O azeite de oliva é um dos alimentos mais antigos e valorizados da história da humanidade. Sua origem remonta a milhares de anos atrás, em uma região que compreende o Crescente Fértil, passando pelo atual Oriente Médio até o Mediterrâneo. Mais do que um simples ingrediente culinário, o azeite tornou-se símbolo de saúde, riqueza e espiritualidade nas civilizações antigas.
A oliveira (Olea europaea) começou a ser cultivada por volta de 6000 antes de Cristo, provavelmente na região da Mesopotâmia e da atual Palestina, espalhando-se depois pela Síria, Líbano, Israel, Egito, Grécia e, posteriormente, Itália e Península Ibérica. Os primeiros povos a domesticar a planta aprenderam a extrair seu óleo por meio da prensa de madeira e pedra, desenvolvendo técnicas que, com melhorias, persistem até hoje.
A uso do azeite na antiguidade
Nas sociedades do Oriente Médio, o azeite era um produto central. Além da alimentação, era usado em rituais religiosos, como combustível para lamparinas, unções sagradas e até como moeda de troca. No Antigo Testamento, há inúmeras referências ao azeite, demonstrando sua importância espiritual e econômica. Entre os hebreus, era sinal de bênção e abundância. Já para os fenícios, o comércio do azeite foi crucial na sua expansão pelo Mediterrâneo.
No mundo greco-romano, o azeite atingiu um novo patamar de sofisticação. Os gregos consideravam-no um presente da deusa Atena e utilizavam-no em banhos, competições esportivas e ofertas aos deuses. Os romanos, por sua vez, industrializaram a produção, criando verdadeiras redes de cultivo, armazenamento e exportação. Anfôras com azeite romano foram encontradas em portos da África, da Ásia e da Europa, mostrando o quanto esse produto era valorizado.
Do ponto de vista nutricional, o azeite de oliva é uma fonte rica de gorduras monoinsaturadas, especialmente o ácido oleico, que ajuda a reduzir o colesterol ruim (LDL) e a aumentar o colesterol bom (HDL). Ele é também abundante em polifenóis e antioxidantes naturais, que combatem o envelhecimento celular e reduzem inflamações no corpo. Por isso, integra com destaque a chamada “dieta mediterrânea”, associada à longevidade e à prevenção de doenças cardíacas, diabetes e até alguns tipos de câncer.
Nos dias atuais, tanto no Mediterrâneo quanto no Oriente Médio, o azeite segue sendo um pilar da cultura alimentar e da identidade regional. Do pão com zaatar no Líbano às saladas gregas regadas com azeite, passando pelos pratos italianos e pelas preparações judaicas e árabes, o ouro líquido mantém sua relevância.
Mais do que um ingrediente, o azeite de oliva é testemunho vivo da história, da saúde e da tradição de povos que moldaram a civilização ocidental e oriental com suas raízes profundas no solo seco e ensolarado dessas terras antigas.
