Luiz Inácio Lula da Silva é reeleito presidente do Brasil

O resultado rompeu um padrão eleitoral mantido desde a redemocratização: pela primeira vez, o candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar venceu a etapa decisiva.

HiperHistória
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil neste domingo, 25 de outubro de 2026, ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Com 99,89% das urnas apuradas, Lula recebeu 64.164.036 votos, equivalentes a 51,77% dos votos válidos, enquanto o adversário alcançou 59.785.521 votos, ou 48,23%. A diferença ficou em aproximadamente 4,38 milhões de votos, consolidando uma vitória que ganhou destaque nacional pela reversão do resultado do primeiro turno.

A eleição representou um acontecimento inédito na história das disputas presidenciais brasileiras desde a redemocratização. Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia terminado a primeira etapa na liderança, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Três semanas depois, o petista conseguiu inverter a posição e assegurar a vitória. A virada rompeu uma sequência histórica em que o candidato mais votado no primeiro turno também havia vencido o segundo.

O resultado garantiu a Lula um quarto mandato presidencial, depois das vitórias de 2002, 2006 e 2022. Aos 80 anos, o político pernambucano voltará a ocupar o Palácio do Planalto a partir de 5 de janeiro de 2027, data prevista para a posse presidencial. A vitória também assegurou a continuidade de Geraldo Alckmin (PSB) na Vice-Presidência, em uma eleição marcada pela polarização política e pela mobilização de apoiadores nas ruas e nas redes sociais.

A apuração e a virada de Lula contra Flávio Bolsonaro

A noite eleitoral foi marcada por mudanças na liderança durante a contagem dos votos. Lula começou a apuração à frente, mas Flávio Bolsonaro assumiu a primeira posição às 19h46. O senador permaneceu na liderança por cerca de 40 minutos, até que Lula voltou a ultrapassá-lo às 20h26. A partir desse momento, o petista manteve a dianteira até a confirmação matemática da vitória.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou Lula matematicamente reeleito quando a apuração ainda não havia alcançado a totalidade das urnas. Às 21h08, com 97,69% dos votos apurados, o petista tinha cerca de 62,6 milhões de votos, equivalentes a 51,74% dos válidos. Flávio Bolsonaro somava aproximadamente 58,4 milhões, ou 48,26%. A diferença já era suficiente para garantir que os votos restantes não alterassem o vencedor, embora os números finais ainda fossem atualizados.

A comparação com o primeiro turno ajuda a dimensionar a mudança. Flávio havia terminado a votação de 4 de outubro com uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos sobre Lula. No segundo turno, porém, o candidato do PT ampliou sua votação e superou o adversário por mais de quatro milhões de votos. O resultado não foi uma simples manutenção da preferência eleitoral inicial, mas uma mudança efetiva na distribuição dos votos entre os dois concorrentes.

A campanha que mudou o resultado

A campanha de Lula ganhou fôlego durante o segundo turno, com uma estratégia que combinou mobilizações presenciais, comunicação digital e aproximação direta com eleitores. Houve a intensificação da presença do candidato nas redes sociais, por meio de vídeos gravados em formato de selfie e mensagens de linguagem mais informal.

Um dos movimentos que ganhou visibilidade foi a entrada do deputado André Janones, da Rede de Minas Gerais, na mobilização digital da campanha. Janones criou o grupo de WhatsApp “Exército de Lula”, que reuniu mais de dez milhões de pessoas. A iniciativa ajudou a ampliar a circulação de mensagens favoráveis ao petista e a mobilizar apoiadores no ambiente digital, em uma eleição na qual a comunicação pelas redes teve grande importância.

A campanha também foi acompanhada por manifestações de rua organizadas por movimentos sociais, estudantes e apoiadores. Atos realizados em diferentes cidades deram visibilidade à candidatura e contribuíram para manter a mobilização durante as últimas semanas da disputa. As manifestações não explicam sozinhas a vitória, mas fizeram parte de uma estratégia que procurou transformar o apoio político em participação eleitoral efetiva.

A disputa envolveu ainda propostas para o próximo mandato. Lula defendeu a continuidade e a ampliação de políticas sociais, a valorização do salário mínimo, investimentos em educação e saúde e o fortalecimento da indústria nacional. Na área de segurança pública, seu programa previu a criação de um ministério específico para ampliar a participação do governo federal em políticas que, em grande parte, são conduzidas pelos estados.

O que os números revelam sobre a eleição?

A votação final mostrou que Lula conseguiu ampliar seu apoio em relação ao primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro não conseguiu conservar a vantagem conquistada em 4 de outubro. No segundo turno, a escolha ficou restrita aos dois candidatos mais votados, o que levou eleitores de outras candidaturas e pessoas que haviam votado em branco ou nulo a reconsiderar suas opções. O resultado expressou a capacidade da campanha petista de reunir votos suficientes para superar a diferença inicial.

A participação eleitoral também foi relevante. A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo, a menor taxa para uma segunda etapa presidencial desde 2018. Votos brancos e nulos somaram 3,24%. A redução da abstenção indica que uma parcela maior do eleitorado compareceu às urnas na votação decisiva, embora esse dado, isoladamente, não permita determinar qual candidato foi beneficiado pela participação adicional.

O resultado de São Paulo oferece outro exemplo das diferenças regionais que compuseram a votação nacional. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Flávio Bolsonaro venceu no estado com 53,85% dos votos válidos, enquanto Lula obteve a maioria na capital paulista, com 55,5%. A diferença entre o resultado estadual e o da capital demonstra que as preferências eleitorais variaram mesmo dentro de uma mesma unidade da Federação. O total nacional, portanto, foi construído a partir de cenários locais distintos.

O quarto mandato e o significado político da vitória

A eleição de 2026 amplia uma marca pessoal de Lula na história republicana brasileira. Ele venceu as eleições presidenciais de 2002, 2006, 2022 e 2026, tornando-se o primeiro político eleito diretamente para quatro mandatos presidenciais no país. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, venceu em 1994 e 1998, enquanto Dilma Rousseff foi eleita em 2010 e reeleita em 2014. A comparação ajuda a compreender a dimensão eleitoral da trajetória de Lula, embora os diferentes períodos tenham apresentado condições políticas e institucionais próprias.

A vitória também ocorre em um contexto de polarização que permanece forte desde a eleição de 2018. Flávio Bolsonaro representou uma candidatura vinculada ao campo político construído por seu pai, Jair Bolsonaro, enquanto Lula mobilizou a base tradicional do PT e apoiadores de diferentes setores progressistas. O resultado não elimina a divisão do eleitorado nem garante maioria parlamentar ao governo. A capacidade de negociar com o Congresso será determinante para transformar as propostas de campanha em políticas públicas.

A posse está prevista para 5 de janeiro de 2027, quando Lula e Geraldo Alckmin iniciarão o novo mandato. Até lá, a transição de governo deverá organizar prioridades administrativas e definir os principais nomes da equipe presidencial. Entre os desafios estarão o equilíbrio das contas públicas, o crescimento econômico, a redução das desigualdades, a política ambiental e a articulação com governadores e parlamentares de diferentes partidos.

A virada de 2026 rompeu um padrão que resistia desde a primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, em 1989. Naquele ano, Fernando Collor terminou o primeiro turno à frente de Lula e venceu também o segundo. Nas eleições presidenciais seguintes, com segundo turno, o candidato que liderou a primeira etapa manteve a vantagem na decisão final. Em 2026, essa sequência foi interrompida pelo próprio Lula, que, depois de terminar atrás de Flávio Bolsonaro, conseguiu reverter o resultado e conquistar mais quatro anos no Palácio do Planalto.

MARCADO:
HiperHistória revive os fatos mais importantes da história, um verdadeiro museu virtual das grandes curiosidades do presente e do passado.
Nenhum comentário