O ataque a Pearl Harbor, realizado em 7 de dezembro de 1941, foi uma ofensiva militar surpresa da Marinha Imperial Japonesa contra a base naval dos Estados Unidos localizada na ilha de Oahu, no arquipélago do Havaí. A operação empregou 353 aeronaves lançadas de seis porta-aviões e atingiu navios de guerra, instalações militares e campos de aviação norte-americanos. O bombardeio matou 2.403 pessoas, entre militares e civis, e provocou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.
A ofensiva foi planejada pelo Japão para neutralizar temporariamente a Frota do Pacífico dos Estados Unidos e permitir a expansão militar japonesa pelo Sudeste Asiático e pelo Pacífico ocidental. O governo de Tóquio pretendia conquistar territórios ricos em petróleo, borracha e outras matérias-primas, reduzindo a capacidade norte-americana de interferir em suas operações. A destruição da força naval estacionada no Havaí deveria proporcionar tempo para consolidar essas conquistas.
O ataque ocorreu enquanto representantes japoneses e norte-americanos ainda mantinham negociações diplomáticas em Washington. A operação começou pouco antes das 8 horas da manhã, no horário local, quando grande parte dos militares norte-americanos estava despreparada para enfrentar uma ofensiva daquela dimensão. A surpresa foi acompanhada por uma intensa destruição material, embora o Japão não tenha conseguido eliminar os principais recursos estratégicos da presença naval norte-americana no Pacífico.
As origens do conflito entre Japão e Estados Unidos
As tensões entre os dois países aumentaram durante a expansão imperial japonesa na Ásia. Em 1931, o Japão ocupou a Manchúria, no nordeste da China, e, em 1937, iniciou uma guerra de grande escala contra os chineses. A política expansionista continuou com a ocupação de territórios na Indochina Francesa, em 1940 e 1941. Essas ações ameaçavam os interesses econômicos e estratégicos norte-americanos no Pacífico e colocavam em risco as possessões coloniais de países europeus na região.
O governo dos Estados Unidos respondeu com restrições comerciais e financeiras. Em julho de 1941, depois da ocupação japonesa da Indochina Francesa, o presidente Franklin D. Roosevelt determinou o congelamento dos ativos japoneses em território norte-americano. A medida, acompanhada por restrições de exportação, contribuiu para interromper o fornecimento de petróleo ao Japão. Como o país dependia de importações para abastecer sua indústria e suas forças armadas, o embargo representava uma ameaça direta à continuidade de suas operações militares.
A liderança japonesa enfrentava uma escolha estratégica: recuar em suas conquistas territoriais ou avançar sobre regiões do Sudeste Asiático que possuíam importantes reservas de petróleo e outras matérias-primas. A segunda alternativa implicava enfrentar os Estados Unidos, o Reino Unido e os Países Baixos, cujas possessões coloniais estavam na área de expansão pretendida por Tóquio. Os dirigentes japoneses decidiram preparar uma ofensiva de grandes proporções para reduzir a capacidade de reação norte-americana antes de iniciar novas conquistas.
As negociações diplomáticas prosseguiram durante os meses finais de 1941, mas não conseguiram impedir a guerra. Em 26 de novembro, o secretário de Estado norte-americano Cordell Hull apresentou aos representantes japoneses uma proposta que exigia, entre outras condições, a retirada das forças japonesas da China e da Indochina. A liderança de Tóquio considerou as exigências incompatíveis com seus objetivos expansionistas. Naquele momento, entretanto, a operação militar contra Pearl Harbor já estava em preparação avançada, e a força naval japonesa havia iniciado sua viagem pelo Pacífico Norte.
O planejamento militar de Isoroku Yamamoto
O principal idealizador da ofensiva foi o almirante Isoroku Yamamoto, comandante da Frota Combinada japonesa. Ele compreendia que uma guerra prolongada contra os Estados Unidos apresentaria enormes dificuldades para o Japão, especialmente diante da capacidade industrial norte-americana. Seu plano consistia em atingir a frota inimiga de maneira devastadora, criando uma janela de oportunidade para a expansão japonesa no Pacífico. O comando operacional da força de ataque ficou com o vice-almirante Chuichi Nagumo.
Em 26 de novembro de 1941, uma esquadra japonesa composta por seis porta-aviões deixou a baía de Hitokappu, nas ilhas Curilas, em direção ao Havaí. A formação transportava centenas de aeronaves e navegou sob rigoroso silêncio de rádio, evitando rotas marítimas habituais. Os navios percorreram milhares de quilômetros pelo Pacífico Norte e chegaram a uma posição de lançamento situada a pouco mais de 200 milhas náuticas ao norte de Oahu. A operação foi organizada para dificultar a detecção antecipada pelos norte-americanos.
A ofensiva japonesa e a destruição da frota americana
Na manhã de 7 de dezembro, os seis porta-aviões lançaram duas ondas de ataque, totalizando 353 aeronaves. A primeira, composta por 183 aviões, decolou por volta das 6 horas, enquanto a segunda reuniu aproximadamente 170 aparelhos. Os japoneses utilizaram torpedeiros, bombardeiros de mergulho, bombardeiros horizontais e caças Mitsubishi A6M Zero. O ataque atingiu simultaneamente os navios ancorados em Pearl Harbor e diversas instalações militares da ilha.
A primeira onda chegou à região por volta das 7h55 e encontrou grande parte da frota norte-americana concentrada no porto. Os japoneses utilizaram torpedos adaptados para operar nas águas relativamente rasas da baía, além de bombas perfurantes capazes de atingir os conveses dos encouraçados. Os campos de aviação também foram bombardeados e metralhados para impedir que os aviões norte-americanos decolassem e organizassem uma reação. A segunda onda começou aproximadamente às 8h40, prolongando os ataques até perto das 10 horas.
A surpresa foi favorecida por falhas na interpretação de informações disponíveis aos militares norte-americanos. Antes do bombardeio, o destróier USS Ward havia atacado um pequeno submarino japonês nas proximidades da entrada do porto. O incidente foi comunicado, mas não provocou uma resposta de alerta adequada. Além disso, operadores do radar da estação de Opana detectaram uma grande formação de aeronaves se aproximando de Oahu às 7h02. O tenente Kermit Tyler, responsável pelo centro de informações, interpretou o sinal como a aproximação de bombardeiros B-17 norte-americanos esperados naquela manhã.
A destruição dos navios de guerra foi particularmente grave na chamada Battleship Row, área onde estavam ancorados vários encouraçados. O USS Arizona sofreu uma explosão em seus depósitos de munição depois de ser atingido por bombas japonesas e afundou rapidamente. O USS Oklahoma virou após receber impactos de torpedos, enquanto o USS West Virginia, o USS California e o USS Nevada também sofreram danos severos. Ao todo, oito encouraçados foram atingidos, e diversos outros navios da Marinha norte-americana foram afundados ou danificados.
As perdas humanas foram igualmente expressivas. Os registros da Marinha norte-americana contabilizam 2.403 mortos ou desaparecidos, incluindo 2.008 integrantes da Marinha, 109 fuzileiros navais, 218 militares do Exército e 68 civis. Outros 1.178 norte-americanos ficaram feridos. O USS Arizona concentrou uma parcela considerável das mortes: 1.177 marinheiros e fuzileiros navais perderam a vida no naufrágio. Do lado japonês, as perdas foram muito menores, com 29 aeronaves e cinco pequenos submarinos perdidos, além de menos de cem militares mortos.
Apesar da dimensão da destruição, a operação não alcançou todos os objetivos estratégicos pretendidos por Yamamoto. Os três porta-aviões da Frota do Pacífico norte-americana — USS Enterprise, USS Lexington e USS Saratoga — estavam fora de Pearl Harbor no momento do ataque. Também permaneceram intactos os principais depósitos de combustível, as instalações de reparação naval e a base de submarinos. Esses recursos seriam fundamentais para a recuperação das forças norte-americanas e para a continuidade das operações militares no Pacífico.
A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial
A notícia do ataque provocou uma reação imediata em Washington. Em 8 de dezembro de 1941, o presidente Franklin D. Roosevelt compareceu ao Congresso e pronunciou o discurso que ficou conhecido como Discurso do Dia da Infâmia. Ele classificou 7 de dezembro como uma data que permaneceria marcada pela infâmia e solicitou uma declaração de guerra contra o Japão. O Congresso aprovou a medida no mesmo dia, com apenas um voto contrário na Câmara dos Representantes.
A entrada norte-americana no conflito modificou o equilíbrio político e militar da Segunda Guerra Mundial. Em 11 de dezembro, a Alemanha nazista e a Itália fascista declararam guerra aos Estados Unidos, que responderam com suas próprias declarações de guerra contra os dois países. A partir daí, os norte-americanos passaram a combater diretamente as potências do Eixo nos teatros europeu, norte-africano e asiático. A mobilização industrial e militar dos Estados Unidos ampliou consideravelmente os recursos disponíveis aos Aliados.
No Pacífico, a ofensiva japonesa prosseguiu com ataques às Filipinas, a Hong Kong, à Malásia, a Guam e a outras posições estratégicas. Entretanto, a capacidade industrial norte-americana permitiu reconstruir rapidamente parte do poder naval atingido em Pearl Harbor. Muitos navios danificados foram recuperados e voltaram ao serviço militar. A guerra naval também passou a depender cada vez mais dos porta-aviões e da aviação embarcada, em detrimento da tradicional concentração de encouraçados.
A Batalha de Midway, travada entre 4 e 7 de junho de 1942, representou uma mudança importante nesse cenário. A Marinha dos Estados Unidos derrotou uma grande força japonesa e destruiu quatro de seus porta-aviões, reduzindo significativamente sua capacidade ofensiva no Pacífico. A batalha demonstrou a importância dos porta-aviões que haviam escapado da destruição em Pearl Harbor e contribuiu para inverter a iniciativa estratégica em favor dos norte-americanos.
A memória do ataque permanece preservada no Memorial Nacional de Pearl Harbor, em Oahu, onde visitantes podem conhecer exposições históricas e homenagens aos mortos. Um dos principais monumentos é o Memorial do USS Arizona, construído sobre os destroços do encouraçado sem tocar diretamente em sua estrutura. Entre os homens que morreram a bordo estavam 38 pares de irmãos, incluindo três grupos de três irmãos; 63 desses 79 militares perderam a vida no ataque. A tragédia de famílias inteiras atingidas pela mesma ofensiva permanece registrada nos memoriais e nos nomes preservados pela Marinha dos Estados Unidos.
