Marcos, também chamado São Marcos, foi papa de 18 de janeiro a 7 de outubro de 336. Ele assumiu o bispado de Roma após Silvestre I e morreu no mesmo ano, depois de um pontificado de pouco mais de oito meses. As fontes antigas o identificam como romano e filho de Prisco, mas quase nada registram sobre sua formação ou sua vida antes da eleição.
O pontificado de Marcos ocorreu durante o governo do imperador Constantino, quando o cristianismo começava a se reorganizar publicamente depois das perseguições. A Igreja de Roma passou a administrar templos, propriedades e cerimônias com maior liberdade. Nesse cenário, o papa precisou fortalecer estruturas internas, embora seu breve mandato limitasse decisões de grande alcance.
Marcos e a Igreja de Roma
A principal realização atribuída a Marcos foi a construção de edifícios religiosos em Roma. Ele é associado à fundação da igreja de São Marcos, posteriormente incorporada ao Palazzo Venezia, e de uma basílica erguida sobre a área da Catacumba de Balbina, na Via Ardeatina. A extensão exata de sua participação nessas obras, porém, não está completamente documentada.
O papa também é tradicionalmente relacionado à organização inicial dos registros litúrgicos conhecidos como Depositio episcoporum e Depositio martyrum. Esses documentos reuniam datas comemorativas de bispos e mártires da Igreja romana. Como as listas foram preservadas em versões posteriores, historiadores tratam sua origem no pontificado de Marcos como uma atribuição provável, não como um fato comprovado em todos os detalhes.
Eleição, governo e morte
Marcos foi eleito papa em 18 de janeiro de 336, provavelmente por clérigos e membros da comunidade cristã de Roma. Seu governo sucedeu o longo pontificado de Silvestre I, encerrado em dezembro de 335. A eleição ocorreu em uma fase de aproximação entre a Igreja e o poder imperial, marcada pela presença de Constantino e pela construção de basílicas monumentais.
Uma tradição posterior afirma que Marcos confirmou ao bispo de Óstia o direito de consagrar o novo bispo de Roma. Essa atribuição é importante porque relaciona Óstia ao desenvolvimento do ritual de consagração papal. Também se costuma associar a ele a introdução do pálio, faixa de lã usada por bispos, mas a documentação disponível não permite estabelecer essa iniciativa com segurança.
Marcos morreu em 7 de outubro de 336, em Roma, provavelmente por causas naturais. Não há evidências confiáveis de martírio, assassinato ou perseguição específica contra ele. Segundo registros litúrgicos antigos, foi sepultado no Cemitério de Balbina, na Via Ardeatina, possivelmente próximo à basílica ligada ao seu nome.
A memória de Marcos permaneceu associada à reorganização da Igreja romana no século IV. Seu pontificado não foi marcado por grandes concílios ou conflitos teológicos próprios, mas ocorreu em um período decisivo para o cristianismo. Ao morrer, Marcos deixou o registro de um governo breve, porém ligado à consolidação institucional e arquitetônica da comunidade cristã de Roma.