A espécie de formiga que sequestra colônias

Ao contrário das colônias tradicionais, a espécie Temnothorax kinomurai subverteu as regras da natureza

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Nest of T. kinomurai containing young, winged gynomorphic and wingless intermorphic queens of T. kinomurai (light brown) and dark brown T. makora host workers. (Image credit: Hamaguchi et al., Current Biology, 2026. CC BY 4.0)

O mundo dos insetos acaba de revelar uma de suas estratégias de sobrevivência mais fascinantes e incomuns, protagonizada por uma espécie de formiga peculiar, em que cada indivíduo nasce como uma rainha. Ao contrário das colônias tradicionais que possuem uma rígida divisão de trabalho entre operárias, soldados e a realeza, a espécie Temnothorax kinomurai subverteu completamente as regras da natureza. Nesse cenário impressionante, a estrutura social comum das formigas foi abandonada em prol de um modelo focado exclusivamente na propagação de novas monarcas.

Os detalhes e evidências desse estudo pioneiro, que registrou como essas gerações inteiras de rainhas clonadas prosperam às custas do trabalho alheio, ganharam destaque na comunidade acadêmica internacional após serem formalmente publicados na prestigiada revista científica Current Biology.

Formiga parasita colônias

O segredo para essa proliferação exclusiva de rainhas está no seu método de reprodução. Essas formigas desenvolveram a capacidade de se reproduzir de forma assexuada, um processo biológico conhecido como partenogênese, através do qual conseguem clonar a si mesmas. Sem a necessidade de acasalamento, cada rainha consegue gerar descendentes que são cópias genéticas exatas dela mesma, o que elimina totalmente a necessidade de formigas machos para a perpetuação da espécie.

No entanto, a ausência de operárias próprias cria um problema logístico vital: quem cuidará da nova geração? É aqui que entra o comportamento de parasitismo social da espécie. Em vez de construírem seus próprios formigueiros e buscarem o próprio alimento, essas rainhas infiltram-se de forma sorrateira em colônias de outras espécies não aparentadas. Uma vez lá dentro, elas essencialmente sequestram a força de trabalho alheia, forçando as operárias hospedeiras a criarem e alimentarem suas filhas clonadas.

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