A origem do sorvete remonta ao século IV a.C. e tem muitas versões. As primeiras referências incluem o imperador romano Nero (37-68 d.C.), que ordenou que gelo fosse trazido das montanhas e combinado com coberturas de frutas. O rei Tang (618-97 d.C.), de Shang, na China, tinha um método para criar misturas de gelo e leite. Com o tempo, receitas de sorvetes, sherbets e sorvetes de leite evoluíram e passaram a ser servidos nas elegantes cortes reais italiana e francesa.
Após a importação da sobremesa para os EUA, ela passou a ser servida por vários americanos famosos, incluindo George Washington e Thomas Jefferson. Em 1700, o governador Bladen, de Maryland, a serviu aos seus convidados. Em 1774, um bufê londrino chamado Philip Lenzi anunciou em um jornal de Nova York que ofereceria diversos doces, incluindo sorvete. Dolly Madison a serviu em 1812, enquanto era primeira-dama dos EUA.
O sorvete se popularizou em todo o mundo na segunda metade do século XX, com a popularização da refrigeração barata. Houve uma explosão de sorveterias, sabores e tipos. Os vendedores frequentemente competiam com base na variedade: os restaurantes do Howard Johnson anunciavam “um mundo de 28 sabores”, e a Baskin-Robbins fez de seus 31 sabores, a base de sua estratégia de marketing.
A evolução do sorvete
Quem inventou o método de usar gelo misturado com sal para baixar e controlar a temperatura dos ingredientes proporcionou um grande avanço na tecnologia de sorvetes. Também foi importante a invenção do freezer de balde de madeira com pás rotativas, que aprimorou a fabricação de sorvetes.
Augustus Jackson, também conhecido como “Pai do Sorvete”, era um sorveteiro e confeiteiro afro-americano da Filadélfia, Pensilvânia. Na década de 1820, trabalhou na Casa Branca como chef durante a presidência de James Monroe. Após deixar a Casa Branca, abriu seu próprio negócio de buffet. Jackson inventou um método para controlar o congelamento do creme e desenvolveu diversos sabores de sorvete, que vendia em latas. Mais tarde, tornou-se distribuidor para sorveterias.
Em 1846, Nancy Johnson patenteou um freezer acionado manualmente que estabeleceu o método básico de fabricação de sorvete, usado até hoje. William Young patenteou o similar “Johnson Patent Ice-Cream Freezer” em 1848.

Em 1851, Jacob Fussell, em Baltimore, fundou a primeira fábrica de sorvetes comerciais em larga escala. Alfred Cralle patenteou um molde e uma colher de sorvete usados para servi-lo em 2 de fevereiro de 1897.
A guloseima tornou-se distribuível e lucrativa com a introdução da refrigeração mecânica. A sorveteria, ou máquina de refrigerantes, tornou-se um ícone da cultura americana desde então.
Por volta de 1926, o primeiro freezer de processo contínuo comercialmente bem-sucedido para sorvete foi inventado por Clarence Vogt.
O sorvete hoje
Hoje, o mercado de sorvetes oferece uma incrível variedade de sabores e tipos que atendem a todos os gostos e necessidades. Além dos clássicos como chocolate, baunilha e morango, há opções exóticas como matchá, lavanda, queijo com goiabada e até sabores salgados, como bacon ou azeite de oliva.
Também se popularizaram os sorvetes veganos, sem lactose e sem açúcar, feitos com leites vegetais e adoçantes naturais, ampliando o acesso ao produto por pessoas com restrições alimentares. Há ainda sorvetes artesanais, gourmet, soft, gelatos italianos e picolés de frutas naturais, mostrando como esse doce gelado evoluiu e se diversificou com a criatividade e as demandas do público.
Sorveterias na Bahia e no Brasil
O Brasil abriga grandes redes de sorveterias que se tornaram referência nacional, combinando tradição, inovação e qualidade. Marcas como Bacio di Latte, especializada em gelatos artesanais no estilo italiano, e a Chiquinho Sorvetes, com forte presença em cidades do interior, destacam-se pelo alcance e variedade de produtos.
Outra rede popular é a Sorvetes Rochinha, originária do litoral paulista, conhecida pelos sabores tropicais e pelo uso de frutas frescas. Além disso, empresas regionais como a São Domingos (AL) e a Cairu (PA), com seus sabores típicos da Amazônia como cupuaçu, açaí e taperebá, mostram a riqueza cultural e gastronômica brasileira no universo dos sorvetes.
Na Bahia, algumas sorveterias conquistaram fama tanto pela qualidade quanto pelo resgate de ingredientes regionais. A Sorveteria da Ribeira, em Salvador, é uma das mais tradicionais e icônicas do estado, fundada em 1931 e famosa por seus sabores de frutas típicas como umbu, jenipapo e graviola. Outra referência é a A Cubana, localizada no Pelourinho, que combina charme histórico com receitas clássicas.
Também merecem destaque a Le Glacier Laporte, com inspiração francesa e sabores requintados, e a Sorvetes Real, muito conhecida no interior baiano. Essas sorveterias não apenas refrescam, mas também preservam o sabor da cultura local.
