O papa Telésforo é tradicionalmente considerado o oitavo sucessor de Pedro, exercendo seu pontificado entre os anos de 125 e 136, durante o reinado dos imperadores romanos Adriano e Antonino Pio. Nascido na Calábria, no sul da Itália, acredita-se que fosse de origem grega. Sua figura é envolta em incertezas históricas, já que muitas das informações vêm de tradições antigas e escritos posteriores, como o Liber Pontificalis, que mistura dados históricos com elementos lendários. Apesar disso, é lembrado como um dos primeiros papas a ter seu pontificado registrado de forma mais detalhada.
Telésforo é venerado como mártir, tendo, segundo a tradição, sido morto durante uma perseguição aos cristãos, possivelmente sob o governo de Adriano. A Igreja Católica celebra sua festa no dia 5 de janeiro. Ele é um dos poucos papas antigos cujo martírio é mencionado explicitamente por Santo Ireneu de Lião, o que reforça a credibilidade de sua morte violenta. O fato de Ireneu, que viveu apenas uma geração depois, mencioná-lo dá um peso histórico incomum para essa afirmação.
As curiosidades do pontificado de Telésforo
Entre as curiosidades atribuídas ao seu pontificado, Telésforo teria introduzido a celebração da Missa do Galo na noite de Natal, dando início a uma tradição que perdura até hoje. Essa prática de vigília noturna para celebrar o nascimento de Cristo se espalhou pelo mundo cristão e se tornou uma das cerimônias mais simbólicas do calendário litúrgico. Também lhe é creditada a instituição do jejum da Quaresma como preparação espiritual para a Páscoa, embora seja possível que essa tradição tenha se desenvolvido gradualmente e não exclusivamente por sua iniciativa.
Outra tradição diz que Telésforo introduziu no culto romano o cântico do Gloria in excelsis Deo durante a celebração eucarística. Embora existam debates acadêmicos sobre a real autoria dessa inovação litúrgica, a atribuição a ele demonstra o papel que seu pontificado teve na estruturação das práticas litúrgicas que moldariam a Igreja ao longo dos séculos. Esse cântico, baseado nas palavras dos anjos no Evangelho de Lucas, tornou-se um dos hinos mais conhecidos da liturgia católica.
Além das contribuições litúrgicas, seu pontificado se deu em um período de relativo crescimento da comunidade cristã em Roma, mas ainda sob ameaça de perseguições. Os relatos indicam que ele incentivou os cristãos a manter a firmeza na fé, mesmo diante do perigo, e trabalhou para fortalecer a unidade da Igreja em um momento em que já surgiam divergências teológicas e disputas sobre datas litúrgicas, especialmente a celebração da Páscoa.
Telésforo foi sepultado, segundo a tradição, próximo ao túmulo de São Pedro, no Vaticano. Sua memória é honrada não apenas na Igreja Católica, mas também na Igreja Ortodoxa, o que mostra o respeito ecumênico por sua figura. Apesar das lacunas históricas, ele é lembrado como um papa que ajudou a consolidar tradições centrais do cristianismo e como um exemplo de fidelidade até o martírio, inspirando gerações posteriores de fiéis.
