Bactérias resistentes podem matar milhões até 2050
O uso indiscriminado de antibióticos na saúde humana e na agropecuária tem favorecido, há décadas, o surgimento de bactérias resistentes a esses medicamentos, tornando as infecções cada vez mais difíceis de tratar. Como consequência, centenas de milhares de pessoas morrem anualmente em todo o mundo. Segundo a mais recente estimativa divulgada pela revista científica The Lancet, o número de óbitos atribuídos a essas bactérias passou de 1,06 milhão em 1990 para 1,14 milhão em 2021. A tendência alarmante aponta para um aumento ainda mais acelerado até 2050. A pesquisa, conduzida por centenas de cientistas de diferentes países, incluindo brasileiros, faz parte dos esforços da aliança internacional GBD 2021 Antimicrobial Resistance Collaborators, que monitora a resistência aos antibióticos. Para chegar a esses números, os pesquisadores analisaram dados sobre causas de morte, internações hospitalares, uso de antibióticos e perfis de resistência de 22 espécies bacterianas em 204 países e territórios ao longo de três décadas. As projeções As projeções para o futuro são preocupantes. Considerando o crescimento e envelhecimento da população, estima-se que as mortes por infecções bacterianas resistentes a antibióticos possam atingir 1,91 milhão ao ano até 2050, um aumento de quase 70% em relação a 1990. Regiões como o sul…