Nos 90 minutos regulamentares, a Espanha teve mais posse de bola e criou a maioria das oportunidades de gol, mas esbarrou seguidamente nas defesas de Emiliano Martínez. O goleiro argentino, autor de atuações decisivas nas fases anteriores do torneio, voltou a se destacar diante do volume ofensivo espanhol, evitando o gol em pelo menos oito finalizações antes da prorrogação. A Argentina, por sua vez, praticamente não conseguiu criar jogadas de perigo no ataque, com o meio-campo pressionado pela marcação espanhola durante a maior parte da partida. Mesmo assim, o time comandado por Scaloni resistiu até o intervalo do tempo extra sem sofrer gols.
A escalação titular da Argentina sofreu mudanças forçadas ainda no primeiro tempo. O zagueiro Lisandro Martínez, do Manchester United, deixou o campo lesionado antes do intervalo, e Cristian Romero também precisou ser substituído, dando lugar a Facundo Medina durante a pausa para hidratação. As alterações na zaga argentina ocorreram em um momento de pressão ofensiva espanhola, embora a defesa visitante tenha conseguido segurar o resultado até a prorrogação.
A Argentina terminou a final com um jogador a menos em campo. Aos 90 minutos, o meio-campista Enzo Fernández, do Chelsea, recebeu o segundo cartão amarelo após uma falta dura sobre o zagueiro espanhol Pau Cubarsí, que caiu no gramado após o lance. O árbitro esloveno Slavko Vincic expulsou o jogador argentino, reduzindo a equipe a dez atletas para o restante da prorrogação. A expulsão comprometeu ainda mais as possibilidades ofensivas da Argentina, que já enfrentava dificuldades para chegar ao ataque.
A resistência de Emiliano Martínez
Apesar da derrota, o goleiro Emiliano Martínez teve uma das atuações mais lembradas da decisão. Ele superou o recorde de defesas em uma final de Copa do Mundo, número que, segundo os registros da partida, chegou a 11 intervenções, incluindo oito somente nos 90 minutos regulamentares. As defesas de Martínez mantiveram a Argentina viva na disputa até a prorrogação, mesmo com a equipe sob pressão constante da Espanha. O desempenho, no entanto, não foi suficiente para evitar o gol de Ferran Torres na etapa final do tempo extra.
O atacante argentino Lionel Messi, aos 39 anos, disputou o que pode ter sido sua última partida em Copas do Mundo, sem conseguir finalizar em direção ao gol espanhol durante os 120 minutos de jogo. A marcação da Espanha neutralizou tanto Messi quanto Enzo Fernández antes de sua expulsão, restringindo o time de Scaloni a poucas transições ofensivas. A tentativa argentina de conquistar dois títulos mundiais seguidos, algo que nenhuma seleção alcançava desde o Brasil nos Mundiais de 1958 e 1962, terminou frustrada no MetLife Stadium.
O que a conquista representa para a Espanha e para o futebol mundial?
O título de 2026 é o segundo da história da Espanha em Copas do Mundo. O primeiro havia sido conquistado em 2010, na África do Sul, quando a seleção espanhola venceu a Holanda por 1 a 0, também na prorrogação, com gol de Andrés Iniesta. Dezesseis anos depois, a Espanha repetiu o resultado apertado em uma final decidida no tempo extra, desta vez diante da Argentina.
A vitória também consolidou o trabalho do técnico Luis de la Fuente à frente da seleção espanhola desde 2022. Sob seu comando, a equipe conquistou a Eurocopa de 2024, na Alemanha, e agora acrescentou o título mundial de 2026, repetindo o feito alcançado pela geração de Xavi Hernández, Iniesta e Iker Casillas entre 2008 e 2010. A combinação dos dois títulos consecutivos, europeu e mundial, reforça o retorno da Espanha à condição de principal potência do futebol internacional.
A Copa do Mundo de 2026 também entrou para a história por sua dimensão. Foi a primeira edição disputada com 48 seleções, ampliação em relação ao formato de 32 equipes usado desde 1998, e a primeira sediada por três países ao mesmo tempo: Estados Unidos, Canadá e México. A final entre Espanha e Argentina foi a partida de número 104 do torneio, que também registrou mais gols do que qualquer edição anterior da competição, com mais de 307 gols marcados na fase de grupos e no mata-mata.
Para a Argentina, a final de 2026 encerrou o ciclo iniciado com o título conquistado no Catar, em 2022, quando a seleção derrotou a França nos pênaltis, após empate por 3 a 3, sob o comando também de Lionel Scaloni. A equipe chegou à decisão de 2026 como principal candidata ao bicampeonato, mas esbarrou na organização defensiva e na efetividade ofensiva da seleção espanhola. O resultado interrompeu a sequência argentina de títulos continentais e mundiais, que incluía duas edições da Copa América, disputadas em 2021 e 2024.
A decisão de 2026 marcou o retorno de uma final de Copa do Mundo ao território dos Estados Unidos após 32 anos. A última vez havia sido em 1994, quando o Brasil venceu a Itália nos pênaltis, no Rose Bowl, na Califórnia, em uma final sem gols no tempo normal e na prorrogação. Assim como naquela ocasião, a decisão de 2026 também exigiu prorrogação para ser resolvida, embora desta vez o resultado tenha saído antes da disputa de pênaltis, com o gol de Ferran Torres garantindo à Espanha seu segundo título mundial.