Santa Catarina de Bolonha, nascida Caterina Vigri em 1413, na cidade de Bolonha, no norte da Itália, foi uma religiosa da ordem das Clarissas, ramo feminino da tradição franciscana fundado por Santa Clara de Assis no século XIII. Catarina ingressou na vida religiosa ainda jovem, dedicando-se à oração, à escrita espiritual e à pintura de imagens sacras, atividades que a tornaram figura relevante entre as comunidades religiosas femininas da região da Emília-Romanha durante o século XV. Ela fundou e liderou o Mosteiro do Corpus Domini, em Bolonha, instituição que permanece em funcionamento até os dias atuais e que se tornaria, após sua morte, o local de guarda de seus restos mortais. Catarina faleceu em 9 de março de 1463, aos 49 anos, na própria cidade de Bolonha, onde havia passado a maior parte de sua vida religiosa.
Dias após o sepultamento, integrantes da comunidade religiosa relataram a exumação do corpo, motivada por relatos de fenômenos considerados milagrosos pelas freiras do mosteiro, entre eles um odor agradável emanado do túmulo, interpretado na tradição católica como sinal de santidade. Ao contrário da prática funerária comum da época, que previa sepultamento em posição deitada, o corpo de Catarina foi então colocado sentado, apoiado por uma estrutura de suporte, decisão tomada pela comunidade do Corpus Domini nos anos imediatamente posteriores à sua morte. Desde então, o corpo permanece exposto em posição sentada dentro de uma capela do mosteiro, vestido com os hábitos tradicionais da ordem franciscana, prática que se mantém praticamente inalterada há mais de cinco séculos.
Por que o corpo foi mantido em posição sentada?
A escolha pela posição sentada, em vez do sepultamento tradicional, relaciona-se à tradição católica de veneração de relíquias corporais de santos, prática comum na Europa medieval e renascentista para figuras religiosas consideradas dotadas de santidade excepcional. Historiadores da religiosidade católica apontam que a exposição de corpos preservados de santos, quando ocorria sem sinais evidentes de decomposição, era interpretada pelas comunidades religiosas como confirmação divina da virtude do indivíduo, fenômeno conhecido na tradição católica como incorruptibilidade. O corpo de Catarina de Bolonha, ao longo dos séculos, escureceu progressivamente devido à exposição prolongada à fumaça de velas e lamparinas acesas continuamente na capela onde permanece, processo natural de enegrecimento por fuligem que não corresponde, segundo estudiosos, à decomposição biológica do tecido.
A capela onde o corpo permanece, situada dentro do complexo do Mosteiro do Corpus Domini, em Bolonha, tornou-se ponto de peregrinação católica já nas décadas seguintes à morte de Catarina, prática que se intensificou após seu reconhecimento oficial pela Igreja. O Papa Clemente XI canonizou Catarina de Bolonha em 1712, elevando-a formalmente à condição de santa dentro da hierarquia católica, reconhecimento que consolidou definitivamente o culto público ao redor de seus restos mortais. Peregrinos católicos de diferentes regiões da Itália e do exterior visitam a capela até os dias atuais, mantendo viva uma tradição devocional que atravessa mais de cinco séculos de história religiosa bolonhesa.