Alexandre, o Grande, rei da Macedônia e conquistador de um dos maiores impérios da Antiguidade, morreu na Babilônia, cidade situada na atual região do Iraque, em 10 ou 11 de junho de 323 a.C., aos 32 anos, após um período de febre alta cuja causa exata permanece debatida entre historiadores, com hipóteses que incluem malária, febre tifoide e envenenamento. O monarca havia governado desde 336 a.C., quando sucedeu seu pai, o rei Filipe II da Macedônia, assassinado naquele ano na cidade de Aigai. Sua morte na Babilônia, então uma das capitais administrativas do império que ele havia construído após conquistar o Império Persa, deixou em aberto a questão da sucessão e também o destino de seu corpo, disputado entre generais rivais nos anos seguintes.
Fontes históricas da Antiguidade, entre elas o historiador grego Diodoro Sículo, que escreveu no século I a.C., e o historiador romano Quinto Cúrcio Rufo, autor do século I d.C., relatam que o corpo de Alexandre passou por um processo de preservação antes do longo transporte funerário que se seguiu à sua morte. Diodoro Sículo descreve que embalsamadores egípcios e caldeus, profissionais especializados em preservação de cadáveres na tradição do Antigo Egito e da Mesopotâmia, foram convocados para tratar o corpo do rei macedônio, adiando sua decomposição em um período de calor intenso na região da Babilônia. Essas fontes, embora escritas séculos após o evento e baseadas em relatos anteriores hoje perdidos, constituem a base historiográfica sobre o episódio, o que exige cautela na interpretação de detalhes específicos do processo.
Como o mel teria sido utilizado na preservação do corpo?
A tradição sobre o uso de mel na preservação do corpo de Alexandre aparece em fontes antigas, incluindo o relato do escritor romano Élio, do século 2 e 3 d.C., que descreve o corpo do rei imerso em uma substância doce dentro de um sarcófago, prática associada às propriedades naturais do mel como agente de conservação. O mel possui baixo teor de água e alta concentração de açúcar, características que criam um ambiente hostil à proliferação de bactérias responsáveis pela decomposição orgânica, propriedade já conhecida e utilizada por diversas civilizações antigas para conservação de alimentos e, segundo alguns relatos, também de corpos. Historiadores especializados em Antiguidade Clássica, no entanto, apontam divergências entre as fontes primárias sobre os detalhes exatos do processo, já que alguns relatos mencionam também o uso de cera e resinas aromáticas combinadas ao tratamento do corpo, sem que haja consenso definitivo sobre qual método prevaleceu.
O sarcófago utilizado no transporte do corpo de Alexandre é descrito pelas fontes antigas como uma estrutura de ouro ricamente ornamentada, conforme relato de Diodoro Sículo sobre o carro funerário construído para o translado do corpo real. Essa estrutura, erguida por ordem do regente Perdicas, general que assumiu papel de liderança no império imediatamente após a morte de Alexandre, levou aproximadamente dois anos para ser concluída antes que o cortejo funerário partisse efetivamente da Babilônia. A magnitude da estrutura funerária, descrita com múltiplas colunas, relevos dourados e um teto ornamentado com pedras preciosas, reforça o caráter simbólico do funeral como afirmação de legitimidade política entre os generais que disputavam o controle do império após a morte do rei.