O nome avestruz vem da combinação do latim avis, que significa “ave”, com struthio, termo usado pelos gregos e romanos para designar a mesma ave, formando em português a palavra composta avestruz. Em inglês, ostrich deriva do mesmo struthio, mas chegou à língua por meio do francês antigo ostruce e do latim vulgar avis struthio, sem o elemento avis explícito na forma moderna. Assim, avestruz e ostrich compartilham a mesma raiz etimológica greco-latina, mas seguiram caminhos fonéticos diferentes nas línguas românicas e germânicas. O avestruz (Struthio camelus) é a maior ave viva, nativa das estepes e desertos da África, com peso médio entre 90 e 150 kg e altura de 2 a 2,5 metros nos adultos.
Os antepassados do avestruz pertencem ao grupo das aves não voadoras da ordem Struthioniformes, que surgiram no período Mioceno, há cerca de 23 a 5 milhões de anos, segundo a paleontologia. Embora o avestruz guarde traços anatômicos herdados de dinossauros terópodes, como a estrutura dos ossos das pernas e a presença de penas, ele não descende diretamente de gêneros como o Struthiomimus, o chamado “dinossauro avestruz”. O Struthiomimus foi um dinossauro ornitomimídeo do final do Cretáceo, que viveu há cerca de 70 milhões de anos, mas não deixou descendentes diretos, representando apenas uma linhagem paralela com aparência semelhante. A família dos avestruzes atuais (Struthionidae) é bem mais recente e constitui o único ramo sobrevivente de um grupo mais amplo de aves corredoras que se diversificaram após a extinção dos dinossauros não avianos.
A incubação dos ovos de avestruz dura em média 42 dias, com variações relatadas entre 40 e 45 dias, dependendo das condições de manejo e da fonte consultada. Durante esse período, machos e fêmeas se alternam na incubação, com o macho assumindo a tarefa à noite e a fêmea durante o dia, em um sistema de revezamento bem documentado em cativeiro e em vida livre. Cada fêmea pode botar de 40 a 100 ovos por ano, e um ninho pode reunir de 15 a 60 ovos, com peso médio de 1,2 a 1,8 kg cada, o equivalente a mais de 20 ovos de galinha. Os filhotes nascem com cerca de 0,8 a 1,2 kg e crescem rapidamente, ganhando aproximadamente 30 cm de altura por mês até os seis meses, quando já podem pesar em torno de 60 kg.
Etimologia de avestruz e ostrich
A palavra avestruz entrou no português por meio do galego-português medieval ave estruz, que combinava o termo latino avis com estruz, empréstimo do occitano antigo estrutz, por sua vez vindo do latim struthio. Dicionários etimológicos, como o Infopédia e o Wiktionary, registram essa formação como resultado da fusão de dois elementos, um genérico (ave) e outro específico (estruz), que designava a ave de grande porte conhecida na Antiguidade. A forma espanhola avestruz, com variante abestruz, também influenciou o uso na Península Ibérica e nas colônias ultramarinas, consolidando o termo nas línguas ibéricas. Em português brasileiro, avestruz é a forma padrão, enquanto expressões como “fazer como a avestruz” ou “estômago de avestruz” derivam de observações populares sobre o comportamento e a digestão da ave.
Em inglês, ostrich tem origem no médio inglês ostrich, que veio do anglo-normando ostrige e do francês antigo ostruce, todos derivados do latim vulgar avis struthio. O elemento avis, que significa “ave”, acabou não aparecendo de forma explícita na palavra moderna, mas está presente na raiz latina que deu origem ao termo. O grego antigo στρουθίων (strouthíōn) e a expressão στρουθοκάμηλος (strouthokámelos), que significa “ave-camelo”, estão na base dessa cadeia etimológica, refletindo a impressão causada pelo pescoço longo e pelo porte da ave. Assim, avestruz em português e ostrich em inglês são variantes de uma mesma designação clássica, adaptadas às regras fonéticas e morfológicas de cada língua.
A presença de termos correlatos em outras línguas, como autruche em francês e Strauß em alemão, mostra como a designação da ave se espalhou pela Europa a partir do latim e do grego. Em todas essas línguas, a ideia de uma “ave grande” ou “ave-camelo” permanece como núcleo semântico, mesmo quando a forma da palavra muda consideravelmente. Essa estabilidade do significado, associada à diversidade de formas, é um exemplo típico de como nomes de animais exóticos circularam no Mediterrâneo e foram incorporados às línguas modernas.
Antepassados, dinossauros e características do avestruz
Os antepassados diretos do avestruz são aves não voadoras que se diversificaram no Mioceno, em um contexto de expansão de ambientes abertos como estepes e savanas na África e na Ásia. Fósseis de Struthio, o gênero que inclui o avestruz-comum (Struthio camelus) e outras espécies extintas, são encontrados em depósitos do Mioceno ao Pleistoceno na África, Europa e Ásia, indicando uma distribuição geográfica antiga mais ampla que a atual. Esses registros mostram que o avestruz compartilha com outras aves corredoras, como emas e casuares, a perda da capacidade de voo e o desenvolvimento de pernas longas e fortes para corrida. Do ponto de vista evolutivo, o avestruz guarda marcas anatômicas dos dinossauros terópodes, como a estrutura dos ossos pneumáticos e a presença de penas, que são consideradas características herdadas desse grupo.
Apesar dessas semelhanças, é incorreto afirmar que o avestruz descende de dinossauros como o Struthiomimus, o chamado “dinossauro avestruz” do final do Cretáceo. O Struthiomimus foi um ornitomimídeo que viveu há cerca de 70 milhões de anos, com aparência superficialmente parecida com a do avestruz, mas pertencente a uma linhagem que se extinguiu sem deixar descendentes diretos. A família Struthionidae, que inclui os avestruzes atuais, surgiu depois da extinção em massa do Cretáceo-Paleogeno, há cerca de 66 milhões de anos, a partir de ancestrais avianos que sobreviveram a esse evento. Portanto, o avestruz é melhor entendido como um descendente remoto de dinossauros terópodes em sentido amplo, mas não como herdeiro direto de gêneros específicos como o Struthiomimus.
O avestruz-comum (Struthio camelus) é a maior ave viva, com machos adultos atingindo de 2 a 2,75 metros de altura e peso entre 100 e 160 kg, enquanto as fêmeas são menores, com até 1,90 metro e peso máximo em torno de 110 kg. A ave possui pernas longas e poderosas, capazes de impulsioná-la a velocidades de até 60 km/h, e pés com dois dedos, dos quais apenas um tem unha, adaptação que favorece a corrida em terrenos abertos. Sua plumagem é preta e branca nos machos e cinza nas fêmeas, com asas curtas e impróprias para voo, usadas principalmente em rituais de corte e para equilibrar o corpo durante a corrida. Essas características fazem do avestruz um modelo clássico de ave corredora, com anatomia especializada para vida em ambientes abertos e quentes.
Incubação dos ovos e peso médio da ave
O período de incubação dos ovos de avestruz é de aproximadamente 42 dias, com fontes técnicas relatando intervalos entre 40 e 45 dias, dependendo das condições de temperatura e umidade. Durante a incubação, observa-se um revezamento claro entre machos e fêmeas, com o macho incubando os ovos à noite e a fêmea dominante durante o dia, o que ajuda a proteger o ninho de predadores e a manter a temperatura adequada. Os ovos são grandes, com cerca de 15 cm de comprimento e 12 cm de largura, e pesam em média de 1,2 a 1,8 kg, o que os torna os maiores ovos de aves vivas. Após a eclosão, os filhotes nascem com 0,8 a 1,2 kg e crescem rapidamente, atingindo cerca de 60 kg aos seis meses de idade, segundo dados de manejo em cativeiro.
O peso médio do avestruz adulto varia conforme o sexo e a subespécie, mas a maioria das fontes situa os machos entre 100 e 150 kg e as fêmeas entre 90 e 110 kg. Alguns registros mencionam machos com até 155 a 160 kg e altura próxima de 2,75 metros, embora esses casos sejam considerados excepcionais. Em cativeiro, o peso de abate é alcançado por volta dos 12 meses de idade, quando a ave atinge entre 100 e 120 kg e produz de 30 a 40 kg de carne, segundo manuais de estrutiocultura. Essas informações são consistentes entre zoológicos, criatórios comerciais e publicações técnicas, o que permite tratar esses valores como médias confiáveis para a espécie.
Maiores criações de avestruz no Brasil
No Brasil, a criação de avestruz, chamada de estrutiocultura, consolidou-se a partir da década de 1990, com o estado de São Paulo liderando inicialmente o número de criadores. Mais recentemente, o município de São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, tornou-se o maior polo produtor do país, com mais de 7 mil aves e infraestrutura para abate e processamento de carne, penas e couro. O frigorífico de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, é citado como parte do maior complexo de produção de avestruz fora da África, atendendo mercados em todo o território nacional. Além do Mato Grosso do Sul, há criatórios significativos em Minas Gerais, como em Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde se encontram algumas das maiores fazendas dedicadas à espécie.
A estrutiocultura brasileira é voltada principalmente para a produção de carne, couro e penas, com alguns criadores explorando também a venda de ovos decorativos e turismo rural. Relatos do setor indicam que o país já reúne cerca de 1,5 mil produtores espalhados por diferentes regiões, embora a concentração mais expressiva permaneça no Centro-Oeste e no Sudeste. A atividade é considerada rentável quando bem manejada, mas exige cuidados específicos com alimentação, sanidade e manejo reprodutivo, dada a sensibilidade das aves a doenças e a necessidade de instalações adequadas. A presença de um grande produtor nacional, com frigorífico próprio e distribuição para todo o país, mostra que o avestruz deixou de ser apenas uma curiosidade exótica para se tornar um componente relevante da pecuária especializada brasileira.
Uma curiosidade histórica ligada ao avestruz é que, na Roma antiga, ovos vazios da ave eram usados como recipientes decorativos e até como taças em banquetes, prática que se reflete no próprio termo inglês ostrich, que em períodos mais antigos também designava “taça feita de ovo de avestruz”. Essa tradição de usar ovos de avestruz como objetos de luxo e decoração atravessou a Idade Média e chegou ao Renascimento, com exemplares montados em metais preciosos expostos em tesouros de igrejas e coleções de nobres. Assim, além de sua importância biológica e econômica, o avestruz deixou marcas na cultura material europeia, associando seu nome a objetos de prestígio e a práticas de consumo das elites.