João IV foi o 72º papa da Igreja Católica. Seu pontificado começou em 24 de dezembro de 640 e terminou em 12 de outubro de 642, data de sua morte. Nascido na Dalmácia, região dos Bálcãs que atualmente integra a Croácia, governou a Igreja em um período de conflitos religiosos e instabilidade política no Império Bizantino.
Antes de assumir o papado, João IV exercia a função de arcediago da Igreja de Roma, cargo importante na administração eclesiástica. Era filho de Venâncio, um scholasticus, denominação utilizada para identificar um profissional ligado à atividade jurídica. Sua data de nascimento não é conhecida. Alguns estudos apontam a cidade de Zadar como seu provável local de origem, embora essa identificação não seja consensual.
João IV e a defesa da doutrina católica
O início de seu governo foi marcado pela controvérsia monotelista, uma disputa teológica sobre a natureza de Cristo. A doutrina, apoiada pelo imperador Heráclio, defendia que Jesus possuía duas naturezas, divina e humana, mas uma única vontade. João IV rejeitou essa interpretação e manteve a posição de que Cristo possuía duas vontades, correspondentes às suas duas naturezas.
A divergência tinha consequências políticas porque o Império Bizantino procurava estabelecer uma fórmula religiosa capaz de reduzir as divisões entre os cristãos do Oriente. O documento conhecido como Ecthesis, publicado por Heráclio em 638, defendia o monotelismo. João IV posicionou-se contra essa orientação e escreveu ao imperador Constantino III para explicar também a posição de seu antecessor, Honório I, cuja correspondência havia sido interpretada como favorável à doutrina.
A missão de João IV na Dalmácia e na Ístria
Uma das principais realizações do pontificado foi a missão enviada à Dalmácia e à Ístria, provavelmente em 641. João IV encarregou o abade Martinho de levar recursos financeiros para resgatar cristãos mantidos em cativeiro. A região enfrentava conflitos e incursões de povos eslavos e ávaros, que provocaram deslocamentos populacionais e insegurança entre as comunidades cristãs.
A missão também tinha um objetivo religioso: recolher relíquias de mártires locais e transportá-las para Roma. João IV mandou construir um oratório dedicado a São Venâncio, junto ao batistério da Basílica de São João de Latrão, onde as relíquias foram depositadas. O espaço recebeu um mosaico que representa o próprio pontífice segurando uma representação da construção. A obra permanece como importante testemunho artístico de seu governo.
O mosaico do oratório de São Venâncio reúne figuras de santos associados à tradição cristã da região adriática. Entre elas estão Venâncio, Anastácio e Mauro. A composição artística também possui valor histórico por registrar a relação entre Roma e as comunidades cristãs da Dalmácia e da Ístria. A iniciativa de João IV preservou a memória religiosa dessas localidades em um momento de instabilidade.
João IV morreu em Roma, em 12 de outubro de 642, depois de aproximadamente um ano e dez meses de pontificado. Foi sepultado na Basílica de São Pedro, conforme os registros do Liber Pontificalis. As fontes históricas disponíveis não informam a causa de sua morte, portanto não há base documental suficiente para atribuí-la a uma doença específica ou a outra circunstância.
Após sua morte, a Igreja permaneceu sem papa por pouco mais de um mês, até a eleição de Teodoro I, em novembro de 642. O pontificado de João IV ficou marcado pela oposição ao monotelismo e pela assistência às comunidades cristãs de sua terra natal. Sua biografia e as datas de seu governo podem ser consultadas no arquivo oficial do Vaticano
