Thomas Morus: o homem que não se vendeu
Poucas figuras da história cristã combinam, de forma tão marcante, erudição, fé e coragem moral quanto Thomas Morus. Nascido em Londres em 1478, Thomas foi um jurista brilhante, humanista, filósofo e político. Sua obra mais famosa, Utopia, é até hoje uma das principais referências da literatura política ocidental. Mas para a Igreja Católica, Morus é mais que um intelectual: é um mártir, símbolo da consciência cristã que se recusa a dobrar-se ao poder quando este contraria a fé e a verdade. Thomas Morus viveu em uma época de intensas transformações. A Europa estava no meio das mudanças trazidas pelo Renascimento, da Reforma Protestante e do nascimento dos Estados modernos. No centro dessas tensões, a Inglaterra era governada por Henrique VIII, um monarca inicialmente devoto à fé católica, que inclusive recebeu do Papa Leão X o título de "Defensor da Fé" por sua obra contra Martinho Lutero. No entanto, esse mesmo rei protagonizaria uma ruptura radical com Roma poucos anos depois. A palavra de Thomas Morus A crise começou quando Henrique VIII desejou anular seu casamento com Catarina de Aragão, alegando que não havia tido um herdeiro homem com ela. O Papa Clemente VII recusou-se a conceder a anulação, por questões…