A outra versão de Lucrécia Bórgia
A fama de Lucrécia Bórgia como mulher devassa e pervertida atravessou séculos, alimentada por boatos de incesto, envenenamentos e jogos de sedução. Contudo, muitos historiadores modernos reavaliam essa imagem, mostrando que boa parte do que se dizia sobre a filha do papa Alexandre VI era, na verdade, fruto de propaganda política, preconceito e misoginia. Lucrécia nasceu em 1480, em meio ao auge do poder da família Bórgia, de origem espanhola. Seu pai, Rodrigo Bórgia, se tornaria papa Alexandre VI, e seu irmão, César Bórgia, comandante militar ambicioso. A família despertava ódio entre nobres italianos, especialmente os Orsini, Colonna e Sforza. Não por acaso, as acusações contra Lucrécia vieram justamente desses círculos rivais, interessados em enfraquecer os Bórgia com difamações. Os indícios de que Lucrécia não era a mulher promíscua que muitos imaginam começam por sua juventude: ela foi usada como peça política em casamentos arranjados para consolidar alianças. Seu primeiro casamento, com Giovanni Sforza, foi anulado sob a alegação de impotência do marido. Humilhado, Giovanni revidou dizendo que a anulação foi feita para encobrir um suposto caso de incesto entre Lucrécia e o pai ou irmão — uma acusação sem provas, mas que marcou sua reputação. Outro ponto que joga…
Leão XI: o pontificado de apenas dez dias
Papa Leão XI teve um dos pontificados mais curtos da história da Igreja Católica, durando apenas dez dias em abril de 1605. Antes de ascender ao trono de São Pedro, ele era Alessandro Ottaviano de' Medici, membro da poderosa e influente família Medici de Florença, a mesma que deu à Igreja o Papa Leão X e inúmeros cardeais e bispos. Nasceu em 2 de junho de 1535 e foi criado em um ambiente profundamente religioso e político. Alessandro iniciou sua carreira eclesiástica por influência do tio-avô, o Papa Leão X. Demonstrando inteligência, diplomacia e religiosidade, foi nomeado arcebispo de Florença em 1574 e, posteriormente, núncio apostólico na França entre 1596 e 1600. Durante sua missão diplomática na corte de Henrique IV, desempenhou um papel importante na aproximação entre a França e a Santa Sé após as tensões causadas pelas guerras religiosas e pelo protestantismo. Seu trabalho contribuiu para restaurar relações políticas e religiosas, e ele ganhou reputação como mediador hábil e prudente. Em 1600, foi feito cardeal pelo Papa Clemente VIII e passou a integrar o Colégio Cardinalício com destaque, mantendo sua influência em assuntos diplomáticos. Quando Clemente faleceu, em março de 1605, o conclave que se seguiu foi tenso…
Os detalhes do horrendo velório do Papa Pio XII
O Papa Pio XII, nascido Eugenio Pacelli, faleceu na madrugada de 9 de outubro de 1958. em Castel Gandolfo, a residência de verão do pontífice romano. A partir de 1950, com a piora da condição de saúde, o papa passou a cercar-se de inúmeros médicos e enfermeiros, que mais tarde se mostrariam pouco confiáveis. O mais famoso de todos era Riccardo Galeazzi Lisi, um oftalmologista que coordenava toda a equipe médica do Vaticano. De acordo com uma versão relatada pelo próprio Galeazzi Lisi em suas memórias, publicadas alguns anos após a morte de Pio XII, foi escolhida e aplicada ao corpo do papa uma nova técnica de preservação. Galeazzi-Lisi afirma que havia discutido o método com Pio XII algum tempo antes de sua morte, e que o pontífice havia concordado em ser submetido ao procedimento. Naquela época, era comum remover uma grande parte dos órgãos internos, acreditando-se que isso ajudaria a conservar o corpo por mais tempo — especialmente considerando os nove dias de exposição pública aos fiéis que geralmente ocorriam após a morte de um papa. O embalsamamento inadequado Em 10 de outubro, Galeazzi-Lisi pôs-se a trabalhar, prosseguindo com a técnica que havia desenvolvido com Nuzzi após receber permissão…
Por que o Concílio Vaticano I foi suspenso e interrompido?
O Concílio Vaticano I foi convocado pelo Papa Pio IX em 1869 com o objetivo de enfrentar os desafios do mundo moderno, como o racionalismo, o materialismo e o liberalismo, que minavam a autoridade da Igreja. Um dos temas centrais tratados pelos padres conciliares foi a definição do dogma da infalibilidade papal. Segundo esse dogma, o Papa, quando fala ex cathedra — isto é, na qualidade de pastor supremo da Igreja, e ao definir uma doutrina de fé ou moral —, é preservado do erro por uma assistência especial do Espírito Santo. A proclamação oficial da infalibilidade papal aconteceu em 18 de julho de 1870, por meio da constituição dogmática Pastor Aeternus. No entanto, embora essa definição tenha sido alcançada, os trabalhos do concílio ainda estavam em andamento e outros temas doutrinais e pastorais permaneciam pendentes, aguardando discussão e deliberação pelos bispos reunidos em Roma. Interrupção do concílio A continuação do concílio foi abruptamente interrompida por um evento político decisivo: a tomada de Roma pelas tropas do Reino da Itália em 20 de setembro de 1870. Esse acontecimento marcou o fim dos Estados Pontifícios e, com isso, do poder temporal do Papa, que desde o século VIII governava vastos territórios…
Curiosidades sobre o Concílio Vaticano I
O Concílio Vaticano I foi um concílio ecumênico da Igreja Católica, realizado de 1869 a 1870, e convocado pelo Papa Pio IX. O concílio destacou-se pela proclamação dos dogmas da infalibilidade papal e da primazia do papa sobre a Igreja. Além disso, o concílio abordou questões doutrinárias para combater o racionalismo, o materialismo e o ateísmo, defendendo a fé católica. Conheça algumas curiosidades sobre este evento: A infalibilidade papal O Concílio Vaticano I foi convocado pelo Papa Pio IX em 1869 com o objetivo de enfrentar os desafios do mundo moderno, como o racionalismo, o materialismo e o liberalismo, que minavam a autoridade da Igreja. Um dos temas centrais tratados pelos padres conciliares foi a definição do dogma da infalibilidade papal. Segundo esse dogma, o Papa, quando fala ex cathedra — isto é, na qualidade de pastor supremo da Igreja, e ao definir uma doutrina de fé ou moral —, é preservado do erro por uma assistência especial do Espírito Santo. A proclamação oficial da infalibilidade papal aconteceu em 18 de julho de 1870, por meio da constituição dogmática Pastor Aeternus. No entanto, embora essa definição tenha sido alcançada, os trabalhos do concílio ainda estavam em andamento e outros temas…
Os 33 dias de João Paulo I
O Papa João Paulo I, nascido Albino Luciani, foi eleito papa em 26 de agosto de 1978, sucedendo o Papa Paulo VI. Seu pontificado foi o mais breve do século XX, durando apenas 33 dias, até sua morte repentina em 28 de setembro de 1978. Apesar do curto tempo à frente da Igreja, João Paulo I deixou uma marca profunda, sendo lembrado como o "Papa do Sorriso", por sua humildade, simplicidade e carisma. Desde o início, João Paulo I optou por quebrar protocolos. Foi o primeiro papa a adotar um nome duplo, homenageando seus dois predecessores: João XXIII e Paulo VI. Recusou a coroa papal, não quis ser carregado na sedia gestatória e evitava o uso de tons imperiais. Seu estilo pastoral era direto, acessível e fortemente pastoral, algo que agradava ao povo, mas provocava desconforto em setores mais conservadores da Cúria Romana. Um papa reformista Durante seus 33 dias de pontificado, João Paulo I não chegou a publicar encíclicas, mas sinalizou profundas intenções de reforma. Mostrou-se preocupado com temas sociais, combate à corrupção no Vaticano, à ostentação clerical e à administração do Banco do Vaticano — que, na época, estava mergulhado em escândalos financeiros envolvendo personagens como o arcebispo…
Sisto I (115-125 d.C.) – 7º Papa
Sisto I foi o sétimo Papa da Igreja Católica, exercendo seu pontificado entre os anos 115 e 125 d.C., durante o reinado do imperador Adriano. Seu governo ocorreu em um período de consolidação da fé cristã, ainda sob o risco constante das perseguições romanas. Sisto I desempenhou um papel importante na continuidade da tradição apostólica e na organização das práticas litúrgicas da Igreja primitiva. As Contribuições de São Sisto I Durante seu pontificado, Sisto I estabeleceu normas que ajudaram a estruturar a liturgia da Igreja. Entre as medidas atribuídas a ele, destaca-se a determinação de que apenas pessoas consagradas podiam tocar os vasos sagrados, como o cálice e a patena. Essa regra visava preservar o respeito e a reverência pela Eucaristia, destacando a santidade dos objetos usados no culto cristão. Outra tradição associada ao Papa Sisto I é a prática de recitar o "Sanctus" — o "Santo, Santo, Santo" — durante a celebração da Missa, como parte da Oração Eucarística. Embora a origem exata dessa introdução litúrgica ainda seja debatida, muitos autores antigos atribuem sua inserção formal à autoridade de Sisto I. Essas ações ajudaram a desenvolver uma identidade litúrgica própria para os cristãos, distinguindo claramente suas celebrações das práticas…
Início do pontificado de Leão XIV
A Praça de São Pedro se prepara para receber fiéis de todo o mundo no próximo domingo (18/05), quando será celebrada a missa de início de pontificado do Papa Leão XIV. Este será o momento litúrgico que marca oficialmente o início do seu ministério como bispo de Roma e pastor universal da Igreja Católica. A cerimônia será presidida pelo próprio pontífice e contará com a presença de autoridades civis, líderes religiosos e milhares de peregrinos. Diferente do que muitos imaginam, a missa de início de pontificado não é uma coroação papal. Essa prática foi abolida em 1978 pelo Papa João Paulo I, que optou por uma celebração mais simples, centrada na liturgia e na simbologia pastoral, abandonando o uso da tiara papal. Desde então, os papas têm iniciado seus pontificados com uma solene missa em que recebem dois sinais fundamentais de sua missão: o pallium e o anel do pescador. Papa Leão XIV receberá símbolos do papado Durante a celebração, Leão XIV receberá o pallium, uma faixa circular de lã branca com cruzes negras, que simboliza a autoridade e o serviço do bispo de Roma sobre as Igrejas particulares. O pallium é um símbolo arcaico, herdado da tradição dos arcebispos…
Fumaça preta na primeira votação do conclave
A primeira votação no conclave ocorreu na tarde desta quarta-feira (07/05) com um resultado previsível: fumaça de cor preta, sem decisão sobre quem será o próximo papa. O sinal foi acompanhado com expectativa por cerca de 45 mil fiéis que passaram o dia reunidos na Praça São Pedro e arredores, atentos ao momento em que o mundo católico escolhe seu líder. Os cardeais eleitores deixaram a Casa Santa Marta às 15h45 (10h45 em Brasília) em ônibus oficiais, escoltados pela segurança vaticana. Chegaram à Capela Sistina por volta das 16h (11h em Brasília). Pouco depois, soou o tradicional chamado extra omnes — todos para fora, em latim –, marcando o momento em que apenas os eleitores permaneceram no local. Às 16h30 (11h30 em Brasília), teve início oficialmente o conclave, com a primeira votação do dia. Conclave iniciou-se na manhã de hoje Mais cedo, a Basílica de São Pedro esteve lotada para a missa pro eligendo pontifice, última celebração conjunta dos cardeais antes de se recolherem à clausura. A cerimônia foi presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício, e foi marcada pela solenidade e pelo tom de apelo espiritual. O rito buscou invocar a sabedoria divina sobre os cardeais…
Cardeais em votação na Sistina
Os 133 cardeais eleitores estão reunidos na Capela Sistina, no Vaticano, para escolher o novo papa da Igreja Católica. O início formal da votação ocorreu às 11h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (07/05). A partir desse momento, os cardeais permanecem em isolamento total até que haja consenso sobre o sucessor de Francisco. Antes de se dirigirem à Capela Sistina, os cardeais participaram da missa “Pro Eligendo Romano Pontifice”, celebrada na Basílica de São Pedro. Segundo o Vaticano, mais de 5 mil pessoas assistiram à cerimônia. A celebração marcou oficialmente a abertura do conclave e contou com a presença de todos os cardeais com direito a voto. Cardeais fizeram juramento Na Sistina, os cardeais acompanharam um canto e fizeram, um por um, o juramento de fidelidade às normas estabelecidas para a eleição papal, incluindo a promessa de sigilo absoluto sobre tudo o que acontece no interior da Capela Sistina. Depois, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias ordenou o extra omnes — expressão em latim que indica que todos os não envolvidos na eleição devem deixar o local. Com a saída dos dois últimos não eleitores, os cardeais fizeram uma oração e escutaram o cardeal decano, Giovanni Battista Re, que verifica se…
Missa Pro Eligendo Romano Pontifice
O primeiro ato do conclave que elegerá o sucessor do Papa Francisco é a missa Pro Eligendo Romano Prontifice. A celebração acontecerá na Basílica de São Pedro na manhã desta quarta-feira (07/05). Assista aqui: Missa presidida por Giovanni Battista Re A missa será presidida pelo decano do Colégio Cardinalício, Giovanni Battista Re. Às 11h30 do mesmo dia (horário de Brasília), os 133 cardeais eleitores seguem para a Capela Paulina, no Palácio Apostólico, para rezar a Ladainha de Todos os Santos. Depois, devem realizar uma procissão até a Capela Sistina, onde cada um jurará obedecer às normas da sucessão papal e se comprometerá a cumprir o Munus Petrinum (Missão de Pedro, em latim), ou seja, a incumbência de conduzir a Igreja que, na tradição católica, foi concedida como uma graça divina ao apóstolo Pedro. Início do sigilo dos cardeais Os cardeais também se comprometem a manter absoluto sigilo sobre todos os detalhes relacionados à eleição e a resistir a qualquer tentativa externa de influenciar o processo. Ao meio-dia, o mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, o arcebispo italiano Diego Giovanni Ravelli, será o responsável por proclamar o ‘extra omnes’ (todos fora), ordenando que todos os que não participam da eleição deixem a…
Conclave: o que significa cada expressão?
Na Capela Sistina, dentro do Palácio Apostólico do Vaticano, os 133 cardeais com direito a voto (dois se aposentaram por motivos de saúde) e com menos de 80 anos se preparam para escolher o sucessor do Papa Francisco. O conclave começa no dia 7 de maio às 16h30. Esta palavra, que deriva do latim cum clavis, que significa “a sete chaves”, identifica a reunião de cardeais de todo o mundo – e também a única maneira possível – de eleger um novo papa. Sempre considerado um dos maiores “segredos” da história, o conclave, com seus rituais ancestrais, é cercado por uma aura de mistério que tem incentivado o florescimento de lendas, conspirações e tramas na literatura e no cinema. Na realidade, o que acontece a portas fechadas da Capela Sistina (um lugar já cheio de significado simbólico) é rigorosamente descrito na Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada por João Paulo II em 22 de fevereiro de 1996 e alterada em 2013 pelo Papa Bento XVI. Nos últimos séculos, muitos procedimentos foram modernizados, por exemplo, para garantir o isolamento e o sigilo, que foram postos à prova pelas novas tecnologias. Abaixo, o glossário do conclave. Aceitação Canônica Este é o momento…