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São Benedito: conheça a sua história

São Benedito: conheça a sua história
Foto: Google Gemini/HiperHistória

São Benedito, também conhecido como Benedito, o Mouro, nasceu em 1524 na pequena aldeia de San Fratello, na ilha da Sicília, Itália. Seus pais, Cristóvão e Diana, eram escravos de origem africana (provavelmente da Etiópia) que haviam sido levados para a Europa. Devido à lealdade e ao bom serviço de seus pais, seus senhores prometeram que, se tivessem um filho, ele nasceria livre. Assim, Benedito veio ao mundo como um homem livre, embora tenha crescido em um ambiente de extrema pobreza e simplicidade.

Desde a infância, Benedito trabalhou como pastor de ovelhas para ajudar no sustento da família. Durante esse período, já demonstrava uma forte inclinação para a oração e uma paciência notável. Mesmo sendo frequentemente alvo de escárnio e preconceito devido à cor de sua pele e de sua origem humilde, ele respondia às ofensas com mansidão e silêncio, o que começou a lhe garantir uma reputação de santidade entre os moradores locais.

São Benedito e a disciplina espiritual

Aos 21 anos, sua vida tomou um rumo decisivo quando conheceu Jerônimo Lanza, um nobre que havia abandonado a riqueza para viver como eremita sob a regra de São Francisco de Assis. Impressionado com a piedade do jovem pastor, Lanza convidou-o a juntar-se ao seu grupo. Benedito aceitou o chamado, vendeu seus poucos pertences e dedicou-se à vida eremítica, onde sua disciplina espiritual e caridade logo o destacaram, fazendo com que, eventualmente, se tornasse o líder da comunidade após a morte de Lanza.

Quando o Papa Pio IV ordenou a dissolução dos pequenos grupos eremitas independentes, São Benedito ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, no Convento de Santa Maria de Jesus, em Palermo. Ali, entrou como irmão leigo e foi designado para trabalhar na cozinha, uma das tarefas mais humildes do mosteiro. Foi entre as panelas e o fogão que ele viveu grande parte de sua vida religiosa, transformando o ato de cozinhar em uma constante oração e serviço aos irmãos e aos pobres que batiam à porta.

Foi na cozinha que muitos dos milagres atribuídos a ele aconteceram. A tradição conta que, muitas vezes, quando os mantimentos eram escassos, Benedito orava e a comida se multiplicava milagrosamente para alimentar todos os frades e os necessitados. Outras lendas narram que anjos eram vistos ajudando-o a preparar as refeições quando ele estava absorto em êxtase espiritual, garantindo que o almoço estivesse pronto a tempo, mesmo quando ele passava horas em oração profunda.

Canonizado pelo Papa Pio VII

Apesar de ser analfabeto e leigo, sua sabedoria e discernimento espiritual eram tão profundos que ele foi escolhido, em uma decisão inédita, para ser o Guardião (Superior) do convento. Ele tentou recusar o cargo, alegando sua incapacidade e falta de instrução, mas obedeceu aos votos. Durante seu tempo como líder, guiou a comunidade com prudência e caridade, chegando a aconselhar teólogos e sacerdotes que o procuravam para resolver questões complexas da doutrina, que ele compreendia pela “ciência infusa” do Espírito Santo.

São Benedito faleceu em 4 de abril de 1589, aos 65 anos, aclamado pelo povo como santo imediatamente após sua morte. Foi canonizado oficialmente apenas em 1807, pelo Papa Pio VII. No Brasil, sua devoção tornou-se imensa, especialmente entre as populações negras escravizadas, que viam nele um modelo de dignidade e santidade. Hoje, ele é um dos santos mais populares do país, celebrado com festas folclóricas, congadas e sendo venerado como o padroeiro dos cozinheiros, dos negros e das donas de casa.

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