Funeral do Papa Francisco ocorrerá no dia 26/04
O Papa Francisco morreu em seu apartamento, suíte 201 da Casa Santa Marta. "AVC, coma, colapso cardiocirculatório irreversível" foram as causas apuradas pelo professor Andrea Arcangeli, diretor do Dicastério de Higiene e Saúde do Vaticano, que muito discretamente fez parte da equipe médica que o atendeu nessas semanas difíceis. A "certificação da morte e a colocação no caixão", que ocorreu ontem à noite na capela da residência pontifícia, é o primeiro capítulo do rito fúnebre, portanto já um ato litúrgico que precede o funeral. Estavam presentes com Arcangeli o decano do colégio cardinalício, Giovanni Battista Re, o cardeal camerlengo, Kevin Farrell, que presidiu o rito vestindo uma estola vermelha, o mestre das celebrações papais, Monsenhor Diego Ravelli, e "os familiares do Romano Pontífice". Ontem à noite, também foram colocados selos no apartamento de Bergoglio em Santa Marta, bem como nos cômodos do Palácio Apostólico que estavam à sua disposição durante esses doze anos, embora ele nunca os tenha utilizado. Também foi realizada a tanatopraxia, providenciando "tudo para a perfeita conservação do corpo, para que sua exibição ocorra com o máximo decoro e respeito". A transladação para São Pedro e o funeral O corpo de Francisco permanece hoje na capela onde…
Os 10 conclaves mais longos da história
Ao longo da história da Igreja Católica, os conclaves — a reunião dos cardeais para eleger um novo papa — tiveram durações bastante variadas. Alguns foram rápidos, resolvidos em dias, enquanto outros se estenderam por meses, até mesmo anos, marcados por tensões políticas e eclesiásticas. Abaixo estão os dez conclaves mais longos já registrados: Conclave de Viterbo (1268–1271): O mais longo da história, durou 2 anos e 9 meses. A demora foi tanta que os cidadãos de Viterbo trancaram os cardeais e até arrancaram o telhado do local para forçá-los a chegar a um consenso. Elegeram o papa Gregório X. Conclave de 1314–1316: Durou 2 anos. Realizado em Avinhão, na França, enfrentou profundas divisões entre cardeais franceses e italianos. Terminou com a eleição de João XXII. Conclave de 1264–1265: Com duração de cerca de 5 meses, esse conclave também foi conturbado, refletindo tensões políticas após o falecimento de Urbano IV. Clemente IV foi o eleito. Conclave de 1280–1281: Levou 6 meses para concluir. O clima hostil em Viterbo atrasou a eleição de Martinho IV. Conclave de 1292–1294: Estendeu-se por 2 anos e 3 meses, terminando com a eleição do eremita Celestino V, que depois renunciaria ao papado. Conclave de 1181:…
Papa será sepultado em Santa Maria Maggiore
Em testamento publicado pelo Vaticano nesta segunda-feira (21/04), o Papa Francisco expôs a sua vontade de ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, e não na Basílica de São Pedro. Leia a íntegra do testamento: Papa Francisco Miserando atque Eligendo Em Nome da Santíssima Trindade. Amém. Sentindo que se aproxima o ocaso da minha vida terrena e com viva esperança na Vida Eterna, desejo expressar a minha vontade testamentária somente no que diz respeito ao local da minha sepultura. Sempre confiei a minha vida e o ministério sacerdotal e episcopal à Mãe do Nosso Senhor, Maria Santíssima. Por isso, peço que os meus restos mortais repousem, esperando o dia da ressurreição, na Basílica Papal de Santa Maria Maior. Desejo que a minha última viagem terrena se conclua precisamente neste antiquíssimo santuário Mariano, onde me dirigia para rezar no início e fim de cada Viagem Apostólica, para entregar confiadamente as minhas intenções à Mãe Imaculada e agradecer-Lhe pelo dócil e materno cuidado. Peço que o meu túmulo seja preparado no nicho do corredor lateral entre a Capela Paulina (Capela da Salus Populi Romani) e a Capela Sforza desta mesma Basílica Papal, como indicado no anexo. O túmulo deve…
As causas da morte do Papa Francisco
As causas da morte do Papa Francisco foram um acidente vascular cerebral (AVC), seguido de um quadro de insuficiência cardíaca irreversível, informou nesta segunda-feira (21) o Vaticano. Segundo a certidão médica que atestou a morte, o papa sofreu um AVC cerebral, entrou em coma e teve um colapso cardiocirculatório irreversível às 7h35, no horário de Roma (2h35 em Brasília). O boletim médico informa que o quadro foi agravado por pneumonia bilateral, bronquiectasias múltiplas, hipertensão e diabetes tipo 2. A morte foi confirmada por um exame de eletrocardiograma. O atestado foi assinado por Andrea Arcangeli, diretor do Departamento de Saúde e Higiene da Cidade do Vaticano. Francisco ficou internado por mais de um mês, entre fevereiro e março, para tratar uma pneumonia bilateral. Apesar de ter recebido alta, o papa continuava em tratamento em casa e apresentava um quadro de saúde que exigia cuidados. Morte do Papa Francisco Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, morreu aos 88 anos dentro de seu apartamento, a residência de Santa Marta. O imóvel fica na Cidade do Vaticano e era onde o pontífice vivia desde 2013, quando foi eleito. "O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada…
De Tagle a Aveline: os cardeais “papabile”
Após a morte do Papa Francisco, circulam nomes de cardeais "papabile" que poderiam substituir o papa argentino. Um deles é o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, prefeito do dicastério para a evangelização e expoente da progressista escola de Bolonha em questões eclesiológicas. Seu nome já havia aparecido nas listas dos "papabili" em 2013, mas na época ele era considerado jovem demais. O fator idade contará no conclave. Um dos cardeais mais conhecidos é o cardeal franciscano Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém, muito apreciado por sua diplomacia e pelas habilidades de governança, inclusive financeira, que demonstrou na Terra Santa. A situação geopolítica colocou seu nome no centro das atenções da mídia diversas vezes nos últimos anos. O prelado lombardo tem apenas 60 anos. Outro italiano que desfruta de fama na faculdade é o chefe dos bispos e arcebispo de Bolonha, Cardeal Matteo Maria Zuppi. Sinodalidade Outro cardeal que teve a oportunidade de se dar a conhecer aos seus confrades nos últimos anos através do seu papel como secretário-geral do Sínodo é o maltês Mario Grech. Um passado conservador, um presente muito progressista, Grech pôde afirmar a ideia de sinodalidade que Francisco levou adiante em seus doze anos de pontificado. Um…
Como será o funeral do Papa Francisco?
Como homem simples, o Papa Francisco terá um funeral diferente dos seus antecessores, por vontade própria. Em 2024, ele decidiu simplificar o cerimonial, em particular no que diz respeito à tradição secular de exibir o corpo do Pontífice. Em várias entrevistas, Jorge Mario Bergoglio antecipou sua intenção de ser enterrado "com dignidade, mas como todo cristão". Daí a decisão de não mostrar aos fiéis o corpo num catafalco, mas dentro do caixão aberto, e de eliminar a etapa intermediária de uma capela de repouso no Palácio Apostólico Vaticano para a despedida final das autoridades eclesiásticas e civis. As últimas imagens desses ritos permanecerão, portanto, as de 2023, por ocasião da morte do Papa Emérito Bento XVI, ocorrida dez anos após sua renúncia, e as de 2005, por ocasião do funeral de João Paulo II. O novo ritual O Papa argentino, que veio "quase do fim do mundo", reuniu regras antigas e novas sobre o funeral do Pontífice no Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, aprovado por Bergoglio em 29 de abril de 2024. A edição de 1969 da ordem já havia sido integrada por atos subsequentes que introduziram mudanças nos ritos fúnebres de Paulo VI e João Paulo I, em 1978, e…
Papa Francisco: o legado do primeiro papa sul-americano
Jorge Mario Bergoglio, conhecido mundialmente como Papa Francisco, foi uma figura central na história contemporânea da Igreja Católica. Nascido em 17 de dezembro de 1936, em Buenos Aires, Argentina, ele foi o primeiro papa nascido no continente americano e o primeiro jesuíta a assumir o papado. Sua vida, desde a infância na Argentina até sua ascensão ao trono de Pedro, foi marcada por uma profunda dedicação à fé, à justiça social e ao serviço aos mais necessitados. Infância e juventude Jorge Mario Bergoglio nasceu em uma família de imigrantes italianos. Seu pai, Mario Bergoglio, era um trabalhador ferroviário, e sua mãe, Regina Sívori, era dona de casa. Ele cresceu em um bairro modesto de Buenos Aires, onde desenvolveu um forte senso de comunidade e solidariedade. Durante sua juventude, ele trabalhou brevemente como técnico químico antes de discernir sua vocação religiosa. Formação religiosa e vida como jesuíta Em 1958, Bergoglio ingressou na Companhia de Jesus (Jesuítas), onde iniciou sua formação religiosa. Ele estudou humanidades no Chile e, ao retornar à Argentina, completou seus estudos em filosofia e teologia. Foi ordenado sacerdote em 13 de dezembro de 1969. Como jesuíta, ele assumiu diversos cargos, incluindo professor de teologia, mestre de noviços e…
Morre o Papa Francisco aos 88 anos
O Papa Francisco, uma voz dos pobres que reformulou a Igreja Católica, morreu aos 88 anos, segundo o Vaticano. A morte do papa foi anunciada na manhã de segunda-feira pelo cardeal Kevin Farrell, camerlengo do Vaticano. “Queridos irmãos e irmãs, é com profunda tristeza que comunico a morte do nosso Santo Padre Francisco”, disse um comunicado do camerlengo. Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Sua Igreja. Farrell continuou: “Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados”. Francisco: de Buenos Aires a Roma Jorge Mario Bergoglio foi ordenado sacerdote em dezembro de 1969, prestes a completar 33 anos. Já como padre jesuíta, foi nomeado bispo auxiliar de Buenos Aires e, posteriormente, em 2001, como cardeal, pelo então papa João Paulo II. Como arcebispo de Buenos Aires, diocese com mais de 3 milhões de pessoas, elaborou um projeto missionário centrado na comunhão e na evangelização e com foco na assistência aos pobres e aos enfermos. Francisco foi sucessor do papa emérito Bento XVI que, em fevereiro de…
O que acontece após a morte do Papa?
A morte de um Papa é um dos eventos mais solenes da Igreja Católica, desencadeando um protocolo rigoroso estabelecido pela Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada por João Paulo II em 1996. Esse documento regulamenta todas as etapas desde o falecimento do Pontífice até a eleição de seu sucessor. Recentemente, o Papa Francisco tomou decisões próprias sobre os ritos de sua morte, trazendo mudanças importantes para o protocolo tradicional. 1. Confirmação da morte O primeiro passo é a verificação oficial da morte do Papa. O Camerlengo (cardeal responsável pela administração da Igreja durante a vacância do papado) confirma o falecimento chamando o nome do Pontífice três vezes. Em seguida, ele assina a certidão de óbito. Antigamente, o camerlengo tocava a testa do defunto com um pequeno martelo de prata, chamando-o pelo nome de batismo. 2. Sede vacante Com a morte do Papa, a Igreja entra em estado de Sede Vacante, ou seja, sem um ocupante no trono de Pedro. Durante esse período, o Camerlengo assume o governo temporário do Vaticano e ordena o lacre dos aposentos do Papa. Nenhuma decisão administrativa ou doutrinária pode ser tomada até a eleição do novo Papa. 3. Período de luto A Constituição Universi Dominici…
Alexandre I (105-115) – 6º Papa
Alexandre I foi o sexto papa da Igreja Católica, sucedendo Evaristo I e liderando a Igreja entre os anos 105 e 115 d.C., durante o império de Trajano. Embora pouco se saiba com precisão histórica sobre sua vida, seu pontificado é tradicionalmente associado à consolidação de práticas litúrgicas e à continuidade da missão evangelizadora da Igreja primitiva em meio às perseguições romanas. Contribuições Litúrgicas e Tradições da Igreja Durante o pontificado de Alexandre I, a tradição católica atribui a ele a introdução do uso da água benta misturada com sal, prática que mais tarde se tornou comum na liturgia cristã como símbolo de purificação e proteção espiritual. Alexandre I também teria reforçado o uso da Eucaristia durante a celebração da missa, valorizando a presença real de Cristo no pão e no vinho consagrados, o que fortaleceu a teologia sacramental da Igreja. Outra medida atribuída a Alexandre I foi a instituição da consagração dos cálices e patenas, objetos sagrados utilizados durante a celebração da Santa Missa. Essa valorização dos elementos litúrgicos refletia o crescente desenvolvimento da espiritualidade e do simbolismo cristão nas cerimônias religiosas. Tais ações contribuíram para a identidade ritualística da Igreja, que começava a se diferenciar claramente de outras…
O duelo entre Santo Ambrósio e Teodósio I
Em 390, um grave episódio abalou a cidade de Tessalônica e colocou em evidência a relação entre o poder imperial e a autoridade de Santo Ambrósio, bispo de Milão, no final do Império Romano. A população aguardava as corridas de bigas no hipódromo, um dos grandes espetáculos públicos da Antiguidade, quando uma disputa envolvendo um famoso cocheiro desencadeou uma sequência de acontecimentos que terminaria em um dos mais controversos massacres do período. O conflito começou quando Buterico, comandante militar responsável pelas tropas estacionadas na cidade, determinou a prisão de um conhecido cocheiro. As razões exatas da prisão não são totalmente claras nas fontes antigas, mas sua detenção provocou forte indignação popular. A multidão exigiu que o homem fosse libertado a tempo de participar das corridas, mas Buterico recusou-se a atender ao pedido. A tensão rapidamente se transformou em violência. Uma multidão revoltada atacou o comandante e o matou. Para o imperador Teodósio I, o assassinato de um alto funcionário imperial representava um grave desafio à autoridade de Roma e não poderia ficar sem resposta. O massacre de Tessalônica Inicialmente, Teodósio teria demonstrado disposição para punir os responsáveis pela revolta. A situação, entretanto, tomou um rumo trágico. Quando os habitantes se…
João Paulo II: há 20 anos morria o papa polonês
No final de março de 2005, o estado de saúde de João Paulo II se agravou consideravelmente. O papa, que há anos enfrentava o Mal de Parkinson, passou a sofrer com infecções e complicações respiratórias. Em 30 de março, perdeu a capacidade de falar, agravando a comoção entre os fiéis. O Vaticano confirmou que ele havia recebido a Unção dos Enfermos, sinalizando que sua condição era crítica. Os últimos momentos de João Paulo II No dia 1º de abril de 2005, João Paulo II entrou em uma fase irreversível de declínio. Os médicos relataram uma grave falência múltipla dos órgãos, e a Santa Sé anunciou que o papa estava consciente, mas muito fraco. Apesar das dificuldades, permaneceu em oração e até escreveu um bilhete pedindo que os fiéis continuassem a acompanhá-lo espiritualmente. Na tarde de 2 de abril, João Paulo II entrou em coma. Às 21h37, horário de Roma, o Vaticano confirmou o falecimento do pontífice. O secretário de Estado do Vaticano, Ângelo Sodano, e os cardeais presentes prestaram suas últimas homenagens, enquanto milhões de fiéis ao redor do mundo choravam a perda de um dos papas mais carismáticos da história. O anúncio da morte na Praça de São Pedro…