O Dia de Iemanjá, comemorado desde 1923, levou uma multidão de baianos e turistas às ruas do Rio Vermelho, em Salvador. Em 2025, a festa em homenagem à Rainha do Mar completa 103 anos de tradição e tem como tema “Renascer com as Águas de Yemanjá”.
Na madrugada de domingo, o presente principal de Iemanjá saiu do Terreiro Olufanjá – Ilê Axê Iyà Olufandê rumo à Colônia de Pesca Z1, onde ocorreu a tradicional alvorada de fogos. Pela tarde, os pescadores conduziram a oferenda principal até a embarcação que seguirá pelo mar até o Buraco de Iaiá, buraco em formato de concha situado a três milhas náuticas da terra.
Festa de Iemanjá é tradição em Salvador

Um dos mais tradicionais do calendário cultural e religioso da Bahia, o evento movimenta não apenas a fé dos devotos, mas também a economia local. A tradição também encanta visitantes de fora da Bahia.
A ministra da cultura Margareth Menezes marcou presença e lembrou que a pauta ambiental em festas populares, como a de Yemanjá, é fundamental, não só para consagração de uma memória cultural que respeita o meio ambiente, mas para a inclusão da cultura no debate global sobre sustentabilidade.
A história da festa de Iemanjá
Os pescadores da capital baiana, especialmente do bairro do Rio Vermelho, foram os primeiros a oferecer presentes para a divindade das águas na expectativa de que ela pudesse resolver o problema de escassez de peixes. Porém, antes da realização da festa, já existia na cidade, desde o final do século 19, o culto à divindade Iemanjá.

Apesar de ter nascido em Salvador, a festa se espalhou pelo Brasil, podendo ser comemorada em datas distintas, a depender do culto da casa de umbanda ou candomblé. No Rio de Janeiro, por exemplo, acontece o “Dia de Iemanjá no Arpoador”.
Já em Alagoas, os festejos públicos dedicados à Iemanjá acontecem em 8 de dezembro, devido a um episódio conhecido como “Quebra do Xangô”, quando invadiram terreiros, violentaram candomblecistas e umbandistas, e prenderam praticantes das religiões entre os dias 1 e 2 de fevereiro de 1912, fazendo com que diversos terreiros fechassem e que pais e mães de santo acabassem indo embora para outros estados.
A simbologia de Iemanjá
A divindade é associada à fertilidade, à maternidade e protege os pescadores. No Brasil, é comum que o sincretismo atrele a imagem de Iemanjá à Nossa Senhora dos Navegantes, santa católica, o que tornou a orixá conhecida com pele branca e cabelos lisos.

Por conta dessa relação, foi apenas este ano, no centenário das celebrações da Festa de Iemanjá, que a Casa de Iemanjá, lugar em Salvador onde vivem pescadores e marisqueiras da Colônia de Pescadores Z-01 do Rio Vermelho, e comunidade que deu início à Festa de Iemanjá em 1923, ganhou a primeira escultura que personifica Iemanjá com traços da beleza feminina africana, aproximando a população do sagrado e ajudando a compor a identidade local.