A gastronomia da Família Real Portuguesa no Brasil
Quando Dom João VI e a Família Real Portuguesa desembarcaram no Brasil em 1808, trouxeram consigo não apenas seus costumes, mas também sua refinada culinária. Conhecido por seu apreço por alimentos fartos e saborosos, d. João VI teria uma queda especial por galinhas, que faziam parte constante de sua dieta. A chegada da realeza transformou a gastronomia local, unindo ingredientes tropicais às receitas tradicionais de Portugal. O que comia a família real no Brasil? A mesa da corte era farta e repleta de pratos típicos da culinária portuguesa, adaptados aos ingredientes locais. Ensopados, assados e doces abundavam, com destaque para o leitão à pururuca, o arroz-de-pato, os caldos substanciosos e os peixes preparados com azeite e ervas. As carnes de caça também eram comuns, além de pratos à base de galinha, que, segundo relatos, estavam entre os favoritos de d. João VI. O rei, conhecido por seu apetite generoso, teria o hábito de se alimentar várias vezes ao dia. Os doces portugueses, como os famosos quindins e fios de ovos, foram amplamente popularizados durante esse período. A feijoada, que hoje é símbolo da culinária brasileira, já começava a ganhar espaço, misturando influências africanas, indígenas e portuguesas. Bebidas e ingredientes: o…
A origem da língua portuguesa
A língua portuguesa é um dos idiomas mais difundidos no mundo, com mais de 265 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, e também a língua mais falada no hemisfério sul. Segundo a Unesco, o português continua a ser uma das principais línguas de comunicação internacional, e com uma forte extensão geográfica, destinada a aumentar. Atualmente, além do Brasil, outros nove países falam oficialmente a língua portuguesa: Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Guiné Equatorial e Macau. Por isso, em 2019, a Unesco decidiu proclamar o dia 5 de maio de cada ano como "Dia Mundial da Língua Portuguesa". Desde 2009, a data já era oficialmente estabelecida pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP. Língua portuguesa em sua origem A Língua Portuguesa tem sua origem na expansão do Império Romano. À medida que os soldados romanos avançavam pela Europa, levaram consigo o Latim, que se espalhou pelos territórios colonizados. Com o tempo e a influência das línguas locais nas colônias, o latim evoluiu e deu origem a diversos idiomas, como o português, o espanhol, o francês, o italiano e o romeno, entre outros. Séculos mais tarde, num processo similar de expansão e…
A vida do navegador Vasco da Gama
A data exata de nascimento e o local de Vasco da Gama são desconhecidos. Acredita-se que ele nasceu entre 1460 e 1469 em Sines, Portugal. Ele era o terceiro filho de seus pais. Seu pai, Estêvão da Gama, era um cavaleiro na corte do Duque de Viseu; e sua mãe era uma nobre chamada Isabel Sodré. O papel de seu pai na corte teria permitido ao jovem Vasco ter uma boa educação. Mas como ele morava perto de uma cidade portuária, ele provavelmente também aprendeu sobre navios e navegação. Vasco frequentou a escola em uma vila maior a cerca de 70 milhas de Sines chamada Évora. Ele aprendeu matemática avançada e estudou princípios de navegação. Aos quinze anos, ele se familiarizou com navios mercantes que estavam atracados no porto. Aos vinte anos, ele era o capitão de um navio. 3 Essas habilidades o tornariam uma escolha aceitável para liderar uma expedição à Índia. Vasco da Gama navegador A carreira marítima de Vasco da Gama ocorreu durante o período em que Portugal estava procurando uma rota comercial ao redor da África para a Índia. O Império Otomano controlava quase todas as rotas comerciais europeias para a Ásia. Isso significava que eles…
O mistério sobre a morte de Dom João VI
O rei Dom João VI esbanjou saúde ao longo da vida. Além de ser conhecido como glutão, não perdia um só evento real, comparecendo sempre que possível. No início do seu último ano de vida, entretanto, a saúde do rei contrastou com seu conhecido fôlego, adoecendo gradativamente e sendo visto em raras aparições públicas. No início de março de 1826, D. João apresentou diversos problemas de saúde, desde vômitos, colapsos nervosos e até desmaios, durante vários dias. A pedido do próprio pai, sua filha, Isabel Maria, ficou ao seu lado, responsável por sua saúde e qualquer emergência imediata. Na noite do dia 9, as dores intensificaram, resultando em sua morte durante a madrugada, com 58 anos de idade. O choque de seu falecimento repentino iniciou uma série de suspeitas sobre a causa de sua morte, desde atribuições ao seu estilo de vida, ao local que morava e, principalmente, a possibilidade de sabotagem. Internamente, a casa do rei atribuía a causa, principalmente, a um conhecido desafeto de João VI, sua esposa, Carlota Joaquina. O casamento desastroso Ao longo do casamento, Joaquina se recusou a aderir ao papel de esposa submissa, o que era costume na época. A união, nesse ritmo, foi…
D. João VI: os vários retratos do monarca português
Em 2026, a morte de d. João VI completará 200 anos. Neste período, nenhum historiador conseguiu traçar um perfil de consenso sobre a imagem do monarca português. Embora sua atuação política tenha, em geral, uma avaliação positiva, sua descrição é, na maioria das vezes, bastante caricata. Neste artigo, o HiperHistória reuniu alguns registros de d. João VI e de outros personagens que permearam sua vida. São desenhos, pinturas e uma escultura que nos ajudam, ao lado de notas biográficas, a traçar um perfil do monarca. D. João VI antes de se tornar rei João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís Antônio Domingos Rafael nasceu no Palácio Real da Ajuda, próximo a Lisboa, em 1767. Era um dos cinco filhos de d. Maria I, rainha de Portugal, e de d. Pedro III. Educado por frades e muito religioso, tinha paixão pela música sacra. Seu casamento em 1785 com a filha do rei da Espanha, Carlota Joaquina, então com 10 anos de idade, foi resultado de uma política de aproximação entre os dois países ibéricos. A morte precoce de seu irmão mais velho, d. José – herdeiro natural do trono –, acelerou a entrada de João no cenário político português. Em…
A vida e o mito de Sebastião I de Portugal
Sebastião I sucedeu, aos três anos, ao seu avô João III (filho e sucessor de Manuel I ) sob a tutela do seu tio-avô, Dom Henrique, "o Cardeal-Rei". Em 1568 ele foi declarado maior de idade quando completou quatorze anos. Reinou de 1557 a 1578. Com a intenção de conquistar um império no Marrocos, fez duas expedições ao Norte da África (1574 e 1578). Durante a segunda foi derrotado e morto em Alcácer Quibir. Em meados do século XVI, existia em Portugal a crença na vinda de um rei predestinado e portador de felicidade. Autores modernos denominaram a famosa superstição coletiva como sebastianismo, cujas origens remontam a antes do nascimento do jovem rei. Predestinação de Sebastião Sentindo-se predestinado a salvar a cristandade ameaçada, Sebastião organizou, com um espírito mais cavalheiresco e romântico do que prático, projetos de exércitos e marinhas, expedições e outros empreendimentos, muitos dos quais não puderam ser realizados. Porém, em 1574 embarcou secretamente para Marrocos, de onde regressou logo, depois de ter provado a sua coragem e fantasia nos seus confrontos e negociações com os mouros. Foi o prólogo da sua infeliz expedição de 1578 àquele país africano, na qual perdeu a vida diante das muralhas de…
O amor entre Pedro I e Inês de Castro
Baseado numa história verídica do Portugal medieval, o mito de Pedro I e Inês de Castro tem de tudo, desde o apaixonado amor juvenil até à coroação de um cadáver. Segundo a crônica escrita por volta de 1440 pelo historiador português Fernão Lopes, cerca de 100 anos antes, o Infante Dom Pedro I apaixonou-se por Inês de Castro, que era dama de companhia da sua mulher e cujo pai era um fidalgo espanhol. O pai de Pedro, o rei português Afonso IV, não aprovou este amor e exilou Inês. Mas após a morte da mulher de Pedro, a exilada regressou a Portugal, reencontrou o amante e tiveram quatro filhos. A tragédia de Inês de Castro Dom Afonso e os seus conselheiros continuaram a discordar desta união. Em 1355, decidiram que a presença de Inês era um risco político demasiado grande para a linhagem real portuguesa e mandaram matá-la. Ela foi enterrada na cidade de Coimbra enquanto Pedro jurava vingança. O príncipe liderou uma revolta contra o seu pai, iniciando uma guerra civil em Portugal. Quando Pedro subiu ao trono, após a morte de Afonso em 1357, procurou os dois assassinos da sua amada e arrancou-lhes o coração. Leia também: A…