Marilyn Monroe nasceu em Los Angeles, em 1º de junho de 1926, com o nome Norma Jeane Mortenson, embora tenha sido batizada como Norma Jeane Baker. Sua infância foi marcada pela instabilidade familiar e por períodos em lares adotivos, antes de ela começar a trabalhar como modelo ainda jovem. Em 1946, assinou seu primeiro contrato cinematográfico e iniciou uma trajetória que a levaria dos pequenos papéis à condição de uma das principais estrelas do cinema americano.
A transformação em Marilyn Monroe ocorreu dentro do sistema de estúdios de Hollywood, que ajudava a construir cuidadosamente a imagem pública de seus atores. No caso dela, a combinação de cabelos loiros, sensualidade, voz característica e talento para a comédia criou a persona da “loira explosiva” que se tornou sua marca. O sucesso, entretanto, também trouxe um problema: Monroe passou a ser frequentemente reduzida à própria aparência, enquanto buscava demonstrar que poderia desempenhar papéis mais complexos.
O reconhecimento cresceu no início dos anos 1950. Depois de participações em filmes como All About Eve (1950) e The Asphalt Jungle (1950), ela começou a receber papéis de maior destaque. Em 1953, Niagara, Gentlemen Prefer Blondes e How to Marry a Millionaire consolidaram sua posição como estrela, transformando seu nome em uma das principais atrações comerciais de Hollywood.
Como Marilyn Monroe se tornou uma estrela
Gentlemen Prefer Blondes, dirigido por Howard Hawks, foi particularmente importante para sua imagem. Como Lorelei Lee, Monroe combinou comédia, canto e sensualidade, enquanto a sequência de “Diamonds Are a Girl’s Best Friend” se tornou uma das representações mais conhecidas de sua carreira. O filme também ajudou a estabelecer uma imagem que seria reproduzida inúmeras vezes pela publicidade, pela moda e pela cultura popular.
Em 1955, The Seven Year Itch, de Billy Wilder, ampliou ainda mais sua fama. A cena em que o vento levanta o vestido branco da personagem sobre uma grade do metrô tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis de Monroe. O estúdio chegou a promover uma filmagem pública da cena em Nova York, atraindo uma multidão, antes de a sequência ser refeita em estúdio. O episódio demonstra como a indústria cinematográfica já explorava a imagem de Monroe como parte essencial da promoção de seus filmes.
Ao mesmo tempo, Monroe procurava modificar sua trajetória profissional. Em 1955, começou a estudar no Actors Studio, em Nova York, buscando maior reconhecimento como atriz. No ano seguinte, fundou a Marilyn Monroe Productions, uma iniciativa incomum para uma atriz de seu tamanho dentro do sistema de Hollywood. A empresa produziu The Prince and the Showgirl (1957), no qual Monroe também atuou ao lado de Laurence Olivier.
De símbolo sexual a atriz reconhecida
Bus Stop, lançado em 1956, foi outro momento importante dessa mudança. Monroe interpretou Chérie, uma cantora de boate que sonha com uma vida diferente, em um papel que exigia maior carga dramática. A atuação ajudou a desafiar a percepção de que ela seria capaz apenas de interpretar personagens construídas em torno de sua aparência.
O reconhecimento alcançou um novo patamar com Some Like It Hot, de 1959. Na comédia dirigida por Billy Wilder, Monroe interpretou Sugar Kane Kowalczyk ao lado de Tony Curtis e Jack Lemmon. O filme foi um grande sucesso e rendeu a ela o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical em 1960, um dos principais prêmios de sua carreira.
Seu último filme concluído foi The Misfits (1961), dirigido por John Huston e escrito por Arthur Miller, então seu ex-marido. A produção apresentou Monroe em um registro mais dramático e marcou uma etapa diferente de sua carreira. Em 1962, ela começou a trabalhar em Something’s Got to Give, mas o filme ficou inacabado após sua morte.
A morte de Marilyn Monroe
Marilyn Monroe morreu em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, em sua casa no bairro de Brentwood, em Los Angeles. Seu corpo foi encontrado durante a madrugada, e uma autópsia apontou uma overdose de barbitúricos. O então médico-legista do condado de Los Angeles, Theodore J. Curphey, posteriormente classificou a causa da morte como uma overdose autoadministrada de sedativos e o modo da morte como provável suicídio.
A conclusão oficial não encerrou as dúvidas em torno do caso. A morte de Monroe alimentou, nas décadas seguintes, numerosas teorias de que ela poderia ter sido assassinada ou que outras pessoas teriam participado de sua morte. Essas versões ganharam força principalmente por causa de relatos sobre seus relacionamentos, suas ligações com figuras políticas e supostas inconsistências na investigação. Entretanto, uma investigação conduzida pelo promotor público de Los Angeles em 1982 não encontrou evidências críveis que sustentassem uma teoria de assassinato e considerou razoável a conclusão anterior de provável suicídio.
A investigação original também foi posteriormente questionada por críticos. Não houve um inquérito público formal, e a equipe responsável pela chamada autópsia psicológica trabalhou durante apenas 11 dias. Anos depois, surgiram críticas sobre pessoas que não haviam sido entrevistadas e sobre informações que poderiam ter sido melhor examinadas. Essas limitações ajudam a explicar por que a morte permaneceu cercada de especulações, mas não constituem, por si mesmas, evidência de homicídio.
A permanência de Marilyn Monroe na cultura popular também pode ser observada na forma como museus e instituições cinematográficas continuam apresentando sua carreira. Em 2026, ano que marca o centenário de seu nascimento, o Academy Museum of Motion Pictures organizou a exposição Marilyn Monroe: Hollywood Icon, reunindo fotografias, documentos, cartas, objetos pessoais e figurinos para examinar como ela construiu e controlou sua imagem pública dentro do sistema de Hollywood.
Um detalhe ajuda a dimensionar a rapidez com que Marilyn Monroe se transformou em fenômeno cultural: em 1953, no mesmo período em que seus principais filmes começavam a chegar ao público, ela apareceu como a primeira centerfold da revista Playboy. A fotografia contribuiu para consolidar sua imagem sexualizada, enquanto seus trabalhos posteriores — especialmente Bus Stop, Some Like It Hot e The Misfits — mostravam uma atriz tentando ampliar os limites dessa imagem. Ao morrer, em 1962, Marilyn Monroe havia trabalhado no cinema por pouco mais de 15 anos, mas sua trajetória profissional efetiva como grande estrela ocupou apenas cerca de uma década.
