Na corte do Rio de Janeiro, instalada após a vinda da família real portuguesa em 1808, a alimentação de Dom Pedro I seguia a tradição lusa, com pratos ricos em carnes, peixes, caldos e doces conventuais. A mesa era farta, inspirada nos hábitos da nobreza portuguesa, mas já incorporava ingredientes brasileiros, como mandioca, milho, frutas tropicais e caças da região.
Alimentação em caravana pelo interior
Quando viajava pelo interior, a realidade mudava. As longas caravanas imperiais precisavam de alimentos de fácil transporte e conservação. Carne-seca, toucinho, arroz, feijão, farinha de mandioca e queijos eram presença constante. Pão e vinho também faziam parte da bagagem, além de frutas secas e doces que suportavam melhor as jornadas. A mesa de campanha, apesar de mais simples, ainda preservava certa distinção, com talheres de prata e toalhas finas, sinais da realeza mesmo em movimento.
Nessas ocasiões, Dom Pedro I comia de maneira mais rústica, adaptando-se às circunstâncias. Relatos apontam que ele aceitava refeições preparadas em fazendas e pousadas pelo caminho, o que incluía galinhas caipiras, porcos assados e legumes disponíveis na estação. O imperador tinha fama de ser apressado, muitas vezes comendo de forma rápida antes de seguir viagem.
O dia 7 de setembro e a comida do imperador
No célebre 7 de setembro de 1822, quando proclamou a Independência às margens do riacho do Ipiranga, Dom Pedro I também estava em viagem. Havia saído de Santos em direção a São Paulo, e os registros indicam que o grupo carregava os víveres costumeiros das caravanas: carne-seca, feijão, farinha e água para suportar o trajeto. O imperador sofria de problemas digestivos e, segundo tradições orais, estaria indisposto no momento da proclamação, o que reforça a ideia de que a alimentação durante a jornada não era confortável nem abundante.
Apesar disso, a cena da Independência foi marcada pela força simbólica, e não pelos detalhes prosaicos da refeição. A simplicidade da comida contrastava com a grandiosidade do ato político que mudaria os rumos do Brasil.
Assim, a dieta de Dom Pedro I refletia o contraste entre a fartura da corte e a rusticidade das estradas. Entre pratos refinados de inspiração europeia e refeições rápidas em campanha, a alimentação do imperador acompanhava o ritmo de um país em transformação.
