Simplício (468-483) – 47º Papa

Simplício foi eleito papa em 25 de fevereiro ou 3 de março de 468 e governou a Igreja de Roma até sua morte, em 10 de março de 483

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Simplício foi eleito papa em 25 de fevereiro ou 3 de março de 468 e governou a Igreja de Roma até sua morte, em 10 de março de 483. Nascido em Tívoli, filho de um cidadão romano chamado Castino, sucedeu o papa Hilário sem disputas registradas pelos cronistas da época. Seu pontificado, de quase dezesseis anos, coincidiu com um dos períodos mais instáveis da história romana.

Quando assumiu o papado, o Império Romano do Ocidente já enfrentava sucessivas crises políticas desde o assassinato do imperador Valentiniano III, em 455. Simplício precisou conduzir a Igreja em meio a invasões germânicas, trocas rápidas de imperadores fracos e disputas teológicas que dividiam o cristianismo entre Roma e Constantinopla. Essa combinação de crise civil e conflito religioso definiu praticamente toda a sua gestão.

Realizações e desafios do papado de Simplício

O evento político mais marcante do período ocorreu em 476, quando o chefe militar Odoacro depôs Rômulo Augusto, último imperador do Ocidente, encerrando formalmente o Império Romano do Ocidente. Ainda que Odoacro professasse o arianismo, considerado herético pela Igreja de Roma, Simplício conseguiu manter certa estabilidade institucional, preservando a autoridade papal sobre Roma mesmo sob um novo poder político bárbaro.

No campo religioso, Simplício dedicou grande parte de seu pontificado a defender as decisões do Concílio de Calcedônia, de 451, contra a heresia eutiquiana, que negava a dupla natureza humana e divina de Cristo. Ele protestou contra a nomeação de Pedro Mongo ao patriarcado de Alexandria e entrou em conflito direto com Acácio, patriarca de Constantinopla, que buscava conciliar posições opostas por meio de um documento chamado Henotikon, aprovado pelo imperador Zenão em 482.

As igrejas construídas por Simplício em Roma

Simplício também deixou um legado arquitetônico relevante para o cristianismo romano. Ele mandou erguer a Basílica de Santo Estêvão Redondo, no Monte Célio, uma das primeiras igrejas de planta circular de Roma, destinada a abrigar relíquias de Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão. Construiu ainda a igreja de Santa Balbina e reformou a de Santo André, ampliando o número de espaços de culto disponíveis para a comunidade cristã da cidade.

Além das construções, Simplício organizou o clero romano de forma mais eficiente para atender fiéis nas grandes basílicas cemiteriais fora dos muros da cidade, como as de São Pedro, São Paulo e São Lourenço. Ele determinou que sacerdotes de regiões específicas de Roma se revezassem nesses templos para garantir batismos, celebração de missas e administração da penitência aos moribundos, prática que reforçou a organização pastoral da diocese.

Depois de um longo período de enfermidade, Simplício morreu em Roma em 10 de março de 483, data que se tornou sua festa litúrgica no calendário católico. Foi sepultado no pórtico da Basílica de São Pedro, no Vaticano, embora o local exato de seus restos mortais tenha se perdido ao longo dos séculos seguintes. Seu sucessor foi o papa Félix III, que herdou tanto o cisma com Constantinopla quanto os desafios de administrar a Igreja sob domínio ostrogodo.

A trajetória de Simplício ilustra como o papado se firmou como instituição de continuidade justamente no momento em que o poder político romano se fragmentava de forma definitiva. Venerado como santo pela Igreja Católica e pela Igreja Ortodoxa, com festa em 10 de março, Simplício é lembrado tanto pela defesa da ortodoxia diante do avanço do monofisismo quanto pela capacidade de manter a estrutura eclesiástica romana funcionando em meio ao colapso do Império do Ocidente.

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