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Fungo mortal do Antigo Egito pode virar aliado contra o câncer

Fungo mortal do Antigo Egito pode virar aliado contra o câncer
Foto: Pixabay

O Aspergillus flavus é um fungo venenoso conhecido por contaminar plantações e por ter sido relacionado a mortes ocorridas durante escavações de túmulos antigos. No entanto, cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, conseguiram convertê-lo em um poderoso agente contra o câncer, ao alterar componentes moleculares do fungo e testá-los em células de leucemia.

Há cem anos, o arqueólogo inglês Howard Carter entrou na câmara funerária selada do lendário governante egípcio, o Rei Tutancâmon, revelando suas entranhas decrépitas, porém deslumbrantes, ao mundo moderno pela primeira vez — e, como diz o mito popular, desencadeando uma mortal “maldição da múmia”.

“A maldição da múmia” a partir do fungo

À medida que figuras proeminentes e arqueólogos visitavam o túmulo, alguns acabaram sofrendo mortes prematuras nos dias, semanas e meses seguintes, principalmente de ataque cardíaco, exaustão ou pneumonia. A mídia noticiou cada caso e, de forma sensacionalista, exaltou a ideia de que a maldição de uma múmia pudesse ser a causa.

O microbiologista polonês Bolesław Smyk posteriormente encontrou o A. flavus mencionado anteriormente por toda a tumba e especulou que ele poderia ter contribuído para as mortes. A espécie fúngica é a segunda principal causa de aspergilose em humanos, uma doença potencialmente mortal que afeta com mais frequência os pulmões de pessoas com sistema imunológico enfraquecido. Em casos mais leves, a condição pode causar inflamação aguda e problemas respiratórios, mas em casos mais graves, o fungo pode crescer nos pulmões e até se espalhar por todo o corpo.

A descoberta dos cientistas da Pensilvânia

Cientistas descobriram que as moléculas partilhavam estruturas de anéis entrelaçados, que foram batizadas “asperigimicinas”. Mesmo sem modificações, ao serem combinadas com células leucêmicas humanas, duas dessas quatro variantes demonstraram efeitos anticancerígenos potentes.

A uma terceira variante os cientistas da Pensilvânia acrescentaram um lipídio também encontrado na geleia real das abelhas: o composto funcionou tão bem quanto a citarabina e a daunorrubicina, dois fármacos aprovados pelas autoridades sanitárias dos EUA, empregados há décadas no tratamento da leucemia.

Notou-se ainda que os compostos tiveram pouco ou nenhum efeito sobre células do câncer de mama, fígado e pulmão, ou sobre diversas bactérias e fungos. Isso sugere que a ação disruptiva das asperigimicinas é específica para certos tipos de célula – uma característica fundamental para eventuais usos terapêuticos.

Além de revelar o potencial terapêutico dessas substâncias, a pesquisa também encontrou conjuntos semelhantes de genes em outros tipos de fungos, indicando que ainda há muitos RiPPs fúngicos a serem explorados. O próximo estágio será avaliar as asperigimicinas em testes com animais, como preparação para possíveis estudos clínicos em humanos.

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