Agapito I (535-536) – 57º Papa

Morreu em Constantinopla, durante uma missão diplomática ligada à Guerra Gótica. Seu breve pontificado uniu política, teologia e cultura

HiperHistória
Imagem gerada por IA | HiperHistória

Agapito I foi o papa da Igreja Católica entre 13 de maio de 535 e 22 de abril de 536. Nascido em Roma, sucedeu João II e governou por menos de um ano. Morreu em Constantinopla, durante uma missão diplomática ligada à Guerra Gótica. Seu breve pontificado uniu política, teologia e cultura.

Poucos dados sobre sua juventude sobreviveram. O Liber Pontificalis, coletânea medieval de biografias papais, informa que ele nasceu em Roma e era filho do presbítero Gordiano. A data de nascimento é desconhecida. Sabe-se que integrava o clero romano antes da eleição, mas não há registros detalhados de sua carreira.

Quem foi Agapito I e como ele chegou ao papado?

João II morreu em 8 de maio de 535. Agapito foi eleito e consagrado poucos dias depois, em 13 de maio. Roma vivia então sob o Reino Ostrogodo, governado de Ravena. O novo papa assumiu uma Igreja marcada por disputas sucessórias recentes e por tensões com Constantinopla, sede do Império Bizantino do imperador Justiniano.

O equilíbrio político desabou naquele ano. Justiniano iniciou a reconquista da Itália e enviou o general Belisário à Sicília. O rei ostrogodo Teodato, acusado de mandar matar a rainha Amalasunta, temeu a invasão. Em busca de uma saída negociada, pediu ao papa que viajasse a Constantinopla em nome dos godos.

A missão em Constantinopla

Para custear a viagem, Agapito penhorou objetos litúrgicos da Igreja, segundo o Liber Pontificalis. Chegou a Constantinopla no início de 536 e foi recebido com honras. Fracassou, porém, no objetivo político. Justiniano recusou suspender a guerra, e a Itália entrou em um conflito que duraria quase vinte anos.

No campo religioso, obteve sua principal vitória. O patriarca Antimo, transferido de Trebizonda para Constantinopla, era suspeito de simpatizar com o monofisismo, doutrina rejeitada pelo Concílio de Calcedônia, em 451. Agapito exigiu que ele professasse a fé calcedoniana. Antimo não se submeteu, e Justiniano aceitou depô-lo. Em 13 de março de 536, o papa consagrou Menas como novo patriarca.

Agapito morreu em Constantinopla em 22 de abril de 536, cerca de onze meses após a consagração. As fontes antigas não indicam a causa exata. Historiadores atribuem a morte a uma doença, mas nenhum registro confirma o diagnóstico, e não há indícios de violência. Seu corpo voltou a Roma em um caixão de chumbo e foi sepultado na Basílica de São Pedro.

Agapito também se interessou pela formação do clero. O estadista Cassiodoro, autor das Institutiones, conta que planejou com ele uma escola cristã de estudos superiores em Roma, nos moldes de Alexandria e Nísibis. A guerra impediu o projeto. Gregório Magno, por sua vez, registrou a cura de um homem mudo atribuída ao papa, relato de caráter devocional.

Agapito I governou por pouco tempo, mas deixou marcas duradouras. Defendeu a ortodoxia de Calcedônia diante do próprio imperador e mostrou a autoridade do bispo de Roma no Oriente. Seu sucessor, Silvério, foi eleito sob pressão de Teodato em junho de 536. A Igreja Católica venera Agapito I como santo, com memória em 22 de abril.

HiperHistória revive os fatos mais importantes da história, um verdadeiro museu virtual das grandes curiosidades do presente e do passado.
Nenhum comentário