Madame du Barry, nascida Jeanne Bécu em 19 de agosto de 1743, em Vaucouleurs, cidade do nordeste da França, filha ilegítima de uma costureira e, segundo registros históricos, provavelmente de um frade franciscano ou de um funcionário fiscal local. Ela se tornou a última favorita oficial do rei Luís XV, monarca da França entre 1715 e 1774, ocupando essa posição na corte de Versalhes a partir de abril de 1769 até a morte do rei, em 10 de maio de 1774. Antes de chegar à corte, Jeanne trabalhou como assistente em uma loja de modas em Paris e circulou em círculos sociais parisienses, onde conheceu Jean-Baptiste du Barry, cafetão e nobre menor, que a apresentou a figuras influentes da aristocracia francesa. Sua ascensão da condição de plebeia à posição de maîtresse-en-titre, título oficial concedido à amante reconhecida do rei francês, representa um dos casos mais estudados de mobilidade social na corte francesa do século XVIII.
Para ingressar formalmente na corte, Jeanne precisou de um título nobiliárquico, obtido por meio de um casamento arranjado em 1768 com Guillaume du Barry, irmão de Jean-Baptiste, união que lhe conferiu o título de condessa Du Barry sem exigir convivência conjugal efetiva. Essa formalidade era exigência protocolar de Versalhes, já que apenas mulheres com título nobiliárquico podiam ser apresentadas oficialmente à corte francesa. Em 22 de abril de 1769, Madame du Barry foi apresentada formalmente a Luís XV em cerimônia na corte, tornando-se sua companheira reconhecida publicamente até a morte do monarca. A apresentação gerou resistência imediata de setores da nobreza tradicional, especialmente por sua origem plebeia, contrastando com favoritas anteriores como Madame de Pompadour, que possuía educação e conexões sociais mais estabelecidas.
Madame du Barry exerceu influência política limitada se comparada à sua antecessora, mas usou sua posição para financiar artistas, patrocinar a produção de porcelanas em Sèvres e influenciar nomeações na corte, incluindo apoio ao ministro Duque d’Aiguillon em disputas políticas internas de Versalhes. Ela também se envolveu em rivalidade documentada com Maria Antonieta, delfina e futura rainha da França, que se recusou a dirigir-lhe a palavra por considerá-la socialmente inadequada, situação que só foi resolvida por intervenção diplomática em 1772. Essa tensão entre as duas mulheres tornou-se um dos episódios mais citados sobre a etiqueta rígida e as disputas de precedência características da corte de Luís XV em Versalhes.
O relacionamento com Luís XV e a queda após a morte do rei
O relacionamento entre Madame du Barry e Luís XV se estabeleceu em 1768, quando ela foi apresentada ao rei por intermédio do duque de Richelieu, e se consolidou como vínculo oficial após a apresentação formal na corte em abril de 1769. Luís XV, então com quase sessenta anos e viúvo desde 1768, encontrou em Madame du Barry companhia constante durante os últimos anos de seu reinado, período marcado por crescente impopularidade da monarquia francesa devido a dificuldades financeiras do Estado e insatisfação social crescente. O rei morreu de varíola em 10 de maio de 1774, no Palácio de Versalhes, e, conforme protocolo da corte francesa para amantes reais após a morte do monarca, Madame du Barry foi imediatamente afastada e exilada para o Convento de Pont-aux-Dames, próximo a Meaux.