HiperHistória
Cultura

Brindar o Réveillon: como surgiu a tradição?

Brindar o Réveillon: como surgiu a tradição?
Foto: Google Gemini/HiperHistória

A tradição de brindar o Réveillon com champanhe ou sidra tem origem em antigas práticas europeias de celebração e prosperidade. O ato de erguer as taças e brindar simboliza união, boa sorte e renovação dos laços sociais. Desde tempos antigos, o vinho era associado a alegria e abundância — os gregos e romanos já o utilizavam em rituais religiosos e festas. Com o passar dos séculos, o espumante, especialmente o champanhe, tornou-se símbolo de luxo, celebração e novos começos.

O champanhe surgiu na região de Champagne, no nordeste da França, entre os séculos XVII e XVIII. Diferente dos vinhos tranquilos, ele passou a ser produzido com bolhas, fruto de uma segunda fermentação natural dentro da garrafa. A lenda mais famosa atribui a invenção ao monge beneditino Dom Pérignon, da Abadia de Hautvillers, que teria descoberto por acaso o segredo da efervescência e exclamado: “Estou bebendo estrelas!”. Embora o processo tenha sido aperfeiçoado posteriormente, seu nome ficou para sempre ligado ao nascimento do champanhe.

Champanhe e réveillon

No início, o champanhe era uma bebida reservada à nobreza francesa. Luís XIV, o “Rei Sol”, apreciava seu sabor e o servia em banquetes e cerimônias da corte de Versalhes. No século XVIII, tornou-se moda nas cortes europeias brindar com champanhe em casamentos, coroações e celebrações de paz. A bebida passou a representar elegância, vitória e felicidade — atributos que se ajustaram perfeitamente ao espírito do Ano-Novo.

Com o avanço da produção vinícola e a popularização do consumo, o champanhe se transformou em sinônimo universal de celebração. As borbulhas simbolizam a leveza e a efervescência da vida, e o som do estouro da rolha é visto como um chamado à alegria. No Réveillon, brindar com champanhe tornou-se um ritual para “espantar” as energias negativas e atrair prosperidade para o novo ciclo.

A sidra

Já a sidra, embora menos sofisticada, possui uma tradição igualmente antiga e simbólica. Sua origem remonta à Antiguidade, especialmente às regiões do norte da Espanha e da França, onde abundavam maçãs. Feita pela fermentação natural do suco dessa fruta, a sidra era uma bebida popular entre camponeses e marinheiros. Com o tempo, passou a ser usada em celebrações locais e religiosas, sempre associada à fartura e à boa colheita.

No Brasil, a sidra ganhou espaço como alternativa mais acessível ao champanhe, especialmente durante as festas de fim de ano. Desde o século XX, tornou-se presença obrigatória nas mesas de Réveillon, democratizando o gesto do brinde. Assim, tanto o champanhe quanto a sidra simbolizam o mesmo desejo universal: celebrar a vida, brindar ao futuro e começar o ano com esperança e alegria.

Leia também

Conheça a cajuína, o sabor do Nordeste

HiperHistória

Weihenstephan, a cerveja mais antiga do mundo

HiperHistória

Papa Pio VII e Napoleão: o embate

HiperHistória

A história da cerveja

HiperHistória

Usamos cookies para melhorar sua experiência, analisar tráfego e personalizar conteúdo. Ao continuar, você concorda. Ok Leia mais