As ruínas do RMS Titanic, localizadas a quase 4 mil metros de profundidade no Atlântico Norte, continuam a fascinar cientistas, mergulhadores e curiosos mais de um século após o naufrágio em 1912. Desde sua descoberta em 1985, dezenas de expedições foram realizadas para explorar o navio, algumas bem-sucedidas e outras marcadas por tragédia. A cada incursão, novas descobertas alimentam tanto a ciência quanto o imaginário popular.
As primeiras visitas ao Titanic nos anos 1980 tiveram caráter estritamente científico, com o objetivo de mapear os destroços e avaliar a conservação da estrutura. Ao longo da década de 1990, avançou-se no uso de submarinos tripulados e veículos operados remotamente (ROVs), permitindo imagens inéditas das cabines, salões e até objetos pessoais. Essas missões trouxeram à tona peças icônicas que hoje estão expostas em museus ao redor do mundo.
Missões de sucesso
Entre as incursões de maior destaque está a realizada pela expedição franco-americana que descobriu o Titanic em 1985, liderada por Robert Ballard. Desde então, missões comerciais também passaram a oferecer mergulhos turísticos, com bilhetes que custam centenas de milhares de dólares. Porém, o ambiente a quase 4 mil metros de profundidade é extremamente hostil, o que torna cada viagem uma operação de alto risco.
O episódio mais trágico recente foi o implosão do submersível Titan, em 2023, durante uma expedição turística aos destroços. Os cinco ocupantes morreram instantaneamente, levantando questões sobre a segurança de expedições privadas e o limite entre aventura e irresponsabilidade. A tragédia reacendeu o debate sobre quem deve ter acesso ao Titanic e em quais condições.
O acidente
Na noite de 14 de abril de 1912, o Titanic navegava a cerca de 41 km/h quando recebeu alertas de gelo na rota. Por volta das 23h40, o vigia Frederick Fleet avistou um enorme iceberg à frente e soou o alarme. O imediato William Murdoch ordenou manobras para desviar, mas a proximidade e a velocidade não permitiram evitar o choque. O navio não colidiu de frente, mas raspou o costado de estibordo contra o gelo, em um impacto que abriu uma série de fendas abaixo da linha d’água.

Essa colisão danificou pelo menos cinco compartimentos estanques, excedendo a capacidade de flutuação do Titanic. Como as divisórias internas não iam até o topo, a água foi transbordando de um compartimento para outro, acelerando o naufrágio. O impacto foi descrito por muitos sobreviventes como uma vibração ou arranhão suave, sem um estrondo repentino — o que explica porque, em um primeiro momento, muitos passageiros não compreenderam a gravidade da situação.
O Titanic submerso
A cada mergulho novas descobertas são feitas: calçados no fundo do mar, porcelanas intactas e até parte da estrutura que se mantém de pé contra a corrosão bacteriana. O Titanic, portanto, é mais que um naufrágio — é um laboratório natural de estudo sobre metais em profundidade e sobre a memória da tragédia que ceifou mais de 1.500 vidas.
Com o tempo, os especialistas alertam que o Titanic desaparecerá, corroído por bactérias que se alimentam do ferro. Isso torna as incursões ainda mais valiosas para registrar e documentar o que resta de um dos maiores símbolos do século XX. Entre sucessos, tragédias e mistérios, as expedições ao Titanic seguem escrevendo novos capítulos da história do navio mais famoso do mundo.
