Silvério (536-537) – 58º Papa

Seu pontificado durou cerca de um ano e meio. Terminou em deposição, num dos episódios mais controversos do século VI

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Silvério foi o papa da Igreja Católica de junho de 536 a novembro de 537. Filho de outro papa, governou Roma durante a Guerra Gótica e morreu no exílio, em 2 de dezembro de 537. Seu pontificado durou cerca de um ano e meio. Terminou em deposição, num dos episódios mais controversos do século VI.

Silvério nasceu na antiga Frusino, atual Frosinone, no Lácio, em data desconhecida. Era filho do papa Hormisda, que governou a Igreja de 514 a 523. Hormisdas havia sido casado antes de ingressar no clero, e o filho nasceu nesse período. Silvério era subdiácono e integrava o clero romano quando foi escolhido.

Quem foi Silvério e como chegou ao papado?

O papa Agapito I morreu em Constantinopla em 22 de abril de 536. Roma vivia sob o domínio dos ostrogodos, e o rei Teodato interveio na sucessão. Segundo o Liber Pontificalis, ele pressionou o clero a aceitar Silvério. A consagração ocorreu em junho de 536.

O cenário político mudou em poucos meses. O imperador Justiniano enviou o general Belisário para reconquistar a Itália. Em dezembro de 536, o exército bizantino entrou em Roma sem combate, pois a maior parte da guarnição ostrogoda se retirou. Fontes antigas sugerem que Silvério apoiou a entrada, para poupar a população de um saque.

A acusação de traição e a deposição

A situação piorou em março de 537, quando o rei Vitiges cercou Roma. Silvério foi acusado de trocar cartas com os godos e de planejar abrir as portas ao inimigo. O Liber Pontificalis afirma que as cartas eram falsas. Procópio de Cesareia, historiador da época, registra a acusação, mas não a comprova.

A imperatriz Teodora tinha interesse próprio. O patriarca Antimo, de tendência monofisita, deposto sob Agapito I, era seu aliado, e Silvério recusara restaurá-lo. Pressionado pela esposa Antonina, Belisário depôs o papa e o obrigou a vestir hábito monástico. Historiadores debatem o peso de cada fator, mas a hostilidade de Teodora consta em fontes como Liberato de Cartago.

Silvério foi enviado a Patara, na Lícia, na Ásia Menor. Lá, o bispo local apelou ao imperador Justiniano em favor do papa. Justiniano ordenou uma investigação e autorizou o retorno a Roma, caso as cartas fossem falsas. Silvério voltou à Itália, mas Belisário o entregou a Vigílio, o novo papa, consagrado em março de 537.

Guardas o levaram à ilha de Palmarola, no arquipélago pontino, no mar Tirreno. Silvério renunciou ao cargo em 11 de novembro de 537, o que legitimou o pontificado de Vigílio. Morreu em 2 de dezembro de 537. Fontes citam privações e maus-tratos, mas nenhuma documenta a causa exata. A tradição cristã o considera mártir.

Silvério deixou poucas obras administrativas, pois a guerra dominou seu pontificado. Seu legado é político e simbólico. Ele apoiou uma entrada pacífica de Belisário em Roma e resistiu às pressões para restaurar Antimo. Sua queda revelou o peso do poder imperial nas eleições papais. A Igreja Católica venera Silvério como santo e mártir, com memória em 20 de junho.

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