No dia 11 de setembro de 2001, dezenove terroristas ligados à rede Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos e os transformaram em armas contra alvos civis e militares. Dois aparelhos atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York; um terceiro atingiu o Pentágono, em Arlington, na Virgínia; o quarto caiu em um campo próximo a Shanksville, na Pensilvânia, depois que passageiros tentaram retomar o controle da aeronave. Os atentados de 11 de setembro mataram 2.977 pessoas, sem contar os dezenove sequestradores, e permanecem o ataque terrorista mais letal já registrado em solo americano. A sequência de ataques ocorreu em menos de duas horas, entre 8h46 e 10h28, horário da costa leste dos Estados Unidos.
O planejamento dos ataques começou anos antes, sob liderança de Osama bin Laden, fundador da Al-Qaeda, organização fundamentalista que atuava a partir do Afeganistão sob proteção do regime talibã. Khalid Sheikh Mohammed, apontado pela Comissão Nacional sobre os Atentados Terroristas contra os Estados Unidos (conhecida como Comissão do 11 de Setembro) como o principal arquiteto operacional do plano, propôs a ideia original a bin Laden ainda em 1996. Dos dezenove sequestradores, quinze eram cidadãos sauditas; os demais vinham do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e do Líbano. O grupo se dividiu em quatro células, cada uma treinada para dominar uma aeronave distinta usando estiletes e facas de pequeno porte, então permitidos nas bagagens de mão.
Vários integrantes das células, entre eles Mohamed Atta, considerado o líder operacional em solo americano, receberam treinamento de voo em escolas de aviação na Flórida entre 2000 e 2001. Atta pilotou o primeiro avião a atingir o World Trade Center. A Comissão do 11 de Setembro, publicada em 2004 após investigação do Congresso americano, reconstituiu o cronograma detalhado dos sequestros a partir de gravações de caixas-pretas, ligações telefônicas dos passageiros e registros de radar. O relatório apontou falhas de comunicação entre agências de inteligência, como a CIA e o FBI, que já monitoravam alguns dos futuros sequestradores antes dos atentados.
Como os sequestradores assumiram o controle das quatro aeronaves
O voo American Airlines 11 decolou de Boston às 7h59 com destino a Los Angeles e foi o primeiro a ser sequestrado, por volta das 8h14. Cinco homens, liderados por Mohamed Atta, dominaram a cabine, feriram comissários de bordo e assumiram os controles da aeronave, um Boeing 767. Minutos depois, o voo United Airlines 175, também de Boston para Los Angeles, foi sequestrado por outro grupo de cinco homens sob comando de Marwan al-Shehhi. Ambos os aviões foram redirecionados para Nova York, alterando a rota original registrada nos radares da Administração Federal de Aviação (FAA).
O voo American Airlines 77, que ligava Washington a Los Angeles, foi sequestrado por volta das 8h51 por cinco homens comandados por Hani Hanjour, o único do grupo com formação avançada de piloto. A aeronave inverteu o curso sobre Ohio e voou de volta em direção à capital americana, aproveitando uma falha temporária no rastreamento por transponder para dificultar sua localização pelos controladores de tráfego aéreo. Já o voo United Airlines 93, de Newark a São Francisco, foi o último a ser sequestrado, às 9h28, quase quarenta minutos depois dos três primeiros — atraso que se mostraria decisivo para o desfecho do voo.
Os sequestradores usaram estiletes, facas pequenas e, em alguns relatos de passageiros, ameaças de bombas falsas para controlar as cabines e os corredores das aeronaves. Nenhum dos quatro grupos enfrentou resistência armada, porque a legislação de segurança da aviação civil em 2001 permitia embarcar com lâminas de até dez centímetros. Ligações feitas por passageiros e comissários a familiares e a centrais telefônicas em terra, muitas registradas e hoje disponíveis nos arquivos da Comissão do 11 de Setembro, forneceram boa parte do relato minuto a minuto dos sequestros.
Os impactos nas Torres Gêmeas, no Pentágono e o desfecho do voo 93
O voo 11 atingiu a fachada norte da Torre Norte do World Trade Center às 8h46, entre os andares 93 e 99, provocando uma explosão que matou centenas de pessoas instantaneamente e bloqueou as escadas acima do ponto de impacto. Dezessete minutos depois, às 9h03, o voo 175 atingiu a Torre Sul entre os andares 77 e 85, em ângulo diferente, o que permitiu que um número maior de pessoas acima do impacto conseguisse descer por uma das escadarias ainda íntegras. As imagens do segundo impacto, transmitidas ao vivo por emissoras que já cobriam o primeiro incêndio, tornaram os ataques testemunháveis em tempo real para milhões de espectadores.
A Torre Sul, atingida em segundo lugar, colapsou primeiro, às 9h59, cinquenta e seis minutos depois do impacto. A Torre Norte desabou às 10h28, após queimar por 102 minutos. O calor do incêndio, alimentado pelo querosene de aviação, enfraqueceu as vigas de aço da estrutura a ponto de provocar o colapso progressivo dos andares, segundo a reconstrução técnica publicada em 2005 pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), órgão do governo americano responsável pela investigação de engenharia. Existem hipóteses minoritárias, como a de demolição controlada, que não encontram sustentação nos relatórios técnicos oficiais nem no consenso da comunidade de engenharia estrutural.
O voo 77 atingiu a fachada oeste do Pentágono, em Arlington, às 9h37, destruindo parte da ala onde funcionavam escritórios do Exército americano e matando 125 pessoas que trabalhavam no prédio, além dos 59 ocupantes do avião. O impacto ocorreu pouco depois de o presidente George W. Bush, que discursava em uma escola na Flórida, ser informado do primeiro ataque em Nova York e decidir permanecer no local por alguns minutos antes de ser levado a um esconderijo seguro — decisão posteriormente questionada por historiadores e pela própria Comissão do 11 de Setembro.
A reação dos passageiros do voo United Airlines 93
A bordo do voo 93, passageiros e comissários souberam pelo telefone dos ataques já ocorridos em Nova York e no Pentágono e concluíram que o próprio avião fazia parte de um plano maior. Gravações da caixa-preta, analisadas pela Comissão do 11 de Setembro, registraram uma tentativa organizada de retomar o controle da cabine por volta das 9h57, liderada por passageiros como Todd Beamer, Mark Bingham e Jeremy Glick.
O avião caiu em um campo aberto perto de Shanksville, na Pensilvânia, às 10h03, matando os quarenta passageiros e tripulantes e os quatro sequestradores, sem atingir nenhum alvo em terra. A Comissão do 11 de Setembro concluiu que o alvo provável do voo 93 era o Capitólio dos Estados Unidos ou a Casa Branca, em Washington, com base em conversas interceptadas e no depoimento de Khalid Sheikh Mohammed durante interrogatórios posteriores à sua captura em 2003.
As consequências políticas e as investigações após o 11 de setembro
Nas semanas seguintes, o governo de George W. Bush declarou a chamada Guerra ao Terror e, em 7 de outubro de 2001, iniciou a invasão do Afeganistão para derrubar o regime talibã e capturar Osama bin Laden, localizado e morto por forças americanas apenas em maio de 2011, no Paquistão. Em outubro de 2001, o Congresso americano aprovou o Patriot Act, lei que ampliou os poderes de vigilância e investigação das agências de segurança, e em 2002 foi criado o Departamento de Segurança Interna (Department of Homeland Security), reunindo agências antes dispersas entre diferentes ministérios.
A Comissão Nacional sobre os Atentados Terroristas contra os Estados Unidos, criada por lei em 2002 e formada por membros indicados pelos dois principais partidos americanos, publicou seu relatório final em julho de 2004, com recomendações que incluíram a criação da Administração de Segurança de Transportes (TSA) para o controle de bagagens e passageiros em aeroportos. Osama bin Laden assumiu publicamente a autoria dos atentados em um vídeo divulgado pela emissora Al Jazeera em outubro de 2004, encerrando qualquer dúvida historiográfica sobre a autoria da Al-Qaeda.
Uma curiosidade pouco lembrada é que o World Trade Center já havia sido alvo de um ataque anterior: em 26 de fevereiro de 1993, um caminhão-bomba estacionado no estacionamento subterrâneo da Torre Norte explodiu e matou seis pessoas, ferindo mais de mil, em um atentado planejado por Ramzi Yousef, sobrinho de Khalid Sheikh Mohammed — o mesmo que ajudaria a arquitetar os ataques do 11 de setembro oito anos depois. O plano original de 1993 previa derrubar uma torre sobre a outra, algo que só se tornaria realidade, de forma diferente, na manhã de 2001.
