Gordura no fígado: conheça tratamentos naturais

Se não for controlada, a gordura pode evoluir para quadros de inflamação e fibrose, podendo chegar a estágios graves

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Foto: ChatGPT/HiperHistória

A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, é o acúmulo anormal de gordura nas células do fígado (hepatócitos), caracterizada quando o conteúdo gorduroso excede 10% do peso do órgão. Normalmente, o fígado possui gordura em quantidade que corresponde a 10% do seu peso; quando excede esse valor, diz-se que há esteatose hepática.

Tipos e causas da esteatose hepática

Existem dois tipos principais:

1. Esteatose Hepática Alcoólica: Provocada pelo consumo excessivo de álcool (regular ou esporádico). O abuso de álcool é a principal causa conhecida.

2. Esteatose Hepática Não Alcoólica (EHNA): Provocada por hábitos e estilos de vida inadequados. A esteatose hepática associada ao metabolismo (Metabolic Associated Steatotic Liver Disease – MASLD) está se tornando a causa número um de esteatose hepática em todo o mundo.

Principais causas da esteatose não alcoólica:

  • Obesidade: mais de 80% dos pacientes com esteatose hepática são obesos
  • Sobrepeso e sedentarismo
  • Diabetes Mellitus tipo 2 e resistência à insulina
  • Má alimentação, rica em gorduras, açúcar e produtos industrializados
  • Colesterol alto, principalmente níveis elevados de triglicerídeos
  • Pressão alta
  • Perda ou ganho muito rápido de peso
  • Uso de medicamentos: corticoides, estrógeno, amiodarona, antirretrovirais, diltiazem e tamoxifeno
  • Hepatites virais
  • Desnutrição proteica
  • Gravidez
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Hipotireoidismo
  • Cirurgias abdominais, principalmente “bypass gástrico”
  • Genética: algumas pessoas têm predisposição genética independente de outros fatores
  • Contato com pesticidas

Mais de 80% dos pacientes com esteatose hepática são obesos, e a condição está fortemente associada à obesidade, diabetes tipo 2 e resistência à insulina.

Evolução da doença

Se não for controlada, a gordura pode evoluir para quadros de inflamação e fibrose, podendo chegar a estágios graves como cirrose e insuficiência hepática, comprometendo a capacidade do corpo de filtrar toxinas e metabolizar nutrientes essenciais. A esteatose hepática é frequentemente assintomática, e os sintomas só aparecem quando o dano já está avançado.

Tratamentos naturais baseados em evidências

1. Reeducação alimentar (tratamento principal)

O primeiro e mais importante tratamento natural é a reeducação alimentar com foco no baixo índice glicêmico. O fígado é o principal responsável por processar o açúcar excedente; quando reduzimos o consumo de pães brancos, doces e refrigerantes, obrigamos o corpo a utilizar a gordura estocada no fígado como fonte de energia.

Recomendações alimentares:

  • Reduzir refrigerante, sucos industrializados e doces frequentes
  • Priorizar fibras como aveia e legumes, que ajudam a estabilizar a insulina e reduzem a lipogênese hepática (processo de criação de nova gordura no órgão)
  • Priorizar verduras, legumes, feijão, frutas inteiras e grãos integrais
  • Consumir proteínas magras como peixe, ovos e frango
  • Usar azeite de oliva no lugar de excesso de gordura saturada
  • Eliminar o açúcar refinado
  • Consumir gorduras boas

2. Cardo-mariano (Silybum marianum)

O uso do Cardo-mariano é um dos recursos fitoterápicos mais reconhecidos pela ciência. Esta planta contém silimarina, um composto com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que ajuda na regeneração das células hepáticas e protege o fígado contra danos causados por toxinas. O consumo em forma de chá ou extrato seco auxilia na estabilização das membranas celulares, dificultando a entrada de substâncias nocivas que poderiam agravar o quadro de esteatose.

3. Alcachofra

A inclusão da alcachofra na dieta oferece benefícios significativos. Rica em cinarina, ela estimula a produção e a secreção de bile, o que facilita a digestão de gorduras e alivia a sobrecarga do fígado. Além disso, a alcachofra possui propriedades depurativas, ajudando o organismo a eliminar resíduos metabólicos de forma mais eficiente. O consumo pode ser feito por meio do alimento cozido ou por meio de infusões, funcionando como um tônico natural para o sistema biliar.

4. Chá verde

O chá verde, devido à sua alta concentração de catequinas, atua como um potente agente na oxidação de gorduras. Estudos indicam que esses antioxidantes ajudam a diminuir o percentual de gordura corporal e, consequentemente, a gordura acumulada no tecido hepático. Beber de duas a três xícaras por dia pode melhorar as funções enzimáticas do fígado e combater o estresse oxidativo, prevenindo que o acúmulo de gordura evolua para uma inflamação crônica.

5. Cúrcuma (açafrão-da-terra)

A curcumina, princípio ativo da cúrcuma, possui uma ação anti-inflamatória poderosa que atua diretamente na redução da inflamação causada pela gordura no fígado. Ela ajuda a inibir as vias metabólicas que levam à formação de tecido fibroso no órgão. Adicionar cúrcuma em pó às refeições ou consumi-la com uma pitada de pimenta-preta (que aumenta sua absorção) é uma estratégia simples e eficaz para proteger a integridade hepática.

Exercícios físicos

A prática regular de exercícios físicos aeróbicos é fundamental. A atividade física não apenas queima calorias, mas melhora a sensibilidade à insulina em todo o corpo. Quando os músculos utilizam a glicose de forma mais eficiente, o fígado recebe menos “combustível” para transformar em gordura.

Recomendações:

  • Fazer pelo menos 150 minutos por semana de atividade física
  • Caminhadas diárias de 30 minutos podem promover uma redução visível nos níveis de gordura hepática em exames de imagem e laboratoriais
  • Não ser sedentário

Outras estratégias naturais

  • Perder peso de forma gradual
  • Consumir alimentos antioxidantes
  • Dormir em horários regulares e limitar o álcool

Importante: acompanhamento médico

É fundamental ressaltar que, embora as abordagens naturais sejam excelentes aliadas na reversão da esteatose leve, elas não substituem a avaliação profissional. O fígado é um órgão silencioso e, muitas vezes, os sintomas só aparecem quando o dano já está avançado.

Portanto, aconselha-se que as pessoas procurem um médico hepatologista ou clínico geral se os sintomas persistirem ou para realizar o acompanhamento necessário, garantindo que o tratamento esteja adequado ao seu quadro clínico específico. O diagnóstico é feito com exames e o tratamento inclui dieta e exercícios.

Antes de recorrer a medicamentos, é preciso adotar hábitos saudáveis. Chás, ervas e suplementos não fazem parte do tratamento padrão contra a esteatose hepática — o único “método natural” comprovado passa pela adequação do estilo de vida, com controle da alimentação e redução do consumo de bebidas alcoólicas.

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