quanto em rituais de consagração, como casamentos e funerais. Thor viajava em uma carruagem puxada por dois bodes, Tanngrisnir e Tanngnjóstr, que podia abater e ressuscitar para se alimentar durante viagens, episódio relatado no mito de sua visita ao gigante Útgarða-Loki. Diferente de Odin, associado à aristocracia guerreira e à sabedoria esotérica, Thor era o deus mais popular entre agricultores e navegadores escandinavos, com numerosos achados arqueológicos de amuletos em formato de martelo confirmando seu culto generalizado.

Týr e o sacrifício pela contenção do lobo Fenrir

Týr era o deus nórdico associado à justiça, à guerra regulada por leis e aos juramentos solenes, considerado por alguns pesquisadores como uma divindade mais antiga que Odin dentro da tradição germânica, hipótese baseada em comparações linguísticas com o deus proto-indo-europeu do céu. Seu episódio mais conhecido envolve a tentativa dos deuses de acorrentar o lobo Fenrir, filho de Loki, com a corrente mágica Gleipnir, forjada pelos anões com materiais impossíveis como o ruído dos passos de um gato e a barba de uma mulher, segundo a Edda em Prosa. Fenrir aceitou ser acorrentado apenas sob a condição de que um dos deuses colocasse a mão em sua boca como garantia de boa-fé, e Týr foi o único disposto a fazer esse sacrifício.

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