Teodoro I foi o 73º papa da Igreja Católica. Eleito em 12 de outubro de 642 e consagrado em 24 de novembro daquele ano, governou até 14 de maio de 649, quando morreu em Roma. Seu pontificado ocorreu durante um período de tensões entre a Igreja de Roma e o Império Bizantino, principalmente por divergências sobre a natureza de Jesus Cristo.
Nascido em Jerusalém, Teodoro era de origem grega e filho de um bispo também chamado Teodoro. As fontes não oferecem informações detalhadas sobre sua infância ou formação religiosa. É possível que tenha deixado a Palestina em consequência das conquistas árabes na região e se estabelecido em Roma, onde se aproximou das comunidades cristãs orientais. Essa hipótese, porém, não pode ser considerada uma certeza documental.
Teodoro I e a oposição ao monotelismo
A principal questão de seu governo foi o monotelismo, doutrina que defendia a existência de uma única vontade em Cristo, embora reconhecesse suas naturezas divina e humana. A posição era apoiada pelo imperador Heráclio e estava expressa na Ecthesis, documento publicado em 638. Teodoro rejeitou essa interpretação e defendeu a doutrina das duas vontades de Cristo, conforme suas duas naturezas.
Ao assumir o papado, Teodoro herdou a controvérsia de seus antecessores e passou a exigir que Constantinopla abandonasse a orientação monotelista. Também questionou a legitimidade da escolha de Paulo II como patriarca de Constantinopla, pois considerava irregular a deposição de seu antecessor, Pirro. O papa condicionou o reconhecimento do novo patriarca à realização de um sínodo que examinasse a questão.
A disputa com os patriarcas de Constantinopla
Em 645, Teodoro recebeu em Roma o antigo patriarca Pirro, que havia rejeitado temporariamente o monotelismo após uma discussão teológica em Cartago com Máximo, o Confessor. O encontro fortaleceu a posição de Roma na controvérsia. Pirro, entretanto, voltou a defender a doutrina posteriormente e acabou condenado em um sínodo romano realizado por volta de 646 ou 647.
O papa também enfrentou Paulo II, que declarou abertamente sua adesão ao monotelismo em 645. Teodoro tentou convencê-lo a mudar de posição e pressionou o imperador Constante II a retirar a Ecthesis. Em 648, o imperador publicou o Typos, documento que revogava a orientação anterior, mas proibia novas discussões sobre as vontades de Cristo. A medida não resolveu o conflito religioso.
Além das disputas doutrinárias, Teodoro promoveu intervenções em igrejas de Roma e valorizou a memória dos mártires cristãos. Em 648, transferiu as relíquias de São Primo e São Feliciano para a igreja de Santo Estêvão Redondo, no monte Célio, onde foram depositadas em um espaço decorado com mosaicos. Também são atribuídas a seu governo obras de restauração e ampliação de edifícios religiosos, embora algumas atribuições sejam discutidas pelos historiadores.
Teodoro morreu em 14 de maio de 649, em Roma, após aproximadamente seis anos e meio de pontificado. Foi sepultado na Basílica de São Pedro. As fontes históricas não esclarecem a causa de sua morte, e não há comprovação documental de que tenha sido envenenado, hipótese que aparece em relatos posteriores. Portanto, não é possível determinar se morreu por doença ou por outra circunstância.
O sucessor de Teodoro foi Martinho I, eleito em julho de 649, que deu continuidade à oposição ao monotelismo e convocou o Concílio de Latrão naquele ano. Teodoro não chegou a acompanhar esse encontro, mas deixou uma Igreja romana mais firmemente posicionada contra a interferência doutrinária de Constantinopla. Seu pontificado também preservou importantes testemunhos artísticos e religiosos da Roma do século VII.
