A queda do Império Romano do Ocidente não foi um evento único e repentino, mas sim o resultado de um longo e complexo processo de declínio que se estendeu por séculos. Embora o ano de 476 d.C. seja tradicionalmente marcado como o fim, quando o último imperador foi deposto, as estruturas de poder romanas já vinham se desgastando muito antes. Historiadores modernos tendem a ver esse fenômeno como uma transformação gradual, impulsionada por uma combinação fatal de problemas internos e pressões externas que o Estado romano, outrora invencível, já não conseguia suportar.
Um dos fatores internos mais críticos foi a crise econômica severa. O Império sofria com uma inflação galopante, causada em parte pela desvalorização da moeda para pagar os enormes custos militares e administrativos. Além disso, a economia romana era excessivamente dependente do trabalho escravo; quando as guerras de conquista cessaram, o fluxo de novos escravos diminuiu, estagnando a produção agrícola e comercial. A pesada carga tributária sobre a população comum também criou um abismo social, fazendo com que muitos romanos vissem os invasores bárbaros não como inimigos, mas como libertadores da opressão fiscal do Estado.
Instabilidade e corrupção
A instabilidade política e a corrupção no governo central também desempenharam um papel devastador. O sistema de sucessão imperial nunca foi totalmente estável, resultando em frequentes guerras civis entre generais que disputavam o trono. Durante o século III, por exemplo, houve um período de 50 anos em que Roma teve mais de 20 imperadores, a maioria assassinada. Essa rotatividade caótica enfraqueceu a autoridade central e permitiu que a Guarda Pretoriana (a guarda de elite do imperador) e outros militares vendessem o trono a quem pagasse mais, erodindo a legitimidade do governo.
O enfraquecimento das forças militares foi outra causa determinante. O exército romano, outrora a máquina de guerra mais disciplinada do mundo antigo, começou a sofrer com a falta de recrutas cidadãos. Para preencher as fileiras, Roma passou a contratar mercenários germânicos (os chamados foederati). Esses soldados eram ferozes, mas sua lealdade era duvidosa; eles frequentemente obedeciam aos seus próprios chefes tribais ou aos generais que lhes pagavam, e não ao Imperador ou ao ideal de Roma. Com o tempo, o exército que deveria defender as fronteiras tornou-se uma fonte de perigo interno.