O último dia de Salvador Allende
Em 11 de setembro de 1973, Salvador Allende, presidente democraticamente eleito do Chile, viveu seu último dia no Palácio de La Moneda, em Santiago, cercado por tanques e aviões da Força Aérea. Era o início de um golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet, que colocaria fim a um dos experimentos socialistas mais notórios da América Latina e mergulharia o país em uma longa ditadura militar. Allende, em um gesto de resistência e dignidade, escolheu a morte a se render aos golpistas. A resistência de Allende em La Moneda Naquela manhã, Allende chegou cedo ao Palácio presidencial, já ciente da traição de setores das Forças Armadas. Com farda de médico sob o paletó e armado com um fuzil AK-47 presenteado por Fidel Castro, ele fez questão de permanecer no local. Em um discurso transmitido pela rádio Magallanes, dirigiu-se ao povo chileno com palavras de esperança e coragem, declarando que não renunciaria e que pagaria com a vida pela lealdade ao povo e à Constituição. Mesmo sob bombardeio, Allende resistiu ao lado de um pequeno grupo de assessores e seguranças. As imagens do Palácio em chamas, atingido por mísseis lançados de caças, correriam o mundo como símbolo da brutalidade do…