O dodô, ave endêmica das Ilhas Maurício, no oceano Índico, tornou-se símbolo da extinção causada pela ação humana. Descoberto pelos europeus no final do século XVI, o animal foi caçado intensamente por marinheiros, colonos e piratas que utilizavam a ilha como ponto de parada em suas viagens. A espécie, incapaz de voar e sem predadores naturais, desapareceu em menos de um século após o primeiro contato com o homem.
Relatos da época descrevem o dodô como uma ave de porte avantajado, de cerca de um metro de altura, com carne considerada dura e de sabor pouco agradável. Muitos viajantes registraram que a carne não era tão apreciada quanto a de outras aves, como patos e galinhas, mas, em longas viagens marítimas, qualquer fonte de proteína era valorizada. Por isso, mesmo sem ser um prato refinado, o dodô tornou-se alimento frequente para tripulações famintas.
Dodô abatido com facilidade
A caça ao dodô foi facilitada pelo temperamento manso da ave. Sem conhecer predadores, os dodôs não demonstravam medo dos humanos e se deixavam capturar sem grande resistência. Isso tornava a espécie presa fácil, especialmente para piratas e marinheiros que desembarcavam nas Maurício em busca de comida fresca para reabastecer suas embarcações.
Além da caça direta, os colonizadores introduziram animais domésticos e de criação, como cães, porcos, cabras e ratos, que devastaram ovos e ninhos dos dodôs. Esse impacto combinado acelerou o desaparecimento da espécie, que já tinha reprodução lenta e poucas defesas naturais. Assim, em poucas décadas, o dodô deixou de existir na natureza.
Memória e legado do pássaro extinto
O dodô nunca foi descrito como uma iguaria de sabor excepcional, mas sua história revela como a pressão humana pode levar rapidamente uma espécie ao desaparecimento. Mais do que um prato na mesa dos invasores, tornou-se um exemplo clássico da fragilidade de ecossistemas isolados diante da ação do homem.
Hoje, o dodô é lembrado como símbolo mundial da extinção e da necessidade de preservação ambiental. Reconstruções em museus, relatos históricos e pesquisas de DNA mantêm viva a memória da ave que, um dia, caminhou tranquilamente pelas florestas das Ilhas Maurício, sem imaginar que seu comportamento dócil seria sua condenação.
