Mosassauro: novas descobertas sobre o réptil

Estudos publicados em 2026 descreveram três novas espécies de mosassauro no Texas, no México e em Marrocos, ampliando o conhecimento sobre esses predadores do Cretáceo

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Paleontólogos descreveram três novas espécies de mosassauro em 2026, ampliando o registro fóssil desse réptil marinho que dominou os oceanos no fim do período Cretáceo, entre 100 e 66 milhões de anos atrás. As descobertas ocorreram no Texas, nos Estados Unidos, no estado mexicano de Nuevo León e nos depósitos de fosfato de Marrocos. Os estudos foram conduzidos por equipes do American Museum of Natural History, da Southern Methodist University, do Perot Museum of Nature and Science, da University of Bath e do Muséum National d’Histoire Naturelle de Paris. Cada achado revelou aspectos distintos sobre o tamanho, a dieta e a diversidade regional desses répteis marinhos pré-históricos.

Mosassauros formam um grupo de répteis marinhos extintos pertencentes à família Mosasauridae, que viveram durante o período Cretáceo e se tornaram os principais predadores dos oceanos em suas últimas dezenas de milhões de anos. Tinham corpo alongado, cauda adaptada à natação e membros transformados em nadadeiras, características que os tornavam eficientes na captura de peixes, tartarugas e outros répteis marinhos, como os plesiossauros. Apesar de conviverem com os dinossauros, não pertenciam a esse grupo, e sim a um ramo de répteis escamados relacionado a lagartos e cobras atuais. O grupo desapareceu na extinção em massa que marcou o fim do Cretáceo, há cerca de 66 milhões de anos, também responsável pelo desaparecimento dos dinossauros não avianos.

Os primeiros fósseis de mosassauro reconhecidos pela ciência foram encontrados em uma pedreira de calcário perto de Maastricht, nos Países Baixos, na segunda metade do século XVIII. O nome do grupo deriva do rio Mosa, denominação latina do rio Meuse, que banha aquela região dos Países Baixos. Essa origem histórica explica por que o mosassauro é considerado um dos répteis marinhos mais estudados desde os primeiros séculos da paleontologia moderna.

Tylosaurus rex: o mosassauro gigante do Texas

Em 21 de maio de 2026, a paleontóloga Amelia Zietlow e os colegas Michael Polcyn, da Southern Methodist University, e Ronald Tykoski, do Perot Museum of Nature and Science, publicaram no periódico Bulletin of the American Museum of Natural History a descrição do Tylosaurus rex. Os fósseis, provenientes da Formação Wolfe City, no norte do Texas, datam de aproximadamente 80 a 79 milhões de anos, período correspondente ao estágio Campaniano do Cretáceo Superior. Segundo o estudo, os espécimes analisados alcançavam entre 7,6 e 13 metros de comprimento, o que coloca o Tylosaurus rex entre os maiores mosassauros já registrados na América do Norte. A pesquisa também identificou dentes serrilhados e uma articulação mandibular com três lobos, características que distinguem a espécie de parentes próximos.

A revisão de fósseis mal identificados

Boa parte dos fósseis atribuídos ao Tylosaurus rex estava catalogada há décadas como pertencente à espécie Tylosaurus proriger, descrita há mais de 150 anos e depositada no Museu de Zoologia Comparada de Harvard. Zietlow iniciou a investigação em 2020, quando era doutoranda na Richard Gilder Graduate School, ligada ao American Museum of Natural History, em Nova York. Ao comparar o material com o holótipo de T. proriger, a equipe percebeu diferenças de tamanho e de estrutura óssea que não podiam ser explicadas apenas pela idade dos animais. Parte significativa dos fósseis reclassificados havia sido doada por paleontólogos amadores da região de Dallas, o que reforça o papel de coleções de museus na identificação de novas espécies.

Prognathodon cipactli, o predador mexicano

Em 2026, uma equipe liderada por Héctor Rivera-Sylva descreveu o Prognathodon cipactli a partir de um crânio fossilizado encontrado na Formação Méndez, na região de Nuevo León, no nordeste do México. O animal viveu no estágio Maastrichtiano do Cretáceo Superior, entre 72 e 66 milhões de anos atrás, em mares rasos e quentes próximos à costa. Diferente de mosassauros com focinho alongado e dentes finos, o Prognathodon cipactli apresentava mandíbulas curtas e robustas, com dentes cônicos adaptados a esmagar presas de concha ou osso mais resistentes. O nome da espécie faz referência a Cipactli, criatura da mitologia mesoamericana associada à origem da Terra nas tradições astecas.

Pluridens imelaki e a diversidade de mosassauros em Marrocos

Em março de 2026, os pesquisadores Nicholas Longrich, da University of Bath, no Reino Unido, e Nour-Eddine Jalil, do Muséum National d’Histoire Naturelle, em Paris, descreveram o Pluridens imelaki na revista científica Diversity. Os fósseis vieram dos depósitos de fosfato de Khouribga, em Marrocos, datados do Maastrichtiano final, entre 67 e 66 milhões de anos atrás. Com um crânio de 1,25 metro e um corpo estimado em mais de 9 metros, a espécie pertence à subfamília Halisaurinae, até então associada a mosassauros de porte menor. O achado mostrou que os halisaurinos alcançaram tamanhos comparáveis aos dos maiores predadores mosasaurídeos da região.

Os depósitos de fosfato marroquinos já revelaram mais de dezesseis espécies distintas de mosassauro, o que torna o local uma das assembleias mais diversas já registradas para esse grupo de répteis marinhos. Segundo Longrich e Jalil, os halisaurinos passaram por uma radiação adaptativa discreta no fim do Cretáceo, em vez de simplesmente perderem espaço para mosassauros maiores da subfamília Mosasaurinae. Esse padrão indica que a diversidade de mosassauros permaneceu elevada em baixas latitudes até pouco antes da extinção em massa que encerrou o período. As três descobertas de 2026, somadas, reforçam que o registro fóssil desses répteis marinhos ainda guarda espécies não descritas em coleções e formações já conhecidas.

Uma curiosidade histórica liga diretamente essas descobertas recentes à origem do próprio nome mosassauro: o crânio fossilizado que deu origem ao grupo foi extraído de uma pedreira de calcário em Maastricht ainda no século XVIII e, décadas depois, chegou a ser confiscado por tropas francesas durante a ocupação da região, em 1795, sendo levado para o Muséum National d’Histoire Naturelle, em Paris, a mesma instituição hoje responsável pela descrição do Pluridens imelaki. O naturalista francês Georges Cuvier examinou esse crânio no início do século XIX e o utilizou como evidência central para demonstrar a existência de espécies extintas, contribuindo para o estabelecimento da paleontologia como campo científico.

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